Câmara convoca ministro da Educação

Publicação: 2019-05-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Brasília (AE) - Em mais um sinal de desarticulação e falta de base política do governo Jair Bolsonaro, a Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 14, por 307 votos a 82, a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para dar explicações sobre cortes no orçamento de sua área. Além disso, líderes de partidos do Centrão se recusaram a se reunir com o presidente no Palácio do Planalto.

Deputados aprovaram, por 307 a 87, a convocação do ministro da Educação e impõe mais uma derrota do governo Jair Bolsonaro no ParlamentoCAMARA
Deputados aprovaram, por 307 a 87, a convocação do ministro da Educação e impõe mais uma derrota do governo Jair Bolsonaro no Parlamento 

O encontro dos deputados Elmar Nascimento (BA), líder do DEM, e Arthur Lira (AL), que comanda a bancada do PP, com o presidente estava marcado para 16 horas e constava na agenda oficial da Presidência até pouco antes do horário. Eles seriam acompanhados pelo líder do governo na Câmara, Major Victor Hugo (PSL-GO), mas alegaram que o momento seria inoportuno para a reunião.

"Eu fui surpreendido com meu nome na agenda do presidente", afirmou Elmar. "O que iria parecer se fôssemos lá agora? Qual seria a interpretação? Então, eu disse para o Major Victor Hugo: deixa a poeira baixar para não parecer que fomos lá fazer algum tipo de barganha."

Lira foi na mesma linha. Disse que, se o encontro com Bolsonaro ocorresse agora, a interpretação seria a de que haveria uma negociação para aprovar a medida provisória que trata da reforma administrativa. A MP perde a validade em 3 de junho, se não for aprovada.

Os deputados contaram que há cerca de dois meses Bolsonaro afirmou que gostaria de se reunir individualmente com líderes de partidos, mas a reunião nunca foi marcada. Nos bastidores, dirigentes do Centrão suspeitam que o encontro apareceu só agora na agenda de Bolsonaro justamente para constrangê-los.

Para completar, um áudio com gravação de uma deputada do PSL, dizendo que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está "chantageando" Bolsonaro para aprovar a MP 870 serviu para azedar ainda mais o clima.

Questionado se a decisão de não se encontrar com Bolsonaro havia passado pelo crivo de Rodrigo Maia - que está nos Estados Unidos -, Elmar respondeu: "Claro que não. Ele nem sabia dessa reunião."

Base desalinhada
A convocação do ministro ocorreu de surpresa, horas antes de Bolsonaro embarcar para sua segunda viagem aos Estados Unidos. Em reunião de líderes, a oposição e o Centrão discutiram a estratégia e, pouco depois, a colocaram em prática.

O requerimento foi apresentado pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) e recebeu 307 votos favoráveis - apenas um a menos do que o necessário, por exemplo, para aprovar uma proposta de emenda à Constituição, como a reforma da Previdência. Votaram com o governo apenas 82 deputados. Exceto o PSL e o Novo, todos os partidos orientaram suas bancadas a exigir o comparecimento do ministro. O DEM, que possui três ministros no governo, votou contra Bolsonaro: dos 14 deputados presentes à sessão, 11 pediram a presença do ministro.

Parlamentares do Centrão e da oposição afirmaram na tribuna que o líder do PSL, delegado Waldir (GO), havia concordado com a convocação do ministro durante a reunião de líderes. Waldir não orientou a bancada durante a sessão e tampouco votou para barrar a convocação. A ausência foi destacada pela minoria.

"Quero em primeiro lugar registrar o inusitado. Estamos votando a vinda de um ministro no plenário, e não estão no plenário o líder do governo, o líder do PSL e a líder do governo no Congresso Nacional. Nunca vi um governo mais desorganizado, desarticulado", disse o líder do PT, Paulo Pimenta (RS). Procurado, Waldir não retornou aos contatos.

Após a derrota, o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), usou as redes sociais para dizer que havia "aproximação" do governo com o Congresso, apesar de o colégio de líderes ter decidido, por maioria, adiar a votação de medidas provisórias de interesse do governo. Hugo levara os líderes do PSL, Pros, PSC, Cidadania, Novo, PV, Podemos e Patriota para conversar com Bolsonaro, num encontro classificado por ele como "excepcional". Após a reunião, porém, parlamentares e governo deram versões conflitantes do que foi conversado.

Na tribuna, o deputado classificou a convocação do ministro como "um dia especial" e afirmou que seria excelente oportunidade para demonstrar respeito ao plenário e prestar contas.

Comparecimento
O ministro da Educação, Abraham Weintraub deverá comparecer ao plenário às 15 horas para ser questionado pelos parlamentares. A sabatina ocorre no mesmo dia em que está previsto protestos de servidores federais em diversas cidades do País contra os cortes na educação. O MEC confirmou a presença do ministro.

Os deputados ainda tentam votar nesta semana medidas que podem significar novas reveses ao Planalto. Entre elas um projeto da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) para sustar os efeitos do decreto que ampliou o porte de armas, assinado por Bolsonaro. O governo tenta, por outro lado, votar três MPs que perdem a validade até o início do mês que vem.

Weintraub será o primeiro ministro do governo a ter de atender à convocação.

Em conversas reservadas, deputados federais lembravam nesta terça-feira o desgaste para o governo Dilma Rousseff do então ministro da Educação Cid Gomes.

Convocado para uma audiência no plenário da Câmara dos Deputados, Cid Gomes caiu em 2015 por exigência do então presidente da Casa Eduardo Cunha (MDB-RJ) após chamar os deputados de oportunistas. Cunha era líder do Centrão e hoje está preso. Cid é hoje senador pelo Ceará.









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