Cade aprova venda do Polo Pescada à empresa Ouro Preto

Publicação: 2020-09-16 00:00:00
A+ A-
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda da participação da Petrobras no Polo Pescada para a OP Pescada Óleo e Gás, subsidiária da Ouro Preto Óleo e Gás. O Polo Pescada é formado pelos campos Pescada, Arabaiana e Dentão, que estão localizados nas águas rasas da Bacia Potiguar na Plataforma Continental do Estado do Rio Grande do Norte. O despacho da Superintendência-Geral do órgão com a decisão está publicado no Diário Oficial da União (DOU).

Créditos: agência petrobrasPolo Pescada é formado pelos campos Pescada, Arabaiana (foto) e Dentão, em águas rasas do RNPolo Pescada é formado pelos campos Pescada, Arabaiana (foto) e Dentão, em águas rasas do RN

A OP Pescada já era sócia da petrolífera no polo: a empresa detinha 35% no consórcio, enquanto a Petrobras era majoritária com 65%. O valor da transação aprovada pelo Cade foi de US$ 1,5 milhão, conforme a Petrobras já havia anunciado em julho passado. A quantia foi dividida em duas parcelas: US$ 300 mil na assinatura do contrato e US$ 1,2 milhão no fechamento da transação, que dependia da aprovação pelo CADE e pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Para a Ouro Preto, a operação está alinhada à estratégia de expansão das suas atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural por meio de operações de farm-in (aquisições parciais ou totais dos direitos de concessão detidos por uma empresa).

"Essa operação está alinhada à estratégia de otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, passando a concentrar cada vez mais os seus recursos em águas profundas e ultra profundas, onde a Petrobras tem demonstrado grande diferencial competitivo ao longo dos anos", disse a empresa.

A produção média do Polo Pescada de janeiro a junho deste ano foi de aproximadamente 260 barris de óleo por dia (bpd) e 190 mil m3/dia de gás.

Entre 9 de dezembro de 2019 e 16 de julho deste ano, a Petrobras vendeu R$ 2,123 bilhões (cerca de US$ 556 milhões) em ativos no Rio Grande do Norte, considerando a cotação da época de finalização das transações. O volume inclui a transferência para a iniciativa privada de 46  concessões de terra e águas rasas no Rio Grande do Norte (três delas tiveram a venda assinada e passam por trâmites finais e autorizações de órgãos reguladores para conclusão da transferência).  

No dia 24 de agosto, a Petrobras anunciou a venda de outras 26 concessões de produção (23 terrestres e 3 marítimas) no Rio Grande do Norte. Entre os bens ofertados, está a Refinaria Potiguar Clara Camarão, situada em Guamaré. O documento “Oportunidade de Investimento em Campos Terrestres e de Águas Rasas no Brasil” contempla o Polo Potiguar, que compreende três subpolos: Canto do Amaro, Alto do Rodrigues e Ubarana. 

Além disso, inclui a infraestrutura de produção e escoamento que atendem esses subpolos, e o Ativo Industrial (ATI) localizado em Guamaré. Conforme detalhado pela estatal, “a produção média do Polo Potiguar no ano de 2020 (Jan-Jun) foi de 23 mil bpd de óleo, sendo 97% produção onshore e 3% produção offshore, e 124 mil m3/d de gás, sendo 54% produção offshore e 46% produção onshore.”
A Petrobras abriu prazo até o último dia 10 de setembro para que empresas interessadas manifestassem interesse. Até esta terça-feira (15), a estatal não tinha divulgado informações sobre o andamento do processo.

Mais desinvestimentos 
Na segunda-feira (14), a Petrobras anunciou uma revisão dos seus investimentos em E&P e informou que vai colocar mais ativos de upstream à venda, sem informar quais. Vai concentrar ainda mais sua atividade no projeto de Búzios e nos ativos do pré-sal, que vão demandar 71% do total que será investido pela empresa entre 2021 e 2025.

A estatal fará um corte de até US$ 24 bilhões em seu investimento programado para a área entre 2021 e 2025. Está estimando investimentos (capex) de US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões para o período, ante US$ 64 bilhões anunciados no Plano Estratégico de 2020-2024.








Leia também: