Camões com Chico

Publicação: 2019-05-26 00:00:00 | Comentários: 0
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Woden Madruga 
woden@tribunadonorte.com.br

A boa notícia da semana é a do Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa, concedido a Chico Buarque. Decisão unânime dos jurados (dois brasileiros, dois portugueses, uma angolana e um moçambicano) reunidos terça-feira na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. A boa nova me chegou no final da tarde daquele dia quando, pela internet, lia os jornais de Lisboa. Aqui, coisa das 19 horas, lá, passando das 21.  Chamada de capa dos três mais importantes jornais portugueses: Diário de Notícias, Público, Correio da Manhã.  Comparando com os jornais brasileiros (Globo, Folha de S. Paulo e o Estadão) a notícia teve maior destaque e mais repercussão em Portugal. 

Tanto assim que o próprio presidente português, Marcelo Rebelo de Souza, felicitou Chico Buarque através de nota publicada no Portal da Presidência e divulgada nos jornais de quarta-feira. Ele compara o Prêmio Camões dado a Chico ao que a Academia Sueca concedeu o Nobel de 2017 ao músico norte-americano Bob Dylan.  

“Premiar ‘letristas’ pode ser sujeito a discussão, mas premiar Chico Buarque só pode ser unânime, porque, tal como Bob Dylan para a língua inglesa, as canções de Chico traduzem um profundo conhecimento da tradição poética e um alargamento das fronteiras da linguagem musicada, trazendo um grau de sofisticação inédita à música que se diz, e bem, popular”, afirmou o presidente Marcelo Rebelo, que  também saudou o júri do Prêmio Camões “que por unanimidade concedeu esta distinção a Chico Buarque, reconhecendo o romancista de “Estorvo” ou “Budapeste”, o dramaturgo e argumentista, mas também o extraordinário escritor de canções”.

Disse mais o presidente: “A obra de Chico Buarque conquistou, ao longo de várias gerações, um incomparável respeito e emoções no mundo lusófono, nomeadamente pelos seus empáticos retratos femininos, pela afinidade com os bons malandros, pelo sem empenhamento político, pelo amor ao Rio de Janeiro e ao Brasil, pelo trabalho sobre uma língua que, atravessando tanto mar, nos une”.

A ministra portuguesa da Cultura, Graça Fonseca, também se manifestou em sua página pessoal da rede social:  “Chico Buarque é o vencedor do Prémio Camões 2019. A decisão foi tomada esta tarde pelo júri da 31ª edição do prémio, no Rio de Janeiro. Esta é a distinção de maior prestígio da Língua Portuguesa. Parabéns!”

Já o governo brasileiro permaneceu e permanece em silêncio. O que não causa surpresa até porque a matéria trata de cultura e Chico Buarque, derna da ditadura militar de 1964, pende para a esquerda.  Mas o presidente Marcelo Rebelo de Souza, filiado ao PSD (Partido Social Democrático), é um político conservador, inclinado para o centro-direita.  É um democrata e intelectual:  jurista, professor catedrático de Direito, jornalista, comentarista político (muito tempo de televisão) e sempre presentes nos eventos culturais de seu país, notadamente nas feiras de livros.

A propósito, sugiro a leitura do artigo de Sérgio Rodrigues (escritor, jornalista e crítico literário) publicado quarta-feira, 22, na Folha de S. Paulo: “Nobel de Bob Dylan se sentiria à vontade no colo de Chico Buarque”.
Pois, então, é  tempo de cantar “Apesar de Você”.

Museu
Semana que passou foi a “Semana do Museu”. Li alguma coisa sobre o mote nas folhas desfeitas daqui. Das tais coisas a que mais me chamou a atenção foi o tal do “café cultural” marcando a “reabertura” do Museu Café Filho. O “evento” era uma roda de samba com os grupos “Batuque de um povo” e “Fuxico na feira”. Estava programado também uma exposição com obras do pintor Leopoldo Nelson. Meu Deus que é que a arte de Leopoldo tem a ver com o fuxico da feira? Imagine, então, João Café Filho nessa roda...

O mais espantoso ainda é que, apesar de concluída a restauração do Sobradinho da Rua da Conceição (fechado há cinco anos), que abriga o Museu, o acervo do presidente ainda não foi reposto e ninguém sabe quando será e se voltará mesmo para as suas salas.

Mestre Gaspar, falando sobre o assunto no papo da calçada do Cova da Onça, sugeriu que, ao invés de se promover no Sobradinho “café cultural”, o mais certo seria “caldo de cana cultural com pão doce”. Segundo ele, Café quando participava nas reuniões sindicais nas Rocas não dispensava  um caldo de cana com pão doce. Ali, as partes discordantes fechavam acordo...
Caldo de cana é cultura; pão doce, também.

Em Caicó  
Anote em sua agenda: dia 30, quinta-feira que vem, começa a 46ª Exposição Agropecuária do Seridó, montada no Parque de Exposição Monsenhor Walfredo Gurgel. Prossegue até dia 2 de junho, primeiro domingo do mês.

Arte 
 Vai até o dia 28 de junho a Exposição NAC 40 Anos, aberta segunda-feira passada, na galeria Convivart da UFRN. Lá estão obras dos artistas plásticos Ângela Almeida, Carlos José, Carmelita Ferreira, Ébeson Rolim, Énio Goes, Erasmo Andrade, Erismar Antunes, Ivanilda Costa, Jota Medeiros, Judite Pandofe, Levi Bulhões, Marlene Galvão, Socorro Evangelista e Vicente Vitoriano. Aberta das 9 ás 17 horas.

Livros  
Dia 30, quinta-feira, serão lançados dois livros: O Poeta Câmara Cascudo – Um livro no inferno da biblioteca, de Dácio Galvão, e Brevidades, de Ivan Lira de Carvalho.
O lançamento do livro de Dácio será no Sesc da Cidade Alta (Avenida Rio Branco esquina com a Correia Teles) a partir das 18h30. O de Ivan, ás 18 horas, na Galeria Fernando Chiriboga, do Miduei. 

O ditirambo do poeta 
Maio findando, mês das flores, das noivas, de Maria, me cai na minha bacia das almas estes versos do poeta Wellington Leiros, com o título  “Meu Ditirambo” (décima em decassílabos”, celebrando seus 57 anos de casado.
“Recebe, meu amor, com meus “quindins”, / Meu ditirambo de flores perfumosas, / Nas cores, com que “mãos mui caprichosas”, /Fizeram florescer em meus jardins. / Colhi crisântemos, rosas e jasmins, / E às dálias e às tulipas, reuni. / Nesse buquê, a tua imagem, eu vi... / Por nosso amor... por tudo que há mais puro... /Eu juro aqui, por Deus, aqui eu juro:/ Tu és a flor mais bela que eu colhi. ”






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