Bolsonaro evita caso Moro, ala militar apoia e CNMP investiga

Publicação: 2019-06-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Amanda Pupo
Agência Estado

Brasília (AE) - O presidente Jair Bolsonaro não fez nenhuma manifestação pública sobre as supostas mensagens trocadas entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e procuradores da Lava Jato, na qual discutem detalhes da operação. A intenção do presidente é de, antes de se manifestar publicamente sobre as conversas, divulgadas no domingo, 9, pelo site The Intercept Brasil, ouvir o seu ministro pessoalmente, o que deve ocorrer nesta terça-feira, 11.

"Ele (Bolsonaro) fez contato com o ministro Sergio Moro e a partir de amanhã (terça) colocar-se-a à disposição para compartir com o próprio ministro os fatos referentes a esse vazamento", disse nesta segunda o porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros. Moro cumpriu compromissos em Manaus, onde afirmou que as conversas divulgadas não trazem "nada de mais". Ele só retornaria a Brasília na noite desta segunda.

A suposta troca de mensagens mostrariam que Moro teria orientado investigações da Lava Jato por meio de mensagens trocadas no aplicativo Telegram. O site afirmou que recebeu as mensagens de fonte anônima e o jornal O Estado de S. Paulo não teve acesso à íntegra do material. O The Intercept tem entre seus fundadores Glenn Greenwald, americano radicado no Brasil que é um dos autores da reportagem.

O ex-juiz da Lava Jato deixou a magistratura em novembro do ano passado, logo após aceitar convite para assumir o Ministério da Justiça. Ao lado de Paulo Guedes, da Economia, é considerado um dos "superministros" de Bolsonaro. Nesta segunda, coube à ala militar do governo sair em defesa do ex-magistrado. Em texto enviado aos seus contatos por um aplicativo de mensagens, o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), disse que "querem macular a imagem do dr. Sérgio Moro, cujas integridade e devoção à Pátria estão acima de qualquer suspeita". Para ele, "o desespero dos que dominaram o cenário econômico e político do Brasil, nas últimas décadas, levou seus integrantes a usar meios ilícitos para tentar provar que a Justiça os puniu injustamente".

"Vão ser desmascarados, mais uma vez. Os diálogos e acusações divulgadas ratificam o trabalho honesto e imparcial dos que têm a lei a seu lado. O julgamento popular dará aos detratores a resposta que merecem. Brasil acima de tudo!!!", escreveu. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, reafirmou que Moro tem "total confiança" do governo. "Ele é um ministro, um homem de muito respeito e do bem", disse Azevedo e Silva após cerimônia alusiva aos 20 anos de criação da pasta. Bolsonaro, que discursou no evento, não citou o episódio e deixou o local sem falar com a imprensa.

O vice-presidente Hamilton Mourão foi na mesma linha e disse que Moro é alguém da "mais ilibada confiança" do presidente. "Conversa privada é conversa privada, descontextualizada ela traz qualquer número de ilações. Ministro Moro é um cara da mais ilibada confiança do presidente, é uma pessoa que dentro do País tem um respeito enorme por parte da população, visto as pesquisas de opinião sobre a popularidade dele", disse Mourão quando questionado sobre o assunto.

Se no governo o tom foi de defesa em relação a Moro, no Congresso a oposição anunciou que pretende usar o episódio para desgastar a imagem do ex-juiz da Lava Jato. Parlamentares pretendem pedir a sua convocação e passaram a reunir apoio para abrir uma CPI para investigar as suspeitas de irregularidades na operação, que levou à prisão diversos políticos.

Segundo interlocutores, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), foram cautelosos na avaliação dos desdobramentos do caso.




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