Brasil tem número recorde de inadimplentes: 63,4 mi

Publicação: 2018-08-21 00:00:00
O Brasil nunca teve tantos inadimplentes. Em julho, o total de brasileiros com dívidas em atraso chegou a 63,4 milhões, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), contingente quase equivalente à população da Itália. O número assusta, porque a série histórica mostrava uma melhora na inadimplência de março a setembro de 2017, diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. No entanto, a reversão das expectativas da economia afetou essa trajetória.

Créditos: Adriano AbreuMaioria dos brasileiros opta por atrasar contas básicas, como água e luz, pois juros são mais baixosMaioria dos brasileiros opta por atrasar contas básicas, como água e luz, pois juros são mais baixos

Maioria dos brasileiros opta por atrasar contas básicas, como água e luz, pois juros são mais baixos

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Os mais pobres ainda são os que mais devem, mas é entre as famílias de maior renda que a inadimplência tem resistido, indica a mais recente pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Enquanto o porcentual de famílias de menor renda com dívidas pendentes caiu de 29%, em julho de 2017, para 26,7%, agora, no grupo com renda superior a dez salários mínimos, o índice de inadimplentes alcançou 10,8%, ante 10,6% do mesmo mês do ano passado.

A paulistana Júlia H.P., que pediu para não revelar o sobrenome, espelha essa classe mais alta que está com contas atrasadas. Autônoma, recebia cerca de R$ 15 mil na empresa em que trabalhava, mas perdeu o emprego quando engravidou.

A situação piorou quando Júlia foi abandonada, durante a gestação, pelo pai de seu filho. “Foram cinco meses sem trabalho e sem licença-maternidade. Como tinha acesso fácil a crédito, usei tudo. Fiquei devendo condomínio, internet, cheque especial, empréstimo bancário, carta de crédito… tudo."

De volta ao mercado de trabalho, ela tenta agora se reestruturar apesar do salário mais baixo. Refinanciou o carro e fez novo empréstimo no banco para pagar as contas mais urgentes. “Minha dívida no cheque especial ainda é surreal."

A economista-chefe do SPC Brasil, explica que, em geral, o comportamento dos endividados não muda conforme a renda. “As classes altas têm mais margem de manobra, mas, em grande parte das vezes, quanto mais a pessoa ganha, mais gasta." Economista da CNC, Marianne Hanson lembra que as famílias de maior renda têm acesso a crédito de melhor qualidade, com juro menor e prazo maior.

Para os especialistas, no entanto, a crise não ensinou muito aos brasileiros em termos de controle de gastos ou consumo consciente. “A gente achou que a crise promoveria mudanças de comportamento, mas isso só ocorreu no curto prazo. No longo prazo, mais estratégico, nada mudou", lamenta Marcela Kawauti, do SPC Brasil.

Rio Grande do Norte
Em um ano, o exército de inadimplentes no Rio Grande do Norte recrutou 12 mil novos inscritos. O volume de negativados no estado, segundo dados do SerasaConsumidor, saltou dos 910 mil em março de 2017 para 922 mil em período igual deste ano. O número corresponde a 36,76% da população acima dos 18 anos no estado, inclusa ou não na economicamente ativa. Dívida com cartão de crédito é a principal motivação para a inscrição dos potiguares no cadastro negativo de proteção ao crédito.

Recorde

País registra o maior número de inadimplentes da história.

63,4 milhões de brasileiros estão inadimplentes;

7,6% é o crescimento das dívidas com contas básicas, como água e energia;

6,9% é o aumento das dívidas com cheque especial, empréstimos pessoais e cartão de crédito;

4,84% é o crescimento do número de inadimplentes na região Nordeste em julho deste contra -2,25% de queda registrado em julho do ano passado;

4,31% é o percentual relativo ao quantitativo de inadimplentes no País mês passado.

Fonte: SPC Brasil