Brasil chega a dez milhões de infectados pelo coronavírus

Publicação: 2021-02-19 00:00:00
Às vésperas de completar um ano do primeiro caso de covid-19, o Brasil atingiu ontem a marca de 10 milhões de infectados pelo vírus. O número está agora em 10.028.644 casos. A velocidade de propagação da doença seguiu a linha do crescimento anunciada pelos pesquisadores. Foram oito meses para atingir 5 milhões de casos e quase metade desse tempo para que o número dobrasse.  Mesmo com a esperança da vacina, especialistas ouvidos pelo Portal Estadão avaliam que o País ainda vai enfrentar desafios para antes da desaceleração de casos. O Brasil é o terceiro país do mundo a atingir a marca, atrás dos Estados Unidos e da Índia. 

Créditos: CARLOS AUGUSTO/AM PRESS & IMAGES/ESTADÃO CONTEÚDONúmero de pessoas que foram vacinadas contra a covid-19 no Brasil chegou a 5,6 milhõesNúmero de pessoas que foram vacinadas contra a covid-19 no Brasil chegou a 5,6 milhões

O primeiro milhão de infectados no Brasil foi alcançado em junho do ano passado, quando cientistas de várias partes do mundo se debruçavam em estudos para chegar a um imunizante que freasse o avanço do vírus. As informações sobre a importância do uso de máscaras, distanciamento social e medidas de higiene, como lavar as mãos ou usar álcool em gel, já tinham sido amplamente divulgadas, mas o País entrou em uma escalada de casos, que se refletiram em um número alto de mortes.

"Seria tudo diferente. Mas a gente vem, desde o começo, seguindo uma série de desobediências a medidas de restrição e isso acaba nos levando para o que estamos vivendo hoje. ", avalia Benilton de Sá Carvalho, professor do Departamento de Estatística e coordenador da frente de epidemiologia da força-tarefa Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) contra a covid-19.

Carvalho diz que tentar estimar como a propagação da doença vai caminhar no Brasil não é tarefa impossível, mas desafiadora, tendo em vista a quantidade de variáveis que precisariam ser levadas em consideração. "Estamos falando daquela fase de crescimento exponencial. O que acaba acontecendo com esse comportamento numérico é que, se hoje teve um caso, amanhã tem dois, depois, quatro. Nessa velocidade, chega a um ponto que acelera demais", afirma.

"No nosso caso, é mais complicado (estimar) pela dificuldade de acesso à informação, seja de vigilância, como os dias de sintomas, seja pelas informações de testagem e vacinação, todas as variáveis são importantes para mensurar" diz Sá Carvalho.  "A briga pelo auxílio emergencial é outra questão. A ausência vai fazer com que as pessoas circulem mais, trazendo novas variantes."

No Brasil, já há registro de circulação da variante britânica e, no Amazonas, também surgiu outra variante, a P1, que já foi detectada em outros Estados, como Rio, Ceará e Santa Catarina.