Bolsonaro não especifica reformas

Publicação: 2019-01-23 00:00:00 | Comentários: 0
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O primeiro discurso do presidente da República, Jair Bolsonaro, em um evento internacional, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, além de ter sido menor que o de outros presidentes brasileiros que participaram do evento, não abordou o tema reforma da Previdência de forma específica. Bolsonaro cita apenas que seu governa goza “de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós".

Jair Bolsonaro abriu os discursos no palco principal do Fórum Econômico Mundial, em Davos; fala dividiu opiniões de participantes
Jair Bolsonaro abriu os discursos no palco principal do Fórum Econômico Mundial, em Davos; fala dividiu opiniões de participantes

Em pouco mais de seis minutos, o presidente da República, ao tratar de economia, falou em estimular o empreendedorismo.

“Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas, facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos. Trabalharemos pela estabilidade macroeconômica, respeitando os contratos, privatizando e equilibrando as contas públicas", citou Bolsonaro, antes de afirmar que, até o final do seu mandato, a equipe econômica, “liderada pelo ministro Paulo Guedes, nos colocará no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios".

Jair Bolsonaro defendeu uma maior abertura comercial do Brasil e a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) em seu breve discurso. “Buscaremos integrar o Brasil ao mundo também por meio de uma defesa ativa da reforma da OMC, com a finalidade de eliminar práticas desleais de comércio e garantir segurança jurídica das trocas comerciais internacionais", afirmou.

O presidente brasileiro não mencionou explicitamente nomes de reformas no discurso, mas ressaltou que pretende diminuir a carga tributária, simplificar as normas com o objetivo de “facilitar a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos" no Brasil.

Ainda aos investidores e políticos presentes em Davos, Bolsonaro garantiu que vai trabalhar pela estabilidade macroeconômica do Brasil e prometeu respeitar os contratos, privatizar e equilibrar as contas públicas.

No comércio internacional, Bolsonaro destacou que o Brasil é uma economia relativamente fechada e que seu governo tem como compromisso “mudar essa condição". “Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir", disse ele. “Para isso, buscaremos integrar o Brasil ao mundo, por meio da incorporação das melhores práticas internacionais, como aquelas que são adotadas e promovidas pela OCDE", completou.

Parlamento
O presidente Jair Bolsonaro afirmou também que espera ter dos membros do parlamento o apoio ao combate à corrupção e à lavagem de dinheiro. Ao ressaltar mais uma vez que a equipe de ministros foi indicada de forma técnica, Bolsonaro disse que o governo dele depende do parlamento. “Precisamos, sim, do Parlamento brasileiro e confiamos que eles darão respaldo no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro", disse o presidente.

Ao final do discurso, Bolsonaro prometeu que vai defender a família e os “verdadeiros" direitos humanos, além de proteger o direito à vida e à propriedade privada e “promover uma educação que prepare a juventude para os desafios da quarta revolução industrial". “Vamos resgatar nossos valores e abrir nossa economia."

Discurso de Bolsonaro foi o menor entre brasileiros
A participação de Bolsonaro foi muito menor do que os feitos por outros presidentes brasileiros que participaram de Davos. Se for incluída a breve sessão de perguntas e respostas, durou cerca de 15 minutos.  Em 2014, a então presidente Dilma Rousseff falou por pouco mais de 32 minutos. Alguns anos depois, o presidente Michel Temer falou por 30 minutos, incluindo perguntas.  O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez três discursos na plenária de Davos. Em 2003, ele falou por 28 minutos, também com perguntas. Em 2005, foram mais 27 minutos, também com questões. Em 2007, sua participação chegou a 38 minutos.

Dólar volta a subir em dia agitado
O dólar engatou a sexta alta consecutiva e fechou nesta terça-feira, 22, no maior nível desde 28 de dezembro (R$ 3,8755). O câmbio foi influenciado principalmente pelo mercado externo, que teve um dia de aversão ao risco em meio a preocupações com a desaceleração da economia mundial.     O dólar à vista fechou em alta de 1,19%, a R$ 3,8054. O dólar para fevereiro fechou em alta de 1,70%, a R$ 3,8195, na máxima do dia.

O discurso de Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial foi monitorado de perto pelo mercado, mas teve influência limitada nos preços dos ativos, pois as mesas de câmbio esperam que eventuais novidades sobre a agenda de reformas venha de declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes. Em conversa com investidores, ele assegurou que o governo vai conseguir aprovar a reforma da Previdência.

O Ibovespa, principal índice de desempenho das ações negociadas na B3, antiga BM&F Bovespa, encerrou o dia financeiro aos 95.103 pontos, em queda de 0,94% em relação ao fechamento da segunda-feira, 21. O recorde do índice é 96.096 pontos e foi atingido na última sexta-feira, 18.





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