Bolsonaro envia Exército à Amazônia

Publicação: 2019-08-24 00:00:00 | Comentários: 0
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Pressionado por lideranças de países europeus, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta sexta-feira, 23, medidas para combater as queimadas na região amazônica com a ajuda das Forças Armadas, falou em tolerância zero, mas manteve a retórica de que as críticas são ataques à soberania nacional. Em pronunciamento na TV, o presidente disse que os incêndios florestais não podem ser pretexto para sanções internacionais.

Na noite desta sexta-feira, 23, Jair Bolsonaro fez pronunciamento à nação e se posicionou sobre incêndios na floresta amazônica e criticou ameaças internacionais
Na noite desta sexta-feira, 23, Jair Bolsonaro fez pronunciamento à nação e se posicionou sobre incêndios na floresta amazônica e criticou ameaças internacionais

A declaração foi uma resposta a ameaças de França e Irlanda de bloquear o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Os países devem discutir a crise ambiental brasileira em reunião do G-7 que acontece no balneário francês de Biarritz a partir deste sábado, 24.

No segundo dia de reuniões com a força-tarefa que o governo montou para contornar a crise ambiental, Bolsonaro autorizou que militares atuem no combate ao fogo e contra o desmatamento ilegal, a pedido dos governadores. A operação se dará por meio de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), usada em situações excepcionais, como na crise de segurança do Rio de Janeiro. A primeira ação ocorreu nesta sexta-feira, com o envio de duas aeronaves modelo C-130 Hércules, da Força Aérea Brasileira, a Porto Velho, em Rondônia. Eles serão usados para despejar produtos que ajudem a apagar o fogo.

O Ministério da Defesa aguarda a liberação de R$ 20 milhões que estavam contingenciados no Orçamento deste ano para ampliar a ajuda. No pronunciamento que fez em rede nacional de rádio e na TV, Bolsonaro justificou a medida com a necessidade de se reforçar a fiscalização na região. “Este é um governo de tolerância zero com criminalidade. E nesta área não será diferente", disse o presidente.

Apesar das medidas, o governo reforçou nesta sexta-feira o discurso de que os focos de incêndio na Amazônia estão dentro da normalidade. Bolsonaro e o presidente francês, Emmanuel Macron, trocaram acusações novamente. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), disse que Macron “se fardou" de colonialista e há grande articulação de partidos de esquerda para desestabilizar o País, que envolveria partidos da América Latina, ONGs e países europeus.

Bolsonaro, no entanto, ganhou aliados. Ele e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone. Trump “se colocou à disposição para nos ajudar na proteção da Amazônia e no combate às queimadas, se assim desejarmos, bem como para trabalharmos juntos", escreveu o brasileiro nas redes sociais. Bolsonaro ainda conversou com o premiê da Espanha, Pedro Sánchez, e com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe.

Governadores
Até agora, apenas Roraima e Rondônia formalizaram o pedido de GLO ao Palácio do Planalto. Uma reunião com os governadores dos nove Estados que formam a Amazônia Legal está agendada para terça-feira, 27. Bolsonaro avalia visitar a região nos próximos dias.

Segundo governadores da região, o Planalto não informou quantos militares devem ir à Amazônia. O ministro Jorge Oliveira disse que o número será determinado pela Defesa após levantamento in loco. Segundo ele, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, colocou a Força Nacional à disposição.

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), disse ao jornal O Estado de S Paulo que as queimadas estão “atípicas" neste ano. Para ele, os incêndios têm relação direta com a exploração ilegal da terra e com “sentimento" de que está “permitido desmatar a floresta". “A culpa é da ignorância de quem acha que desmatar é o caminho para o desenvolvimento", afirmou.

O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), que já decretou estado de emergência, considera que todos os governadores devem aderir à GLO. “Vou ser muito sincero: É uma situação que os demais Estados têm de estar presentes, a não ser que queiram politizar, ir pelas ideologias deles. Não vou entrar nesse ringue de politizar a situação. Defendo a preservação e o agronegócio sustentável. O que eu preciso é gerar emprego", afirmou..





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