Bolsonaro fala em pressão para demitir Paulo Guedes

Publicação: 2019-12-03 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Tiago Aguiar e Paulo Roberto Netto
Agência Estado

São Paulo (AE) - O presidente Jair Bolsonaro disse ontem que foi pressionado a demitir o ministro da Economia, Paulo Guedes, após o comentário que ele fez na semana passada, no qual sugere a possibilidade de decretação de um novo AI-5 para combater eventuais protestos de rua contra o governo. "Quem pede a cabeça do Paulo Guedes quer desestabilizar a economia", disse o presidente, em entrevista ao Jornal da Record.

Presidente Jair Bolsonaro declarou que a proposta de reforma administrativa está no forno
Presidente Jair Bolsonaro afirma que o ministro Paulo Guedes exerceu a liberdade de expressão

Foi a primeira vez que Bolsonaro comentou a fala de Guedes sobre o AI-5. Na semana passada, quando questionado sobre o assunto, Bolsonaro disse que preferia falar sobre "A-38" - em referência ao número do partido que pretende criar.

Na entrevista, Bolsonaro negou intenção de propor medida que resulte na diminuição de direitos. Ainda assim, disse não ver "nada de mais" na citação ao AI-5 - o Ato Inconstitucional n.º 5, baixado no momento mais duro da ditadura, que resultou no fechamento do Congresso e supressão de direitos civis e políticos. No final de outubro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, sugeriu o uso do AI-5 em caso de "radicalização da esquerda".

"Não vejo nada demais no fato de citar o AI-5, que existia na Constituição passada. O Paulo Guedes e o Eduardo citaram num contexto, não diante de movimentos sociais reivindicatórios, mas (na possibilidade) de descambar para algo parecido com terrorismo, como vem acontecendo no Chile. Podiam ter usado outra expressão. Não vejo porque tanta pressão em cima dos dois", afirmou.

Busca
A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Três Corações e Alfenas, no sul de Minas, para apurar supostas ameaças contra Bolsonaro. As ordens foram expedidas pela Justiça Federal sob argumento de suspeita de crime contra a segurança nacional.

A investigação teve início na sexta-feira, após um homem ser detido por ter publicado nas redes sociais fotos e vídeos de suposto plano de atentado contra Bolsonaro. O presidente esteve na cidade no mesmo dia para participar da diplomação do Curso de Formação de Sargentos. O suspeito era funcionário terceirizado da Escola de Sargentos das Armas. A investigação tramita em segredo de Justiça.

continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários