Cai volume d’água em nove mananciais

Publicação: 2016-04-08 00:00:00
Arthur Barbalho
repórter
Hudson Helder
Chefe de Reportagem

O Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn) apontou uma queda dos níveis dos reservatórios em 2016. De uma lista de 11 barragens ou açudes de grande porte, nove apresentaram queda no volume de água no primeiro trimestre de 2016, em comparação ao mesmo período de 2015. A principal causa, de acordo com a gestão do órgão, é falta de chuva nos três primeiros meses do ano.
Com as chuvas, vários reservatórios de médio e pequeno porte estão sangrando, como a barragem Maniçoba, em Serra Negra do Norte
“Não tivemos chuva no período e o uso do reservatórios prosseguiu, portanto, tivemos uma redução nos níveis da maioria em relação a 2015. Com a implantação de uma gestão diferenciada nos principais reservatórios, tivemos uma perda menor, que só foi excetuada pelas chuvas recentes”, avaliou o diretor-presidente do Igarn, Josivan Cardoso Moreno.

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O ponto positivo é saída de alguns  açudes no interior do RN do chamado volume morto, que é a água que fica abaixo do nível de captação da comportas, que só pode ser usada através de bombeamento. Somente a barragem Marechal Eurico Gaspar Dutra, o Gargalheiras, saiu do volume água de 9.755,00 m³ (equivalente a 0,02% de sua capacidade total) para 1.296.151 m³ (2,91%).

Devido à baixa quantidade de água no reservatório, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) não usa a água do reservatório para abastecer a população de 11.012 habitantes da cidade de Acari desde setembro de 2015. Todavia, após análise do Igarn já existe a previsão de que em 15 dias a Caern já esteja liberada para extrair água do reservatório.

Outro exemplo é o caso do Dourado, em Currais Novos, que estava seco, mas após as recentes precipitações já tem 50,50% de seu volume restabelecido, faltando 1,6 metros para a sua sangria. Ao transbordar as águas do Açude Dourado seguem para o reservatório de Gargalheiras, e dessa forma, aumentará ainda mais o volume existente na barragem.

“Houve uma redução de 30% para 25% dos reservatórios que encontravam-se nesta situação [em volume morto]. Há ainda reservatórios que estavam completamente secos que receberam água nos últimos dias. Mesmo assim, trabalhamos com o que nos foi passado pela meteorologia, que é a situação de chuvas abaixo da média para o período. Deveremos seguir com a mesma perspectiva de atenção e de estado de emergência”, afirmou Josivan Cardoso.

Segundo Mairton França, titular da Secretaria Estadual de Recursos Hídricos (Semarh), o grande problema do RN para enfrentar as secas ocorridas nos últimos anos foi a falta de planejamento, o que está sendo amenizado em 2016. “Esta seca que enfrentamos hoje é considerada longa. Quando assumi a pasta eu sabia que faltava planejamento para essas situações. Assim, a primeira coisa que fizemos foi apresentar um plano emergencial”, contou ele.

Em suma, o plano de R$ 336 milhões apresentado em 30 de janeiro do ano passado previa a perfuração de poços, além do pedido e envio de carros pipa para zonas urbanas das cidades em colapso de abastecimento. Para o gestor da Semarh, do ponto de vista ambiental houve melhora no enfrentamento da crise hídrica neste primeiro trimestre, se comparado com o mesmo período de 2015.

“Para um ano de seca, em 2016 ocorreram chuvas melhores, porém, não onde gostaríamos que chovesse, que seriam as regiões dos principais reservatórios. Já essas chuvas do começo de abril foram certeiras, embora tenham vindo abaixo da média. Espero que elas continuem caindo até que as ações estruturantes, como a  adutora de engate rápido de Caicó, possam ter suas obras iniciadas”, comentou. A obra citada pelo secretário aguarda a assinatura do convênio por parte do Governo Federal.

Recursos hídrícos
Volume nos 11 principais reservatórios do RN em m³*:

Açude Itans - Caicó
Capacidade: 81.750.000
Volume em 9/abril/2015:
7.220.000 m³ (8%)
Volume em 6/abril/2016:
6.147.500 m³ (7,52%)

Barragem Armando Ribeiro Gonçalves - Assu
Capacidade: 2.400.000.000
Volume em 9/abril/2015:
719.910.667 (30%)
Volume em 4/abril/2016:
538.212.000 (22,43%)

Barragem Marechal Eurico Gaspar  Dutra (Gargalheiras) - Acari
Capacidade: 44.421.480
Volume em 9/abril/2015:
1.050.330 (2,36%)
Volume em 7 de abril de 2016: 1.296.151 (2,91%)

Santa Cruz do Apodi - Apodi
Capacidade: 599.712.000
Volume em 9/abril/2015:
250.181.720 (41,72%)
Volume em 1/março/2016: 179.616.630 (29,95%)

Barragem de Pau dos Ferros
Capacidade: 54.846.000
Volume em 9/abril/2015:
483.368 (0,88)
Volume em 1/março/2015:
0,00 (0%)

Barragem Passagem das Traíras - São José do Seridó
Capacidade: 49.702.394
Volume em 9/abril/2015:
556.770 (1,12%)
Volume em 7/abril/2016:
2.176.026 (4,38%)

Açude Campo Grande - São Paulo do Potengi
Capacidade: 23.139.587
Volume em 9/abril/2015:
3.748.833 (16,20%)
Volume de água em 9/março/2016:
1.912.621 (8,27%)

Açude Rodeador - Umarizal
Capacidade: 21.403.850
Volume em 9/abril/2015:
6.296.591 (29,42%)
Volume em 2/março/2016:
1.991.525 (9,3%)

Barragem de Umarí - Upanema
Capacidade: 292.813.650
Volume em 9/abril/2015:
93.254.256 (31,85%)
Volume em 1/março/2016:
54.935.661 (18,76%)

Açude Pataxó - Ipanguaçu
Capacidade: 15.017.379
Volume em 9/abril/2015:
15.017.379 (100%)
Volume em 7/março/2016:
6.804.017 (45,31%)

Açude Mendubim - Assu
Capacidade: 76.349.500
Volume em 9/abril/2015:
19.143. 120 (25,70%)
Volume em 28/março/2016:
12.028.429 (15,75%)

*Últimas medições do Igarn

Faern afirma que momento é de cautela no campo
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Norte, José Vieira, vê uma leve melhora no cenário da seca em 2016, se comparado com o mesmo período de 2015, mas afirma que as chuvas dos últimos dias não resolveram o problema, o que obriga os produtores buscar opções para garantir o plantio e a criação animal.

“A situação está um pouco melhor do que no ano passado. Ocorreram algumas chuvas, mas as barragens continuam em estado crítico, portanto, não foi resolvido o problema. É necessário ficar vigilante. Nesse atual momento é preciso cautela, até porque os produtores vêm tendo perdas ao longo dos últimos anos. Os produtores devem buscar sistemas simplificados de irrigação como alternativa à falta de chuva”, disse.

No que diz respeito à pecuária, o presidente da Faern afirmou que o produtor não deve vender o rebanho, mas sim diversificar as opções de alimento para o rebanho, optando por culturas que sejam mais resistentes à seca.


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