Brigas entre facções organizadas do ABC e América viram problema de polícia

Publicação: 2021-01-26 00:00:00
Mais uma vez um confronto entre facções organizadas de ABC e América estarrece o mundo do futebol. Mas o caso registrado na última sexta-feira no bairro de Nazaré, onde houve estouro de bombas caseiras e correria, de acordo com o promotor do Estatuto do Torcedor no RN, Luiz Eduardo Marinho, e o presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF), José Vanildo, não possuem qualquer ligação com o esporte e devem ser tipificados como crime comum.

Créditos: ARQUIVO/TNLuiz Eduardo Marinho aponta uma confusão em relação ao Estatuto do TorcedorLuiz Eduardo Marinho aponta uma confusão em relação ao Estatuto do Torcedor

Luiz Eduardo adverte que a sociedade está confundindo o campo de aplicação do Estatuto do Torcedor. O fato de uma pessoa, no momento que comete o delito, estar com uma camisa de qualquer facção organizada de futebol, não é suficiente para remeter o ato para esfera esportiva. 

“Na questão do confronto de torcida, há uma confusão. As pessoas estão confundindo grupos que estão cometendo crime na cidade, com as questões ligadas ao Estatuto do Torcedor. Isso não tem nada a ver com a esfera esportiva, porque eles se tratam de crimes comuns e que devem ser investigados através de inquérito policial. Sendo evidenciada as autorias tem de ser elaborada a denúncia para que os indivíduos respondam pelo crime. Especificando se foi um homicídio, agressão ou qualquer outro caso”, destacou.

Créditos: ARQUIVO/TNPresidente da FNF, José Vanildo, não acredita que atos estejam ligados ao futebolPresidente da FNF, José Vanildo, não acredita que atos estejam ligados ao futebol

José Vanildo também não acredita que choques como o registrado na semana passada, tenham como pano de fundo o futebol. “Esses choques que estão ocorrendo neste momento no futebol, não tem nada a ver com futebol. Não temos competições em andamento, não temos público. Essa ação pode ser tudo, menos de torcedores esportivos. Não há indicação da possibilidade desses choques terem o futebol como motivação”, ressaltou.

O promotor reforçou que as questões relativas ao Estatuto do Torcedor, são observadas apenas em dias de jogos de futebol ou demais espetáculos esportivos.

“A questão do Estatuto do Torcedor é observada mais em dia de jogos, tendo sempre como foco o local da partida e as imediações do estádio. Então, se por exemplo um torcedor que tenha alguma ligação com uma facção qualquer  matar um dito torcedor rival lá em Nova Parnamirim, essa questão não terá qualquer ligação com o Estatuto do Torcedor. Mas é claro que existe a possibilidade de se punir uma torcida, desde que seja comprovado que a mesma esteja usando os sues agremiados para prática de crime. Mas isso tem de ser investigado e provado”, salientou Luiz Eduardo Marinho.   

A FNF também encara a questão com a mesma visão, segundo o seu presidente. “Estatuto do Torcedor deve ser visto como uma regulamentação da cidadania e do consumidor. As questões devem ser tratadas no âmbito devido, agressões de qualquer natureza devem ser orientadas pelo Código Penal.

Em nível de penalidade esportiva, essas devem ser geridas de acordo com o Estatuto do Torcedor”, afirmou.

Questionado se acredita que fatos como os registrados no bairro de Nazaré  podem atrasar as futuras negociações para o retorno do torcedor aos estádios. José Vanildo disse que não, uma vez que a situação está muito clara.

“Nós não temos problemas nos estádios, registramos sim situações pontuais entre supostas torcidas fora das praças esportivas.   Faz algum tempo que choques entre grupos rivais não ocorrem dentro dos estádios devido ao trabalho de segurança implantado pela PM e demais autoridades de segurança. As situações atuais ocorrem extra-campo, então temos de avalia-las com as considerações devidas. Nós temos de reforçar o policiamento nas ruas nos dias de jogos, evitar a coincidência de horários e trajetos entre torcedores rivais, que é um trabalho que já vem sendo realizado com algum sucesso”, observou.
Essa semana a FNF pretende reunir com os filiados, mas disse que o tema violência não será colocado em questão, uma vez que as diretorias de ambos os clubes se pronunciaram através de uma nota oficial conjunta, reprovando os atos criminosos cometidos pelos ditos torcedores. 

“Nós temos o início do Campeonato Potiguar marcado para iniciar no dia 24 de fevereiro, estamos num período de pandemia e necessitamos realizar uma reunião interna como os representantes dos clubes para fazermos uma avaliação. Essa questão de violência, na minha concepção não pode ser ligada ao futebol, não estamos tendo disputas. Nem se tivesse em disputa, teria público. Então a situação de violência ocorre fora das praças esportivas. Essa é uma questão de polícia, pois a FNF e os clubes têm de avançar mesmo nas questões relativas ao protocolo de segurança contra Covid-19. Essa questão será uma preocupação até a evolução do quadro de vacinação no RN. Então nós iremos nos reunir para avançar nestes pontos”, antecipou José Vanildo.

O dirigente destacou que a experiência com o aparato de segurança nos dias dos jogos em Natal, tem tido resultados considerados gratificantes. “Nossa experiência não causou, nos últimos anos, nenhuma situação de confronto. A Polícia tem sido muito zelosa e eficiente frente as nossas necessidades nos dias desses jogos, colaborando com as medidas técnicas e operacionais da própria Federação de Futebol”, reforçou.

O problema, segundo o dirigente, também é antigo.  Isso faz com quê as autoridades e entidades esportivas busquem alternativas cada vez melhores para combater o mal da violência.

“Esse é um problema nacional, então em cada estado ele se apresenta e atinge a sociedade de uma forma diferente. Volto a frisar que, na grande maioria das vezes, essas questões são ações pontuais de grupos infiltrados nas entidades com intuito de promover choques violentos, confrontos, entre torcidas adversárias. Posso dizer que no RN nós temos uma polícia eficiente no trabalho de segurança com relação aos jogos, mas como os choques estão ocorrendo nos mais variados espaços, nos reforça a ideia de necessidade de atualização de medidas  cautelares para melhorar a eficiência e a garantia de segurança para o bom torcedor poder chegar e sair tranquilo dos estádios”, ressaltou.