Busca por passagem aérea atinge mínima histórica

Publicação: 2020-06-05 00:00:00
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Diante de uma pandemia que deixou as aéreas praticamente sem operação e impôs um severo distanciamento social, as buscas por passagem aérea no Brasil atingiram o menor nível histórico na plataforma Google. Os dados foram compilados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) por meio da ferramenta Google Trends. Os números mostram que a retomada do setor pela perspectiva do interesse dos passageiros ainda não começou no País, mas pelo menos parou de cair. Na contramão, o mercado global dá sinais de que o pior já passou e as pessoas começaram a retomar o interesse.

Créditos: DivulgaçãoA realidade, nos aeroportos brasileiros, tem sido de baixa e a demora no retorno já preocupaA realidade, nos aeroportos brasileiros, tem sido de baixa e a demora no retorno já preocupa


Segundo dados do Google, a busca por passagem aérea no Brasil na plataforma atingiu o menor nível da série histórica, que começou em 2004. O interesse no termo caiu 81% de fevereiro para abril (de 91 para 17), mas se estabilizou em maio.

A métrica usada pelo Google é a seguinte: um valor de 100 representa o pico de popularidade de um termo em uma determinada região. Já uma pontuação de 0 significa que não havia dados suficientes para a busca.

Os dados globais mostram uma retomada de 30% em maio na comparação com abril - este último também o pior da série histórica do buscador (26). Nesta quarta-feira, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) apontou uma série de dados, assim como a melhora nas buscas do Google por passagens, como uma luz no fim do túnel.

De acordo com o economista-chefe da Iata, Brian Pearce, o setor mostrou uma recuperação no número de voos (considerando também o de transporte de carga) em maio. "Vimos uma elevação de 30% no dia 27 de maio na comparação com 21 de abril, que demonstrou ter sido o menor ponto na crise em termos de voos. Isso sugere que o mês de maio foi melhor também para os passageiros", disse, durante coletiva com jornalistas.

O economista reforçou a tendência de retomada do negócio via mercado doméstico. "As aéreas estão se esforçando para puxar a demanda, com oferta de passagens", destacou. Segundo dados da Iata, as tarifas para voos no mercado doméstico em maio foram 23% menores na comparação anual.

A crise, entretanto, vai deixar uma conta elevada. A demanda global de transporte aéreo de passageiros (medida em RPK, ou Passageiros-Quilômetros Pagos transportados) despencou 94% em abril na comparação com igual mês de 2019. "A indústria atingiu nível sem precedentes em abril", destacou Pearce. A oferta de assentos (medida por assentos-quilômetros ofertados, ou ASK) naquele mês recuou 87% na comparação anual. Já a taxa de ocupação atingiu mínima histórica de 36,6%. Em igual período de 2019, o indicador estava em 83%.

Segundo o sócio-fundador do Fenelon Advogados, Ricardo Fenelon, a menor retomada do Brasil até agora se dá pela diferença temporal em que a pandemia atingiu a América Latina. Enquanto China e Europa dão sinais de recuperação e queda na contaminação o Brasil tem registrado crescimento dia a após dia e hoje ocupa o segundo lugar no número de casos de covid-19.

Fenelon destacou que o Brasil conseguiu dar importantes passos para proteger o setor aéreo no início da pandemia. "A Ryanair, que em 2019 transportou sozinha mais passageiros do que todas as aéreas brasileiras, parou. E aqui conseguimos manter". Em 2019, as companhias locais transportaram 104,4 milhões de passageiros. Somente a irlandesa de baixo custo Ryanair transportou 142 milhões. O desafio do governo agora, acrescenta, está no que ele chamou de segunda etapa, com a linha de crédito. "Eu tenho hoje uma preocupação grande de como o governo vai agir para evitar o colapso do setor", disse, ponderando que o BNDES e os ministérios têm se esforçado.

Além dessa diferença no tempo, outro fator que tem comprometido o interesse do brasileiro em viajar é a crise política que o País está enfrentando, avalia a idealizadora da Airport Infra Expo e CEO da Necta, Paula Faria. 

Passada a tempestade que foi o mês de abril, as aéreas brasileiras começaram a retomar suas operações. Como forma de garantir que a crise não afetaria o transporte de carga e equipe média em aviões, o governo costurou uma malha essencial com o segmento. "No início de abril, quando a crise se instaura aqui, nosso ponto mínimo foi de 180 voos diários, de uma média que chegava até em 2.700 no período de pico, em temporada de verão", destacou o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz. Na virada de maio para junho, o setor passou a operar com 263 voos diários. Para o fim do mês, a estimativa é de 353 voos diários.








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