Campanha de petroleiros com venda de gás a R$ 40,00 acaba em duas horas

Publicação: 2020-02-15 00:00:00 | Comentários: 0
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A possibilidade de adquirir gás de cozinha a preço popular mobilizou a população natalense em frente à sede da Petrobras, no bairro da Cidade da Esperança, na zona Oeste de Natal, no início da manhã de ontem. Ao todo, 300 botijões foram vendidos por R$ 40 cada, valor bem inferior ao preço médio praticado na capital potiguar. A ação foi promovida pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos e faz parte de uma campanha dos trabalhadores da categoria pela permanência da estatal petrolífera no RN.

Créditos: Adriano AbreuCada pessoa levava apenas um botijão, mas população aprovou a iniciativa da campanhaCada pessoa levava apenas um botijão, mas população aprovou a iniciativa da campanha


O início da comercialização estava previsto para ás 8h30, mas devido à grande procura – populares começaram a chegar já a partir das 6h – a entrega de fichas foi antecipada para às 7h, sem registro de tumultos. “A ação faz parte de uma campanha que tem como o objetivo chamar atenção da sociedade potiguar para a importância da permanência da Petrobras aqui no RN”, avalia Ivis Corsino, coordenador geral do Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN).

Ele explica que a Petrobras possui, atualmente, três unidades de processamento de gás no RN, mas que duas estão com as atividades paradas por decisão do comando da própria estatal. “Embora tenhamos condições para dar conta dessa demanda, grande parte dos derivados [de petróleo] são importados e não são produzidos ou processados aqui”, comenta.

De acordo com a categoria, o preço médio do botijão de gás está entre R$ 65 e R$ 75. Para poder executar a ação, os petroleiros subsidiaram a diferença de preço. O procedimento consistia no cidadão interessado chegar ao local, pegar a fila, efetuar o pagamento e receber uma ficha para ordenamento na entrega dos botijões. A categoria determinou o limite de um botijão de gás por pessoa e a venda era feita apenas mediante a troca de outro botijão vazio.

Alexandre da Silva, 37, é mecânico e chegou ao local após as 8h, pegou a ficha de número 247, e elogiou a ação. “É importante essa situação. A gente vê o quanto faz a diferença no final do mês, por isso vim aqui", exemplifica, afirmando que saiu do bairro Dix-Sept Rosado com mais dois familiares para aproveitar as condições.

Campanha
De acordo com a categoria, a ação de ontem faz parte da Campanha dos Combustíveis a Preço Justo busca mostrar à população que a política de preços adotada pela Petrobras para os combustíveis, seja gasolina, óleo diesel ou gás de cozinha, pesa muito no bolso do consumidor. Desde 2016, os preços dos combustíveis no Brasil seguem as variações do mercado internacional. Com isso, ficam vulneráveis a crises no exterior, como a do início do ano entre o Irã e os Estados Unidos. O quadro se agrava com o dólar, que já chegou a R$ 4,35.

Além da política de preços, a Petrobras vem reduzindo o uso de suas refinarias. Há seis anos, as refinarias da empresa operavam com 95% de capacidade. Hoje esse número está em torno de 70%. Com isso, o país está importando mais combustíveis e ficando ainda mais exposto ao mercado internacional. E a situação deve piorar, já que a empresa está vendendo oito de suas 15 refinarias, diz a FUP.

A categoria está em greve há mais de dez dias e ações de comercialização de botijões de gás a preços populares foram vistos em vários outros locais do Brasil. Nesta sexta, foi vista uma ação da mesma natureza em Fortaleza, capital cearense.






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