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TN Família
Câncer de prostáta: reforce a prevenção e o autocuidado
Publicado: 00:00:00 - 07/11/2021 Atualizado: 15:55:49 - 08/11/2021
Tádzio França
Repórter

A campanha Novembro Azul, voltada à prevenção contra o câncer de próstata, está completando dez anos de chegada ao Brasil, ainda ressaltando a importância do autocuidado masculino e do diagnóstico precoce da doença. Estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que o câncer de próstata é o segundo que mais mata homens no País, atrás somente do de pele, o mais incidente. De acordo com a entidade, mais de 66 mil novos casos foram registrados no Brasil em 2020, e mais de 15 mil pacientes morreram em 2018 pela doença.

Divulgação
Campanha Novembro Azul reforça a importância do autocuidado masculino e do diagnóstico precoce do câncer de próstata

Campanha Novembro Azul reforça a importância do autocuidado masculino e do diagnóstico precoce do câncer de próstata


O cenário que envolve o câncer masculino também não passou batido pelos efeitos do coronavírus em 2020. Em todo Brasil, a procura por exames de rotina para rastreamento do câncer de próstata diminuiu no primeiro ano da pandemia. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a coleta de biópsia da próstata teve redução de 44% e o exame Antígeno Prostático Específico (PSA) de 20%. Fato que torna o Novembro Azul ainda mais importante em 2021.

A redução no número de atendimentos nos consultórios privados e nos ambulatórios do SUS refletiu em 2021 num aumento da demanda de pacientes, além do diagnóstico de muitos casos de câncer em fase tardia devido ao atraso do diagnóstico. “Nós da Liga Contra o Câncer temos aumentado o número de atendimentos de pacientes em nossos ambulatórios de maneira a fazer frente a essa demanda reprimida, bem como implementamos um esforço concentrado no sentido de operar os pacientes o mais rápido possível”, afirma Kallyandre Medeiros, chefe da unidade de urologia da Liga.

O médico acredita que as campanhas de conscientização veiculadas por órgãos como a Sociedade Brasileira de Urologia têm contribuído para aumentar a conscientização do homem com o autocuidado, assim como uma redução no preconceito com o exame de próstata. “De toda forma é extremamente importante um trabalho de educação continuada nesse sentido bem como uma maior facilidade de acesso aos pacientes do serviço público de saúde talvez pelo atendimento em horários alternativos, como à noite, já que muitos trabalham os dois expedientes”, diz.

O câncer de próstata é inicialmente assintomático, o que torna a prevenção fundamental: 20% dos diagnósticos são feitos já em estágios avançados. Dados do Ministério da Saúde indicam que a doença causou 15.576 óbitos em homens somente em 2018. Kallyandre explica que muitas vezes os homens procuram o médico devido aos sintomas do crescimento benigno da próstata, que incluem dificuldade ou esforço para urinar, jato urinário fraco, sensação de não esvaziar completamente a bexiga, urinar  em pouca quantidade (polaciúria), e também acordar muitas vezes à noite para urinar.

Segundo o médico, quando o câncer de próstata se torna sintomático, usualmente reflete a invasão de outros órgãos como a bexiga, provocando a presença de sangue na urina (também conhecida como hematúria) ou mesmo dor óssea que pode corresponder à presença de metástases ósseas. O exame é tranquilo, necessário e traz muitos benefícios, porque quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de tratamento. Assim, o exame de PSA (antígeno prostático específico) e, quando necessário, o exame de toque.

Kallyandre afirma que as campanhas, no geral, têm surtido efeitos positivos. “Temos observado que muitos homens estão vencendo o preconceito e procurando atendimento médico não só durante o mês de novembro, mas durante o ano inteiro. Infelizmente, ainda não temos a facilidade de acesso que gostaríamos de proporcionar aos pacientes, mas pouco a pouco temos conseguido conscientizar mais pessoas da importância da prevenção”, diz.

O médico explica que o Rio Grande do Norte enfrenta uma grande dificuldade especialmente relacionada às cirurgias urológicas para as doenças benignas do aparelho urinário, especialmente o cálculo urinário e a hiperplasia benigna da próstata, principalmente o que leva muitos homens a permanecerem em uso de sonda urinária por um longo tempo, aguardando procedimentos cirúrgicos que levam às vezes anos para serem realizados.

De acordo com o urologista Maryo Kempes, o assunto ainda envolve certo preconceito e precisa ser sempre abordado e esclarecido para que os homens possam tomar medidas adequadas e garantir mais tempo de vida. “O mais recomendado é  fazer exames periodicamente”, sugere. Sociedades médicas recomendam que homens a partir dos 50 anos de idade façam o exame de próstata anualmente, e acima dos 45, se estiver inserido nos fatores de risco. Estimativas do Inca apontam que mais de 70 mil novos casos da doença serão registrados neste ano.

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Urologista Maryo Kempes

Urologista Maryo Kempes


Maryo ressalta o fato de que os homens vivem cerca de sete anos a menos que as mulheres. Um dos motivos para a diferença reside na postura comum a eles de não procurarem preventivamente atendimento médico. Para ajudar a quebrar essa resistência,  há iniciativas como o Novembro Azul, para conscientizá-los sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata, o mais comum entre o público masculino.

Fora da curva e atento

Humberto Torres, 72 anos, aposentado, é um ponto fora da curva quando se fala na relação do homem com sua saúde. Desde os 40 anos ele segue os protocolos de controle da próstata. Ele sempre foi de ler e ficar atento sobre o assunto. Boa parte disso se deve a outros casos da doença que teve na família, com avô paterno, pais e irmãos – embora nenhum tenha morrido por esse problema. “Excetuando o meu pai, todos faleceram com idade bem acima dos 90 anos, então não descuidei”, ressalta.

A descoberta do câncer de próstata veio, segundo ele, quase “por acaso”, já que ele sempre foi de fazer exames. Ao completar 68 anos, o médico sugeriu que ele fizesse uma biópsia de controle. O exame, a princípio, não detectou nada. “Outros exames foram feitos, todos dando negativo; aguardei seis meses e repeti os exames, e fiz um muito específico, que não é processado no Brasil, e neste veio a indicação de doença”, conta.

A solução apresentada seria radioterapia ou cirurgia radical, remoção total junto com os gânglios associados na região.  Humberto optou pela prostatectomia com esvaziamento dos gânglios. A cirurgia foi feita em fevereiro de 2018. Entre internação e alta foram dois dias e meio. Uma semana com sonda, e encerrado o procedimento. Ele descreve todo o processo com naturalidade e confiança. Nunca fumou e nem bebe. Admite que está sedentário devido à pandemia, mas cuida da alimentação e faz consultas regulares ao cardiologista, urologista e dermatologista. Não é azul só em novembro.

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