Brasileiros na Áustria

Publicação: 2019-05-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Diógenes da Cunha Lima
Advogado, escritor e presidente da ANL

Viena, cidade reconhecida como a melhor do mundo para se viver, acolhe cerca de cinco mil brasileiros, segundo estimativa do Itamaraty. É embalada pelo Danúbio Azul do Strauss, que muito amamos. O rio não é revoltoso como o Curimataú, nem tem suas águas barrentas, elas têm coloração verde-grama.

O Brasil estabelece, na Áustria, alta e nobre representação. A residência do embaixador situa-se em área culturalmente valorizada. Fica nas proximidades do Belvedere, na Prinz Eugen – Strasse, 26. É o Palais Rothschild de longa e dramática história.

O pequeno palácio foi construído pelo barão Rothschild, financista judeu, na segunda metade do século XIX. Com a anexação (Anschluss) da Áustria pela Alemanha, os nazistas saquearam as obras de arte. Levaram o mobiliário, ricas esculturas, pinturas, armoriaria, moedas. Os Rothschild conseguiram fugir para a Inglaterra e a casa foi transformada em sede da Gestapo, sob a direção do criminoso serial Adolf Eichmann. Suprema ironia: destinava-se à “emigração dos judeus”. Na verdade, era para que os judeus se revelassem a fim de saquearem as suas riquezas.

O Brasil resgatou o imóvel com aluguel e, posteriormente, adquiriu-o para uso diplomático.

O atual embaixador é José Antônio Marcondes de Carvalho. É homem simples, cordial, vocacionado e que exerce a função com engenho e arte. A sua mulher, a artista plástica Patrícia, ornamentou a residência com obras plásticas de sua autoria, belas e expressivas.

A Áustria é um país predominantemente verde, de altas montanhas, música, fantasia e história. O festival de cultura Brasil versus Áustria em Gmund fez excelente revelação da cultura brasileira. Lá pontificaram representantes de Parintins, celebrando o seu folclore; indígenas de Roraima com o seu Pajé-mulher demonstrando práticas curativas ancestrais dos Macuxis. A babalorixá Alba trouxe da Bahia a Umbanda, religião da natureza, com os seus orixás. O Candomblé do sudeste e do sul brasileiros mereceu ótima exposição. De Curitiba, Elisa, professora de cinematografia da Universidade de Austin no Texas, apresentou filmes de sua autoria. 

O Rio Grande do Norte teve grande participação. A potiguar Verônica Schell atrai talentos que movimentam a região. Austríacos cooperam, entre os quais a notável tradutora Margret Jäger.

Ojuara, que divide o Ceará-Mirim com o país europeu, há 12 anos, movimenta as artes, inclusive participando da bienal de Veneza. Já vendeu mais de uma centena de suas obras.

Lucas Azevedo e Daniel Torres, nossos artistas, estão compondo dois murais na cidade de Spittal an der Drau.

A família Pádua, formada por Antônio, Roberta e seu filho João Jorge, deu o show mais bonito que se pode imaginar. Numa grande roda, formada principalmente por austríacos, ensinou a tocar pandeiro com ritmos do Brasil: maracatu, baião, frevo, samba e outras criações musicais.

Pablo Pierre, de Santa Cruz de Inharé, dá aula de zumba. Marta Cortezão apresenta a sua poesia amazônica.

Todos esses brasileiros nos orgulham.















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