Campanha chama atenção para leucemias e diagnóstico precoce

Publicação: 2021-02-25 00:00:00
Ícaro Carvalho
Repórter

Quando Emily Vitória, hoje com 12 anos, chegou em casa e disse à mãe que não estava conseguindo fazer as aulas de Educação Física em virtude de dores nas costas, a doméstica Jucileia Oliveira Silva, 40 anos, logo se preocupou. Manchas no corpo começaram a aparecer e Emily não sabia a origem delas.

Créditos: CedidaEmily recebeu tratamento precoce e transplante de medula ósseaEmily recebeu tratamento precoce e transplante de medula óssea

 Jucileia logo procurou postos de saúde, fez exames e após uma bateria de avaliações, descobriu que sua filha estava com Leucemia Linfocítica Aguda (LLA), uma das tipologias mais graves da doença. Passados dois anos, Emily recebeu um transplante de medula óssea e está encerrando o tratamento da doença. Assim como Jucileia teve a iniciativa de procurar as autoridades de saúde, especialistas querem, na campanha Fevereiro Laranja, conscientizar sobre a leucemia e o diagnóstico precoce.

“A médica passou uns exames e disse que era uma pequena anemia. Passamos três meses e vi que os índices nos exames só aumentavam, não diminuíam. Ela foi piorando das dores, as febres”, relembrou Jucileia, que mora em Baía Formosa. Ela comentou que  a filha teve crises das dores, tromboses, AVC, convulsões e ficou debilitada fisicamente. O tratamento foi no Hospital Varela Santiago, com quimioterapia. 

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a projeção de casos novos de leucemia no Rio Grande do Norte para o ano passado era de 150 entre homens e 100 entre mulheres. Em Natal, as projeções eram de 40 casos para pessoas do sexo masculino e 20 do feminino. Quando se observam as taxas brutas de incidência estimadas para 100 mil habitantes, as leucemias apareciam na 6° maior taxa entre todos os cânceres analisados no Estado para o ano passado entre os homens, com 8,36. Já entre as mulheres, a projeção estava entre as menores do ano, sendo 5,52, ficando na 9ª colocação. O INCA analisa projeções para 18 tipos de cânceres diferentes.

As leucemias podem ser do tipo crônica ou aguda. Elas podem se agrupar baseando-se nos tipos de glóbulos brancos que elas afetam, linfóide ou mielóide, e existem mais de 12 tipos, sendo quatro mais comuns: Leucemia Mielóide Aguda (LMA), que avança rapidamente e ocorre tanto em adultos quanto em crianças; Leucemia Linfocítica Aguda (LLA), que se agrava de maneira rápida e é o tipo mais comum em crianças pequenas, podendo acometer adultos também; Leucemia Mielóide Crônica (LMC), que se desenvolve vagarosamente no início e acomete principalmente adultos; e Leucemia Linfocítica Crônica (LLC), que se manifesta de forma lenta, e é mais comum em adultos.

Para o médico e hematologista Daniel Barros Rogério, que faz parte do Centro Avançado de Oncologia, da Liga Norte Riograndense Contra o Câncer, os resultados de diagnósticos precoces são mais vistos em pacientes com leucemias agudas.

“O problema são as leucemias agudas, com alterações graves nos exames de sangue, principalmente, em que o grande problema está na fábrica do sangue. O intervalo entre a doença aparecer e o paciente ter sintomas é de poucos dias, normalmente. Então, normalmente, esse paciente vai fazer o exame de sangue porque está sintomático, com anemia, fraqueza, algum sangramento, por exemplo”, explicou o hematologista.

Uma vez com diagnóstico em mãos, feito através de exames de sangue e acompanhamento de um hematologista, é iniciado o tratamento, que vai depender do tipo de leucemia, podendo ir da quimioterapia ao transplante de medula óssea. Somente o médico pode determinar o tratamento ideal, avaliando os aspectos clínicos do paciente como idade, presença de outras doenças, capacidade de suportar quimioterapia, etc..











Leia também: