Brasil desbanca o Reino Unido

Publicação: 2011-12-27 00:00:00
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Andrei Netto - Agência Estado

Paris - A crise do sistema financeiro internacional de 2008, somada aos períodos de recessão ou de baixo crescimento no Reino Unido e de expansão no Brasil nos últimos quatro anos, precipitou a chegada do Brasil ao posto de sexta maior potência econômica, superando os britânicos. O dado, ainda não oficial, foi revelado pelo jornal The Guardian e se baseia em análises e projeções de especialistas do Centro para Pesquisa Econômica e Negócios (CEBR), de Londres. A mudança é a segunda mais importante do ano: no primeiro semestre, a China já havia passado o Japão.

O ranking elaborado pelo CEBR coloca, pela ordem, Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França nas cinco primeiras posições. Aí surge a mudança: enfraquecido por um ritmo de crescimento baixo, avaliado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 0,9% em 2011, o Reino Unido não consegue mais competir com o Brasil, mesmo que o PIB do País registre ampliação modesta, de 3% neste ano, bem inferior à projeção inicial.

Segundo o CEBR, o PIB do Brasil deve fechar o ano em 1,61 trilhão de libras (US$ 2,51 trilhões, em números de hoje), enquanto o do Reino Unido não superará 1,58 trilhão de libras (US$ 2,48 trilhões). A ultrapassagem deve se consolidar nos próximos anos, já que as projeções indicam crescimento de 0,5% em 2012 e de 1,8% em 2013 para os britânicos - sempre inferior ao ritmo brasileiro.

Os dados do CEBR confirmam as análises ao longo do ano de dois outros institutos, o Economist Intelligence Unit (EIU) e o Business Monitor International (BMI), além do Fundo Monetário Internacional (FMI). Todos apontam a tendência: o Brasil - assim como Rússia e Índia - ultrapassará os quatro maiores mercados europeus - Alemanha, França, Reino Unido e Itália - nesta década. Ao superar os britânicos, a economia brasileira está no meio do caminho, à frente também da Itália, superada em 2010, e já colada na da França.

De acordo com o diretor executivo do CEBR, Douglas McWilliams, as causas do declínio são evidentes: a crise da Europa, somada ao alto endividamento no bloco e à necessidade premente de reduzir déficits e dívidas, leva a políticas de austeridade que desaceleram o crescimento e precipitam a ascensão dos grandes emergentes. “O Brasil tem batido os países europeus no futebol há muito tempo, mas ultrapassá-los no campo da economia é um fenômeno novo”, disse McWilliams ao Guardian.

Para o economista, a produção de matérias-primas beneficia Brasil, Rússia e Índia, como também a China. O resultado é que, até 2020, o ranking de maiores economias será completamente alterado em relação ao início do século: os Brics ocuparão a segunda, a quarta, a quinta e a sexta posições, respectivamente com China, Rússia, Índia e Brasil, dividindo espaço com Estados Unidos, a primeira potência, e Japão, a terceira.

Na Europa, que enfrenta a mais grave crise desde 1929, a notícia foi recebida com misto de admiração pelas conquistas do Brasil e de amargura pela má fase da União Europeia. Em Paris, Le Monde dedicou reportagem ao “aumento da potência do Brasil”. Em Londres, o Financial Times foi realista: “Na realidade, ainda há muito trabalho para ser feito. Todos os Brics ainda estão muito atrás em PIB per capita”, disse o periódico, lembrando as posições dos quatro países no ranking do Banco Mundial - todos a partir do 50º lugar.

Como de praxe entre britânicos, além da admiração pelo Brasil a notícia foi recebida com uma pitada de rivalidade. Para o Daily Mail, mais importante que a classificação é a disputa local. Em sua manchete, o jornal ignorou o Brasil e afirmou: “Economia britânica deve superar a da França em cinco anos”.

Mantega está convicto de que há muito a fazer

Brasília (AE) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o Brasil vai consolidar a posição de sexta maior economia do mundo porque continuará crescendo mais do que outros países em razão de a crise internacional afetar mais as economias do primeiro mundo. Ao comentar o estudo do Centro de Pesquisa para Economia e Negócios (CEBR, em inglês), que aponta o Brasil como a sexta maior economia do mundo superando o Reino Unido, o ministro ponderou, no entanto, que o Brasil poderá demorar de 10 a 20 anos para fazer com que o cidadão brasileiro tenha um padrão de vida semelhante ao europeu.

Mantega disse que o País ainda precisa investir mais nas áreas social e econômica. “Isso significa que nós vamos ter de continuar crescendo mais do que esses países, aumentar o emprego e a renda da população. Nós temos um grande desafio pela frente”, disse Mantega. “Mas a boa notícia é que nós estamos nessa direção e caminhando a passos largos para que o Brasil, num futuro próximo, seja um país melhor”, afirmou, em nota à imprensa.

Mantega disse que essa posição vai ser consolidada e a tendência é de que o Brasil se mantenha entre as maiores economias do mundo nos próximos anos. Ao citar as boas relações comerciais do Brasil com outros países, especialmente com os asiáticos, Mantega destacou que, atualmente, o Brasil é “respeitado e cobiçado, tanto que os investimentos estrangeiros diretos no País devem somar US$ 65 bilhões este ano”.