Cadê as flores?

Publicação: 2020-08-09 00:00:00
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Berilo Castro
Médico e escritor

O nome: Praça das Flores. O que se poderia esperar de um título tão bonito? Uma praça pública, situada no bairro de Petrópolis; bairro nobre, bucólico, com uma infraestrutura desenvolvida e invejável.

Área muito procurada e desejada por todos aqueles que buscam  desfrutar de um lugar agradável, tranquilo e central na Cidade do Sol.
Petrópolis tem uma rica visão, que descortina e vislumbra uma bela  orla marítima, com suas praias de águas mornas, de uma mistura colorida onde se imbricam o azul turquesa com o verde esmeralda, recebendo a  luz  de um sol dourado e de raios incandescentes. À noite, o bairro é acariciado com uma brisa serena embalada por suaves ventos leves que sopram do sudeste.

Diante de toda essa invejável beleza urbana, nos confrontamos, no entorno da avenida Afonso Pena e as ruas Potengi e Seridó, uma esquina privilegiada, com uma boa área de formato triangular, ocupada por uma construção chamada Praça das Flores. Coitada das flores!
Fica muito difícil descrever o que ali fizeram, o que ali  construíram; finalmente, o que é aquilo? E por que tem o nome de Praça das Flores? Logo a Flor, o símbolo da beleza feminina, pela sua delicadeza, pelo seu perfume; expressão de felicidade; repleta de simbologia: jovialidade, energia, vida nova, vitória e tantas outras.

Soube que, tempos atrás, a Prefeitura de Natal fez uma chamada pública de concurso para apresentação de um projeto arquitetônico para construção de uma praça com a finalidade de ocupar e embelezar aquele nobre e deslumbrante ambiente.

Muitos projetos foram apresentados para julgamento;  muita discussão; muita disputa, muito empenho para a escolha do melhor e mais bonito trabalho. Abro espaço para enaltecer os nossos pioneiros mestres arquitetos, que muito nos engrandecem e muito nos honram, ainda hoje. Com certeza não foram consultados, nem aprovariam o disforme projeto.

Finalmente, é chegado o momento da decisão da melhor escolha – o projeto é escolhido, premiado e bem remunerado.
O sonho, a esperança dos seus moradores de se deslumbrarem com uma obra arquitetônica fantástica, de beleza fascinante, que realmente preenchesse as suas  expectativas, foi por água abaixo – desceu na enxurrada e virou lama.

O projeto desenvolvido e concluído, que recebeu o nome de Praça das Flores (perdão às flores, elas não merecem!), foi um verdadeiro desastre arquitetônico, de uma feiura sem dimensão, sem pé nem cabeça, parecendo uma tenda de circo hermeticamente fechada. Feita com exclusividade para ninguém ocupá-la.  Murcharam as flores, não desabrocharam!

O sonho foi desfeito, a tristeza e o desencanto tomaram assento na praça sem flores. Jamais ocupada; totalmente rejeitada e esquecida pelos seus sonhadores moradores, entristecidos e decepcionados.

No momento, tem suas serventias, apesar da sujeira, da escuridão noturna e do abandono: é ocupada, uma vez por semana, por uma feirinha orgânica (às sextas-feiras); como ponto de táxi; de parada de ônibus e de abrigo para os pobres e miseráveis moradores de rua (sua melhor e mais valiosa utilidade).

Que estrago! Que frustração! Que mal gosto!