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Política
Bolsonaro e Lula prometem recriar ministério cobrado pela indústria
Publicado: 00:00:00 - 29/05/2022 Atualizado: 16:34:37 - 28/05/2022
Na busca do apoio dos empresários descontentes com a política industrial e com a redução das tarifas de importação, o presidente Jair Bolsonaro (PL) prometeu recriar ainda este ano o Ministério da Indústria e Comércio Exterior, extinto e anexado ao superministério da Economia no início do governo.
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Presidente da Câmara, Arthur Lira, é um dos patrocinadores da mudança para desmembrar o Ministério da Economia

Presidente da Câmara, Arthur Lira, é um dos patrocinadores da mudança para desmembrar o Ministério da Economia


Rival de Bolsonaro na corrida presidencial deste ano e liderando as pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também já deu sinais de que, se eleito, pode desmembrar o Ministério da Economia e repetir o que fez no seu primeiro mandato, em 2003, quando nomeou um empresário para o comando de um novo ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior. O empresário Luiz Fernando Furlan foi o primeiro ministro da pasta e tinha uma relação próxima com Lula para levar diretamente ao presidente as demandas do setor.

Os empresários que pediram ao presidente a recriação do ministério reclamam agora que não há essa interlocução direta e que a pasta de Paulo Guedes é muito grande, o que na avaliação deles acaba deixando os assuntos da indústria e comércio exterior em segundo plano.

"O presidente Jair Bolsonaro foi sensível à nossa demanda. Depois da pandemia e da guerra na Ucrânia, há uma necessidade de fortalecer a indústria", disse ao Portal Estadão o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Flávio Roscoe.

"Na hora que concentra muita coisa no Ministério, que já é grande, a indústria acaba virando um apêndice", disse ele, ressaltando que não é uma insatisfação especificamente com Guedes, mas ponderou que no seu ministério há uma visão financista de um conjunto de economistas liberais que "às vezes não fazem uma relação de custo e benefício de toda a sociedade".

Para o empresário, o Brasil não pode estabelecer uma política industrial sem ter um ministério da indústria e do comércio exterior.

O presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais disse que vê com preocupação as últimas medidas tomadas pelo governo federal, como a redução de alíquotas de importação, o que favorece a competição de produtos estrangeiros, o que, na opinião de alguns empresários, pode prejudical a indústria nacional.

Centrão

Em evento da Fiemg em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, com a presença de boa parte da bancada mineira, Jair Bolsonaro se comprometeu a recriar a pasta ainda este ano.

Por trás dessa pressão, há também a cobiça das lideranças do Centrão em abocanhar o comando de mais ministérios e as eleições deste ano.

Como mostrou o Portal Estadão, a formalização da aliança de Lula com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD), que vai concorrer ao governo do Estado, acendeu o sinal amarelo no Palácio do Planalto, que avalia adotar algumas iniciativas para buscar ampliar seus apoios no enfrentamento com o petista. Os números das recentes pesquisas também preocuparam o Planalto, embora publicamente o próprio presidente conteste a credibilidade de alguns institutos.

Desde o início do governo, Paulo Guedes foi alvo de fogo amigo de aliados do presidente de olho em nacos do seu superministério, que chegou a ter cinco áreas: Fazenda, Planejamento, Indústria e Comércio Exterior, Previdência e Trabalho. As duas últimas já foram desmembradas.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressista-AL), é um dos patrocinadores da mudança. Presente também no evento organizado pelo Fiemg, Lira disse que com a promessa o presidente marcou um gesto firme. "Só precisamos de mais quatro anos", disse o presidente da Câmara.

///Bate-papo
Marcos Mendes, professor do Insper

Qual o principal fator por trás da baixa qualidade das políticas públicas?
Temos um sistema político-eleitoral que gera uma representação muito fragmentada. Temos não apenas 20 e tantos partidos no Congresso como, dentro dos partidos, temos interesses pulverizados. Muitas vezes os parlamentares respondem mais ao interesse de grupos específicos do que ao interesse de uma programação político-partidária. Então, no Congresso, acabam sendo defendidos não os interesses da coletividade, mas os interesses daquele grupo que o parlamentar defende. E aí não estão preocupados se aqueles interesses vão gerar custos muito altos.

O jogo de interesses não faz parte dos sistemas democráticos?
Interesses existem em todas as sociedades, mas é preciso ter instituições políticas e eleitorais que filtrem esses interesses.

Há alguma outra particularidade no jogo de interesses no sistema político brasileiro?
A desigualdade. Quando temos uma sociedade muito desigual, o que o pobre quer é muito diferente do que o rico quer, e do que a classe média quer. Pobre quer assistência social, ajuda, emprego O rico quer subsídios para suas empresas. A classe média quer emprego público bem remunerado, universidade pública gratuita. Quando a sociedade é mais homogênea, todo mundo quer mais ou menos a mesma coisa.

Há soluções de curto prazo?
Temos várias pequenas políticas públicas que, se forem feitas com razoável eficiência, vão melhorando as coisas. Por exemplo, o governo acabou de multiplicar quase por três o Bolsa Família criando o Auxilio Brasil. Só que triplicamos com um desenho ruim.

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