Brasil – uma economia sempre do déjà vu

Publicação: 2020-02-19 00:00:00
A+ A-
Elviro Rebouças
Economista e empresário

Os brasileiros já estão fadigados da vivência na expectativa econômica, sempre decrescente com o passar do tempo. Já fomos, entre 2000 e  2010, a sexta maior economia do planeta, abaixo, apenas dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha- estes dois destruídos em 1945, com a segunda guerra mundial-  e quase empatados com a França. O nosso mago da ciência econômica , o mato-grossense Roberto Campos, pilar mestra na área no governo do Presidente Castelo Branco, quando criou o Banco Central, o FGTS, o Estatuto da Terra – tinha sido o idealizador do BNDES no Governo de Juscelino, no seu livro de memórias cunhou "Estive certo quando tive todos contra mim". Ele, falecido em 09.10.2001, preconizava  que  em vinte anos   o Brasil seria a quarta maior economia do mundo. O mestre não mensurou a degradação política que, amargamente, nos aguardava.

A mediana das estimativas para o avanço do nosso PIB em 2020 chegou até 3%. Quarenta e oito dias passados deste ano já descamba 2,2%, indicando frustrações semelhantes observadas em anos anteriores. Depois da grande crise mundial de 2008, a partir dos Estados Unidos e que revirou os cinco continentes, tivemos a definição do impeachment da Presidente Dilma em 31.08.2016, a tortuosa caminhada de seu substituto, Michel Temer, cujo ápice se deu no “Joesley Day”, em 17.05.2017. Já, em 2018, paralisando  todo o País por mais de dez dias, a greve dos caminhoneiros, iniciada em 21 de maio. Em 2019, pós posse do Presidente eleito Jair Bolsonaro, herdeiro do largo crescimento do desemprego na área produtiva nacional, as mudanças de rumo do governo, algumas alarmando os investidores internacionais, mas todas tomadas em favor do controle da inflação – já reduzida no período de Temer,  houve o aprofundamento da recessão na Argentina, para quem tanto exportamos. Agora, se não bastassem tantas incertezas, há a ameaça do coronavírus, na China, nosso principal parceiro econômico, com um monumental PIB (em 2019) de US$.13 trilhões, e uma incomparável população de  1 bilhão e 400 milhões de habitantes  A moléstia já  vitimou mais de dois mil comandados do presidente Xi Jinping, com imensurável paralisação em todo o mundo.

Depois de anos com um Produto Interno Bruto no vermelho – em 2016 uma queda de 3,3%, o Brasil ,  apesar de sua  reconhecida pujança de  minério de ferro, carnes bovina, suína e avícola, café, soja e outros grãos – somos em todos estes commodities  o  maior produtor mundial,- agora  auto suficiente em petróleo, grande  exportador de frutas, sal e  celulose , cresceu, repetidamente, em 2017 e 2018, apenas  1,3%, bem abaixo do era previsto. O dado de 2019 será divulgado pelo IBGE, em 03 de março próximo, mas os analistas com bom  calibre no assunto não vislumbram nada além de 1%. É a mais lenta retomada da história brasileira. Para 2020, há uma confluência, por enquanto em linha com o COPOM, em torno de 2,2%. As expectativas para 2020 e o potencial do ano que passou foram tracionadas após a liberação de cerca de R$.45 bilhões em recursos das contas do FGTS injetados na nossa economia.

No Rio Grande do Norte, particularmente, tivemos a debandada da Petrobras, que nos deu as costas, embora o Estado seja o maior produtor onshore. Já produzimos 160 mil barris dia, hoje, pelo deliberado  desinvestimento da estatal, alargando o desemprego para uma mão de obra valorosa e com especialização de primeiro mundo, não chegamos a 60 mil. Para ela a cereja no grande bolo  do petróleo está no pré sal, entre o Espírito Santo e São Paulo. Só o  Rio de Janeiro, em 2019, recebeu dela generosos R$.52 bilhões entre royalties e a título de participação especial , a fonte é insuspeita:  Agência Nacional de Petróleo-ANP. O nosso elefante amealhou menos de 5% do Estado Maravilhoso.Professor Delfim Neto, hoje  com 92 anos de idade,  ex-Ministro da Fazenda e da Agricultura, patrocinador do “milagre brasileiro” que ainda estamos a esperar,  já nos disse que “A grande vantagem do passado é que ele já foi futuro”. Portanto, déjà vu – eu já vi!






Deixe seu comentário!

Comentários