Brasil não tem Prêmio Nobel

Publicação: 2019-10-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Alcyr Veras
Economista e professor universitário

Nenhum cientista brasileiro, até hoje, ganhou o Prêmio Nobel.  Isso significa dizer que o Brasil ainda não conseguiu, em nenhuma área do conhecimento humano, notoriedade internacional científica, tecnológica, cultural e literária suficientes para merecer a tão cobiçada e honrosa premiação mundial, a despeito dos reconhecidos valores de seus homens de ciências e das letras.

O criador do Prêmio que leva o seu sobrenome, foi o sueco Alfred Bernhard Nobel, nascido em Estocolmo no dia 21 de outubro de 1833. Dedicando-se, desde muito cedo, aos estudos da Química, concentrou suas pesquisas sobre a técnica dos explosivos. Inventou a dinamite, a gelatina explosiva, a nitroglicerina e outros detonantes.

Vivendo na era pródiga da Primeira Revolução Industrial, Alfred Nobel logo tratou de instalar sua primeira fábrica para expandir a produção, em série, de seus inventos. Com exuberante prosperidade, em 1875, tendo apenas 42 anos de idade, já era dono de indústrias de dinamites em vários países da Europa e nos Estados Unidos, o que lhe permitiu acumular grande fortuna.  Solteiro, sem filhos, e emocionalmente depressivo ao perceber que seus inventos estavam sendo utilizados para exterminar vidas humanas durante as guerras, resolveu usar parte de sua fortuna para ajudar organizações (ONGs) pacifistas. Na esteira de seus fortes sentimentos humanitários, Alfred Nobel determinou que, após sua morte, toda a sua herança fosse destinada a premiar, uma vez por ano, pessoas que se destacassem internacionalmente em Física, Química, Medicina, Literatura, e à Paz mundial.

Assim é que, desde 1902, a Academia de Ciências de Estocolmo, realiza todos os anos a solenidade de outorga do Prêmio Nobel aos eméritos agraciados, com exceção do Nobel da Paz que é entregue em Oslo, na Noruega.

Os campeões do Prêmio Nobel são os Estados Unidos com 369 títulos; seguidos de longe pelo Reino Unido com 129. Em decréscimo sequencial vêm: Alemanha – 107; França – 68; Suécia – 31; Rússia e Japão – 27; Suíça – 26; Canadá – 23; Itália – 20; e Aústria – 19.  Na casa das dezenas de títulos estão:  Polônia, Dinamarca, Israel, Noruega, China, África do Sul, Bélgica, Austrália e Índia. O último grupo é formado pela Argentina – 5; México – 3; Portugal, Chile e Colômbia – 2 cada um. O Brasil teve 14 indicações ao Prêmio em 2016, mas não logrou êxito em nenhuma delas.

Dizem, nos meios populares, que mesmo diante das circunstâncias mais adversas, o brasileiro sempre encontra uma maneira de fazer comentários com criatividade e bom humor. Para não fugir à regra, lembro, agora, o legendário escritor, jornalista polêmico e dramaturgo Nelson Rodrigues. Quando o Brasil, após várias derrotas, ganhou pela primeira vez a Copa do Mundo de Futebol, em 1958, na Suécia, ele disse:  “Enfim, perdemos o complexo de vira-lata”.

O Brasil não deve alimentar nenhum sentimento de inferioridade, perante as outras Nações, por ainda não ter sido contemplado com o Prêmio Nobel. Somos um país de amplas dimensões continentais. Dispomos de imensuráveis potencialidades econômicas. Grandes reservas de recursos naturais e rica biodiversidade. Temos gente talentosa no esporte e em diversas áreas do conhecimento humano.  Porém, nos faltam estímulos, incentivos e investimentos em ciência e tecnologia.





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