Briga interna de facção deixa 55 mortos em cadeias do Amazonas

Publicação: 2019-05-28 00:00:00 | Comentários: 0
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Brasília (AE) - Uma briga interna na organização criminosa Família do Norte (FDN), que teve início no domingo, deixou um total de 55 mortos em presídios de Manaus, na Região Norte, em menos de 48 horas. As execuções ocorrem em meio a uma disputa entre os líderes da facção José Roberto Barbosa, o Zé Roberto da Compensa, e João Pinto Carioca, o João Branco, pelo comando do grupo, conforme fontes do governo amazonense. Ambos estão em presídios federais. O Ministério da Justiça e da Segurança Pública informou ter enviado tropas de reforço para o Amazonas.

Mulher de detento chora em busca de informações após conflitos no Complexo Penitenciário
Mulher de detento chora em busca de informações após conflitos no Complexo Penitenciário

Apenas nesta segunda-feira, 27, agentes penitenciários encontraram 40 presos mortos durante vistorias em quatro unidades, a maior parte por asfixia. Quatro desses corpos estavam no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. No domingo, uma briga entre internos deixou 15 mortos durante o horário de visita dos familiares. Todos os executados no domingo seriam alinhados a Zé Roberto da Compensa.

O ataque desencadeou confrontos dentro das celas no Centro de Detenção Provisória Masculino 1 (com 5 óbitos), na Unidade Prisional do Puraquequara (6 vítimas) e no Instituto Penal Antônio Andrade (25 mortos). Há relatos de que tentativas de homicídio foram flagradas por agentes penitenciários enquanto as vistorias ocorriam.

Uma triagem ocorreu após as primeiras mortes no Compaj para separar os grupos rivais. O governo estadual diz que isolou cerca de 200 presos nas quatro unidades. Eles seriam alvo de novas execuções. As autoridades não informaram à qual grupo eles pertencem. Oficialmente, a administração estadual não reconhece a FDN. Nenhum agente penitenciário ou familiar está entre as vítimas. Segundo o governo, houve uma tentativa de fazer reféns dois funcionários, sem sucesso. O governo também não detalhou o caso.

Reforço
Após os massacres, o governo Jair Bolsonaro decidiu enviar um reforço de segurança aos presídios do Amazonas, a pedido do governo estadual. A Força-tarefa de Intervenção Penitenciária servirá para reforçar a atuação dos agentes carcerários. O Estado já tem a presença da Força Nacional de Segurança Pública, que atua no policiamento ostensivo e no entorno das penitenciárias.

Segundo o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), haverá cerca de cem homens para reforçar a segurança dos presídios. A chegada deles é aguardada, de acordo com o governador, para esta terça-feira, 28.

No Compaj, na frente de familiares, presos foram mortos com escovas de dente e asfixiados com golpes "mata-leão". A chacina em dia de visita descumpriu uma regra entre os criminosos, segundo o secretário de Administração Penitenciária do Amazonas, Marcus Vinícius de Almeida. "Foi a primeira vez no Estado (que houve mortes durante o horário de visita)."

As escovas de dente foram raspadas até ficarem pontiagudas, segundo o secretário. Entre os mortos encontrados no dia seguinte, a maior parte foi enforcada. Segundo o governo, as escovas foram retiradas das unidades após o ataque.






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