Bolsonaro e Doria discutem sobre impostos

Publicação: 2020-10-28 00:00:00
Em nova crítica ao seu rival político, o governador de São Paulo João Doria (PSDB), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Estado "mais importante da economia no Brasil" dá um "péssimo exemplo" com o aumento de impostos, enquanto o governo federal evitou o aumento de tributos. Doria rebateu em seguida e chamou o presidente de "desinformado". "São Paulo não fez e não fará nenhum aumento de imposto", disse o governador.

Créditos: MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDOJoão Doria afirma que Jair Bolsonaro está mais preocupado de atacar do que governarJoão Doria afirma que Jair Bolsonaro está mais preocupado de atacar do que governar

"São Paulo aumentou barbaramente (imposto sobre) produto da cesta básica, lamentavelmente. Uma barbaridade. Nós sim, fizemos o que tínhamos que fazer, não aumentamos impostos, muito pelo contrário. Agora, um Estado ou outro, que é o mais importante da economia no Brasil, dá esse péssimo exemplo aumentando impostos" disse Bolsonaro a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, ontem, antes da cerimônia de hasteamento da Bandeira Nacional.

Doria reagiu e afirmou que Bolsonaro está mais preocupado em atacar do que governar. "Fizemos sim a reforma administrativa que ele, Bolsonaro, deixou de fazer no plano federal. Se ficasse mais preocupado em governar e menos em atacar adversários, poderia fazer algo de útil para o País. Governe para o Brasil, Bolsonaro, e não para seus interesses políticos e ideológicos!", afirmou o tucano.

O governo de São Paulo informou que o pacote de ajustes fiscais aprovado pela Assembleia Legislativa não causará impacto na cesta básica. Segundo o governo paulista, a lei sancionada "prevê ajustes fiscais e modernização e enxugamento da máquina pública" com a "redução linear de 20% dos benefícios fiscais relacionados ao ICMS" para cobrir rombo de R$ 10,4 bilhões. 

Entretanto, afirma o governo estadual, por decisão de Doria, "não haverá alteração na alíquota do imposto para os produtos que fazem parte das cestas básicas de alimentos e de remédios". O pacote de medidas inclui a extinção de estatais e fundações com o objetivo de poupar despesas no Orçamento do próximo ano e compensar perdas causa pela pandemia da covid-19.

'Guerra' da vacina
Na semana passada, o motivo de atrito entre o presidente e Doria foi a vacina contra a covid-19. Na última quarta-feira, 21, um dia depois do anúncio de que o governo federal compraria a vacina produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo, Bolsonaro desautorizou o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Sob pressão de seus seguidores nas redes sociais, o presidente disse que "a vacina chinesa do Doria" não seria comprada. "Deixe a eleição de 2022 para outro momento, presidente", provocou o governador. "Não vamos misturar ciência com política, saúde com ideologia".

Dino também é alvo
Na conversa com apoiadores, ontem, Bolsonaro também voltou a criticar outro governador, Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão. Sem citar o nome de Dino, o presidente afirmou para apoiadores que é preciso "tirar o PCdoB" do Estado. "Tem que tirar o PCdoB de lá, cara, pelo amor de Deus. Só aqui no Brasil mesmo, comunista falando que é democrático", disse. Bolsonaro fez perguntas para as pessoas sobre o andamento das eleições municipais em cada Estado: "Eu tô fazendo pesquisa aqui".

Na semana passada, Bolsonaro anunciou ter cancelado uma viagem ao município de Balsas, no Maranhão, depois de Dino, segundo o mandatário, recusar o efetivo da Polícia Militar para reforçar a segurança presidencial. Pelo Twitter, o governador negou ter feito qualquer restrição sobre o uso da Polícia Militar. Dino anunciou ainda ter entrado com ação judicial no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente por "mentir" sobre o assunto.