Caldas vive - II

Publicação: 2021-02-26 00:00:00
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: Divulgação

Ao escrever o prefácio do livro ‘Poética’, de João Lins Caldas, seu conterrâneo ilustre, com a data de agosto de 1974 - um ano antes da publicação - Celso da Silveira limitou-se a citar as informações que estão no romance ‘Território Humano’ (José Olympio, Rio, 1936), de José Geraldo Vieira. Mas, ficou constatado que a identificação e o perfil, pelo próprio romancista, estão no livro que lançaria dez anos depois, ‘Carta a minha Filha em Prantos’ (Brasiliense, SP, 1946). 

Silveira revela, no entanto, um dado que explica a grandeza da amizade que uniu José Geraldo Vieira a João Lins Caldas: “A este ligou-se de uma afeição literária que os tornou, depois, por alguns anos, amigos sinceros, ‘irmãos gêmeos’ na criação de uma obra posta acima de qualquer outro interesse, sendo ele, Caldas, um pobretão, e Geraldo um jovem milionário”. Daí o Cássio Murtinho - João Lins Caldas - ser um personagem no romance histórico de José Geraldo Vieira.

Esta caverna de livros velhos não tem todos os livros de Vieira, mas cuida de manter, há anos, as duas edições de ‘Território Humano’ (1936 e 1972), e a primeira edição de ‘Carta a minha Filha em Prantos’, além da ‘Poética’ e de ‘Poeira do Céu e outros Poemas’, tudo quanto até hoje foi publicado da poesia de Caldas depois da inundação levou quase tudo. Vieira registra na carta as visitas, aos domingos, que recebia de João Lins Caldas, a quem chama de um ‘gênio obstinado’. 

Eis o trecho, página 62, depois de registrar passeios domingueiros com os filhos e descrever um museu de peças indígenas - flechas, redes e cocares, caminhadas no bosque e passeios de barco.  Escreve Vieira: “E se havia museu, havia o Caldas, meu amigo, poeta, revisor, gênio obstinado, que surgia em casa certos domingos, para se mostrar como um museu em cuja alma abobadada os fantasmas de Byron, Novalis, Poe, Baudelaire e Dostoievski estavam em vitrinas também”. 

E depois: “Esse Caldas era meu dileto amigo desde meus tempos de estudante. É o meu personagem Cássio Murtinho, do segundo romance que vivi e escrevi”. E acrescenta, numa quase sagração da pobreza honrada do poeta João Lins Caldas: “Padrão de honra e dignidade. Pobre, emigrado do Nordeste, conheci-o ao tempo de Lima Barreto, Hermes Fontes e Antônio Torres, na porta do Garnier”, num resumo perfeito da vida e da personalidade do poeta de ‘Poeira do Céu’.

E Vieira ainda acrescenta: “Trabalhava como revisor de jornais, à noite, vivia na Biblioteca Nacional, de tarde; almoçava e jantava sanduwich de mortadela e caldo de cana, na Galeria Cruzeiro; perpetrava vinte a trinta sonetos por dia em abas de carteira de cigarro, ou beiradas de jornais. Frequentava o ‘Café Belas Artes’, antigo, debaixo do ‘Jornal do Brasil’. Uma simpatia súbita o grudou a mim”. Amanhã, prometo ao leitor, a caminhada acaba na terceira e última parte. 

LUTA - O prefeito Álvaro Dias começa a ser visto como a única liderança capaz de assumir uma consistente oposição a Fátima Bezerra. Até pela escancara omissão dos tucanos na Assembleia.

ESTEIRA - Nesse sentido, as especulações apontam que uma oposição no Legislativo só pode ser empunhada pelo atual líder da bancada, deputado Tomba Faria. Todo o resto vive de bico fechado.

AMADOR - Foi assim, como 1amador’, que Merval Pereira, colunista de O Globo, classificou o gesto do ministro Fábio Faria ao tentar desmentir o jogo em favor do SBT, do sogro Silvio Santos.  

ENGODO - Acaba não produzindo efeito prático a intervenção da Câmara Municipal na melhoria do transporte coletivo, no sentido de evitar superlotações. A STTU não fiscaliza coisa nenhuma.  

FELIZ - Volta palco do Bosque Encena, domingo, o espetáculo musical ‘O Príncipe Feliz’, aliás um natalense sem vacina e sem medo de ser feliz. Pelo Instagram, Youtube e ainda pelo Facebook. 

CREIA - Anda tão precária e desatenciosa a distribuição de revistas e jornal que só agora chegou às bancas a edição de novembro do ‘Le Monde Diplomatique’. Ou melhor: quatro meses depois.  

CARTAS - A jornalista e tradutora Rosa Freire d’Aguiar lança até março uma seleção das quinze mil cartas recebidas por Celso Furtado, de quem é viúva. Numa edição da Companhia das Letras. 

ALMA - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, lendo as notícias dos intelectuais e os seus sonhos de imortalidade: “Nada pode ser mais belo e imortal do que ser um imortal virtual”.

DÍVIDA - O Portal da Transparência do governo precisa esclarecer a dúvida: se existe e a quanto chega, a dívida do governo com a rede hospitalar privada, o que estaria impedindo a contratação de leitos na luta contra o Covid-19. O resmungo das fontes fala em atraso desde o mês de outubro.   

ORIGEM - O fato tem merecido das fontes da área privada - hospitais particulares - duas versões: uma parte das transferências federais para a pandemia foi retida pelo governo estadual; a outra que não houve recursos suficientes para a quitação dos débitos. Sonegar informação é o pior caminho.

ESPAÇOS - A UFRN realiza a 15 de março pregão para alugar 33 espaços nas dependências do Campus. Nos Centros de ensino, escolas, setores de aulas, biblioteca e Centro de Convivência. A ideia é gerar novas receitas para a Universidade com cantinas, bancas de revista, serviços e xerox.













Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.