Cookie Consent
Economia
Brasil entra em recessão técnica
Publicado: 00:00:00 - 03/12/2021 Atualizado: 22:24:04 - 02/12/2021
A economia brasileira seguiu estagnada na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Mesmo com a normalização de algumas atividades, a inflação pressionada e o mercado de trabalho ainda difícil impediram um impulso mais forte da demanda, enquanto a estiagem derrubou o desempenho da agropecuária e desequilíbrios provocados pela pandemia ainda atrapalham a indústria.

AGÊNCIA BRASIL
A indústria da transformação recuou 1,0%, principalmente com queda na produção devido às dificuldades de insumos e matéria-prima

A indústria da transformação recuou 1,0%, principalmente com queda na produção devido às dificuldades de insumos e matéria-prima


O resultado foi uma ligeira queda de 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB, o valor de todos os produtos e serviços produzidos na economia em determinado período) no terceiro trimestre ante o segundo, informou nesta quinta-feira (2), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Após nove meses de avanços, do terceiro trimestre de 2020 ao primeiro deste ano, a economia parou a partir de abril. No segundo trimestre, o PIB caiu 0,4% ante os três primeiros meses do ano, conforme revisão anunciada também nesta quinta, pelo IBGE. Com isso, a economia brasileira entrou em “recessão técnica”, como economistas de mercado chamam a situação em que ocorrem dois trimestres seguidos de retração no PIB. Em relação a igual período do ano anterior, o PIB cresceu 4,0% no terceiro trimestre de 2021. O PIB também acumula alta no período de 12 meses (3,9%).

No terceiro trimestre, a economia foi puxada - pelo lado do que é produzido - pelo setor de serviços, com avanço de 1,1% sobre o segundo trimestre. “Há uma normalização das atividades presenciais. Estamos colhendo os frutos da vacinação”, disse Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de Macroeconomia da Tendências Consultoria, lembrando que essa “normalização” das atividades aparece no mercado de trabalho, com a recuperação de postos de trabalho, especialmente nos serviços presenciais.

Como responde por pouco mais de 70% do PIB, o setor de serviços puxa a atividade como um todo, mas, no terceiro trimestre, a indústria e, principalmente, a agropecuária seguraram o impulso, impedindo um crescimento maior.

Sob efeito de quebras de safra provocadas pela estiagem histórica no meio do ano, a agropecuária registrou queda de 8% sobre o segundo trimestre. O resultado foi o pior nessa base de comparação desde o primeiro trimestre de 2012, quando o setor recuou 19,6% sobre os três últimos meses de 2011.

Segundo o IBGE, o mau desempenho da agropecuária foi influenciado por perdas nas lavouras de café, algodão, milho e cana-de-açúcar, mas também no segmento pecuário, especialmente de criação de bovinos.

“Várias lavouras importantes do Brasil estão todas com expectativa de queda no ano”, disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas nacionais do IBGE, lembrando que, o resultado só não foi pior ainda porque a soja, principal cultura do País, passou mais ou menos ilesa pela estiagem. A soja foi plantada antes da seca, colhida e exportada antes do terceiro trimestre deste ano, lembrou a pesquisadora.

PIB industrial
O PIB industrial ficou estagnado, ainda afetado pelos gargalos nas cadeias globais de produção, marcados pelo travamento do transporte marítimo e pela escassez de peças e componentes. A crise hídrica também pesou sobre a indústria, que inclui a atividade de produção e distribuição de eletricidade, gás e água. Essa atividade recuou 1,1% ante o segundo trimestre, sob impacto do encarecimento da geração de energia. Segundo Rebeca Palis, a crise de energia ajudou a puxar o PIB brasileiro pra baixo nos últimos dois trimestres.

Entre as atividades industriais, ainda houve quedas de 1,0% nas Indústrias de transformação e de 0,4% nas Indústrias extrativas. Apenas a Construção (3,9%) apresentou crescimento.

Guedes minimiza retração no PIB
Após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trazer números indicando que o Brasil entrou em recessão técnica, o ministro da Economia, Paulo Guedes, minimizou a retração de 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre e a queda de 0,4% (revisado) no segundo trimestre do ano. Guedes garantiu que o País vai crescer em 2022.

"Dizer que o Brasil não vai crescer é um equívoco. O Brasil vai crescer um pouco menos porque vamos combater a inflação", afirmou o ministro, em palestra no evento de dez anos de concessões aeroportuárias no Brasil. "Hoje saiu o dado de que entramos em recessão técnica, e a Bolsa subiu 3%. Se alguém estivesse levando a sério que o PIB vai cair, a Bolsa não estava subindo" completou.

Ele repetiu que o governo tem R$ 600 bilhões em compromisso de investimentos em infraestrutura para os próximos anos.

"Essa conversa de que o Brasil não vai crescer, é conversa de maluco. O crescimento está contratado. São R$ 600 bilhões de contratos assinados em todos os setores: gás natural, petróleo, saneamento, cabotagem, ferrovias e aeroportos. E vem mais R$ 100 bilhões com o 5G", completou Guedes.

Inflação
Após reconhecer a alta da inflação no Brasil, o ministro da Economia voltou a argumentar que a escalada de preços é um problema global. "O Brasil está condenado a crescer. A pergunta é se vai ter um pouco mais ou um pouco menos de inflação", afirmou. "A inflação brasileira era 4% e chegou a 10%. Nos Estados Unidos era zero e chegou a 6%, subiu como aqui. Vão dizer que foi o (presidente) Bolsonaro que fez a inflação americana subir?", questionou.

Guedes argumentou que houve uma desorganização mundial das cadeias produtivas, enquanto a demanda se manteve com programas sociais de transferência de renda.

"A inflação vai ser dominada, controlada, vai baixar e o Brasil vai voltar a crescer", completou o ministro.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte