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Política
Brasil barra viajantes do sul da África
Publicado: 00:00:00 - 27/11/2021 Atualizado: 23:47:13 - 27/11/2021
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu ontem uma nova cepa do coronavírus identificada na África do Sul como uma variante de preocupação (VOC, na sigla em inglês). Ela foi batizada como Ômicron e já fez vários países restringirem fronteiras, sobretudo os europeus, que vivem um novo pico da pandemia. O Brasil também já decidiu barrar passageiros vindos de seis países do sul da África, a partir da próxima segunda-feira.

Essa restrição de entrada vai valer para viajantes de África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue. Mais cedo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia recomendado ao governo brasileiro a restrição de voos desses países. Já o Ministério da Saúde emitiu uma "comunicação de risco" sobre a nova variante do coronavírus identificada como B 1.1.529 na África do Sul. No alerta, a pasta afirma que a vacinação "provavelmente" contribuirá na resposta à doença, destaca que medidas como o uso de máscara, o distanciamento social e o isolamento de casos suspeitos são "essenciais" e aponta que, até agora, nenhum caso dessa variante foi identificado no Brasil.

A líder técnica da OMS para temas da covid-19, Maria van Kerkhove, solicitou que sejam ampliados a vigilância epidemiológica e os sequenciamentos genéticos. "A variante foi detectada em um ritmo mais rápido do que em casos anteriores quanto ao número de infecções, o que pode indicar que haja uma vantagem quanto à propagação."

O cientista Tulio de Oliveira, diretor do Centro para Resposta a Epidemias e Inovação da África do Sul (Ceri), disse que a melhor maneira de controlar a cepa é com medidas de saúde (como distanciamento social e uso de máscaras), e o lockdown é o último recurso para quando já não se tem essas medidas.

Segundo ele, a nova variante se espalha principalmente entre os mais jovens, que são os mais sociáveis. "Têm sido dias muito ocupados no front científico e estamos fazendo nosso trabalho com a maior velocidade e escrutínio de dados para tornar essa informação pública para os tomadores de decisão", disse o pesquisador.

Ministério da Saúde emite alerta e recomenda máscara
O Ministério da Saúde emitiu ontem uma "comunicação de risco" sobre a nova variante do coronavírus identificada como B.1.1.529 na África do Sul. No alerta, a pasta afirma que a vacinação "provavelmente" contribuirá na resposta à doença, destaca que medidas como o uso de máscara, o distanciamento social e o isolamento de casos suspeitos são "essenciais" e aponta que, até agora, nenhum caso dessa variante foi identificado no Brasil.

A "comunicação de risco" é um documento produzido pelo Ministério da Saúde para "apoiar na divulgação rápida e eficaz" de dados que ajudem na "tomada de medidas de proteção e controle em situações de emergência em saúde pública". "Estar vigilante é fundamental", aponta o documento de 12 páginas.

O Ministério da Saúde fez reuniões multidisciplinares, com servidores de diferentes secretarias, como a de Vigilância em Saúde (SVS) e a Extraordinária de Enfrentamento à Covid (Secovid) para tratar da nova variante. A previsão é de que as equipes continuem discutindo a extensão do que está ocorrendo na África do Sul e os impactos em outros países, incluindo o Brasil, durante o fim de semana.  

A avaliação da Saúde, no comunicado, é de que "a vacinação irá provavelmente contribuir para a resposta" e "as medidas não farmacológicas continuam sendo essenciais até que as vacinas estejam disponíveis em número suficiente e demonstrem ter um efeito atenuante".

O número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose contra a covid-19 no Brasil até esta quinta-feira, 25, chegou a 158.447.349, o equivalente a 74,28% da população. Um total de 52 mil pessoas receberam a primeira aplicação da vacina, de acordo com dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa junto a secretarias de 26 Estados e Distrito Federal.

Entre os mais de 158 milhões de vacinados, 131,64 milhões estão com a imunização completa contra o coronavírus, o que representa 61,72% da população total. Em 24 horas, 1,27 milhão de pessoas receberam a segunda dose e outras 23,1 mil receberam um imunizante de aplicação única.

As diretrizes de prevenção e controle para a B.1.1.529 continuam as mesmas já apontadas pela própria Saúde, segundo o documento. Os procedimentos devem ser seguidos "de forma integrada, a fim de controlar a transmissão da covid-19 e suas variantes, permitindo também a retomada gradual das atividades desenvolvidas pelos vários setores e o retorno seguro do convívio social".

OMS recomenda cautela na criação das barreiras 
Segundo informe do Ministério da Saúde brasileiro, com base em dados da pasta sul-africana, "existem 66 casos isolados e registrados - 58 em Gauteng; seis em Botswana; dois em Hong Kong (na Ásia)" de infecção com a nova cepa B1.1.529 do coronavírus, batizada “Ômicron” pela Organização Mundial da Saúde. A OMS, porém, recomendou cautela na criação de novas barreiras. 

Os governos da Bélgica e de Israel também anunciaram ontem a confirmação dos primeiros casos da nova variante dentro das suas fronteiras.

A decisão da Organização Mundial de Saúde de reconhecer a nova cepa do coronavírus como uma variante de preocupação (VOC, na sigla em inglês) ocorre um dia depois de o governo da África do Sul confirmar publicamente a circulação da variante, caracterizada por uma "constelação incomum de mutações". 
O comunicado fez com que ao menos outros nove países, além do Brasil, decidissem adotar restrições a viajantes, incluindo Reino Unido, Alemanha e França. Outras nações, como Cingapura, Japão e Índia, também anunciaram que vão adotar medidas. 

A OMS, porém, recomendou cautela na criação de novas barreiras. O ministro da Saúde da África do Sul, Mathume Joseph Phaahla, disse que as restrições de voos são "injustificadas". 

Reino Unido aposta em doses de reforço 
O governo britânico aposta em uma campanha agressiva de doses de reforço das vacinas contra a covid-19 em pessoas mais velhas e vulneráveis para manter as taxas de hospitalização e mortes relativamente estáveis, sem impor novas medidas de isolamento, como tem acontecido em outros países europeus.

O Reino Unido tem registrado uma média de 43,5 mil casos diários, contra 54 mil na Alemanha, por exemplo. A contagem de óbitos também aumentou desde o final de julho, quando todas as restrições contra a covid foram abolidas, incluindo o uso obrigatório de máscaras. No entanto, a média diária é hoje de 132 óbitos, inferior à da Alemanha, onde está em 212.

As diferentes estratégias entre os países europeus criaram um intenso debate político sobre a melhor maneira de combater a última onda da pandemia. A Áustria, por exemplo, decidiu voltar à quarentena total e tornou a vacinação obrigatória, enquanto a Itália, a Alemanha e outros países estão endurecendo as medidas contra os não vacinados.

O Reino Unido é o garoto-propaganda da estratégia oposta. O primeiro-ministro Boris Johnson alertou para uma "nevasca vinda do leste", referindo-se à quarta onda da covid no resto da Europa, mas indicou que não há planos para mudar as regras sobre máscaras ou adotar passaportes de vacinas.

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