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TN Família
Campanha foca no combate ao câncer de cabeça e pescoço
Publicado: 00:00:00 - 07/07/2019 Atualizado: 17:44:26 - 06/07/2019
Tadzio França
Repórter

“O câncer tá na cara, mas às vezes você não vê”. A frase tem uma pitada de humor, mas alerta para um problema bem sério. O slogan para a campanha de 2019 sobre o combate ao câncer de cabeça e pescoço, dentro da 4ª edição do Julho Verde, chama atenção para a necessidade de se conhecer mais os sintomas da doença para evitar o diagnóstico tardio e menores chances de cura. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCa), é esperado a cada ano 43 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço no Brasil. São 10 mil mortes por ano.

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Julho Verde conscientiza sobre importância do combate ao câncer de cabeça e pescoço

Julho Verde conscientiza sobre importância do combate ao câncer de cabeça e pescoço

Julho Verde conscientiza sobre importância do combate ao câncer de cabeça e pescoço

Os tumores do câncer de cabeça e pescoço são aqueles localizados em lugares como boca, amígdalas, bochecha, faringe, gengivas, laringe, língua, glândulas salivares, tireóide, e seios paranasais. Segundo o cirurgião Luiz Eduardo Barbalho, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), os estágios iniciais da doença costumam ser confundidos com doenças inflamatórias benignas e por causa disso causar dificuldade no diagnóstico.

Quando não se sabe a real identidade da doença, o paciente pode estar sendo tratado inadequadamente, sem obter melhora clínica, e correndo o risco iminente de piorar. “Haverá o crescimento do tumor, progredindo para um estágio avançado e, somente nesse momento, é feito o diagnóstico, de forma tardia”, alerta o Dr. Luiz Barbalho.

O médico lamenta que a negligência pessoal ainda seja uma constante entre a maioria das pessoas. “Muita gente tem dificuldade em entender que um sintoma ou sinal de alerta de possível surgimento de uma lesão suspeita deveria ser encarado como prioridade em seu estado de saúde. E se associada ao medo do diagnóstico, ainda estigmatizado na sociedade, será um fator de influência para o diagnóstico tardio”, diz.

Atenção aos sinais

O reconhecimento precoce do tumor é o principal fator de cura. Entre os principais estão os nódulos ou tumores no pescoço, principalmente endurecidos e que apresentam um crescimento rápido; feridas na boca que não cicatrizam e que muitas vezes estão sendo tratadas como aftas ou traumatismos causados por próteses dentárias.

Atenção também para rouquidão por mais de 30 dias; dor à deglutição, dificuldade em engolir os alimentos, sensação constante e progressiva de entalo - especialmente em fumantes e pessoas abusam cronicamente de bebidas alcoólicas; obstrução e sangramento nasal; aumento progressivo de volume na face e alterações oculares súbitas. “Surgimento de feridas ou manchas escuras em áreas de exposição solar também devem ser consideradas sinais de alerta”, ressalta o cirurgião.

As 10 mil mortes ao ano ocasionadas pelo diagnóstico tardio da doença, são advindos do câncer de laringe e cavidade oral. O Dr. Luiz Barbalho confirma que os tumores de boca, garganta e laringe (cordas vocais) realmente representam o maior número de casos – principalmente em homens, devido ao maior hábito de fumar e ingerir bebidas alcoólicas cronicamente. Há ainda os tumores de pele (não melanoma) que ocupam o primeiro lugar em frequência devido à exposição solar crônica ao longo da vida.

Sequelas

O tratamento tardio, mesmo quando bem sucedido, pode ocasionar sequelas. “As principais consequencias referem-se às mutilações ocasionadas após as retiradas (em detrimento da cura) dos tumores”, diz Luiz Barbalho. Há áreas relacionadas à identidade visual do indivíduo, como perdas de nariz, lábios, orelhas, e até mesmo do olho. Muitos dos pacientes acometidos por câncer em língua e palato (céu da boca), podem apresentar sérios problemas de alimentação e fala. “E se envolveu a laringe (cordas vocais), dependendo da extensão,  causará dano a fala. Alguns necessitam de traqueostomia para respirar pelo resto da vida”, diz.

A maior influência para o surgimento desse tipo de câncer está no tabagismo e consumo crônico de bebidas alcoólicas – e que geralmente também está associado à desnutrição e aos maus hábitos alimentares. “A grande maioria dos pacientes portadores de câncer de boca, garganta e laringe apresenta perda de peso importante e, consequentemente, deficiência imunológica pela insuficiência de nutrientes”, ressalta o médico.

A prevenção é possível. Além de evitar o uso excessivo de cigarro e álcool, deve-se usar preservativos em sexo oral para impedir infecção pelo Papiloma Vírus Humano, que pode predispor ao câncer; ter atenção à vacinação contra o HPV conforme programas governamentais; usar protetor solar em áreas da exposição (especialmente na face), seguir uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos.

O diagnóstico em estado inicial  da doença é essencial. A probabilidade de cura em casos de tumores precocemente detectados gira em torno de 70 a 90%; já em caso de tumores maiores e em estado avançado, a sobrevida cai para 30 a 50% - além de tornar o tratamento bastante caro. Segundo Luiz Eduardo, o INCa prevê para o RN números elevados de câncer de cabeça e pescoço. A programação da campanha para esse ano no estado terá  um “Momento Verde”, dia 11, no Hospital Luiz Antônio; no dia 12, um Simpósio em Caicó; dia 19 projeto Serviço Social Informa; e dia 20, Caminhada Verde no Parque das Dunas, a partir das 8h.

Voz de alerta

O ex-auxiliar de almoxarifado Walter Dantas Duarte é um exemplo de como o câncer de cabeça e pescoço está atrelado a  hábitos não recomendáveis à saúde. Fumante desde a adolescência, em 2007 ele foi diagnosticado com câncer de laringe. Walter passou por todos os procedimentos habituais e se curou. Até que, dez anos depois, após sentir um leve incômodo na garganta, como um arranhão, voltou ao médico e recebeu um diagnóstico preocupante: câncer na língua. Em julho de 2018, passou pelo procedimento cirúrgico de retirada da língua. Agora, está tentando retomar sua vida normal, com bons avanços.

“Foi um 'baque' para nós. Chegamos a pensar que ele não falaria mais e não se alimentaria pela boca”, conta a esposa Maria Eliza Dantas. Felizmente, ressalta, Walter contou com um atendimento multidisciplinar com orientação da Liga Contra o Câncer, com inclusão de fonoaudiologia e nutricionista. Hoje ele já pode articular razoavelmente bem as palavras, além de se alimentar pela boca com uma comida pastosa – mesmo assim, sem abrir mão da sonda.

Walter está fazendo exercícios para fortalecer a musculatura da boca, face e pescoço, e também da respiração. Os exercícios são feitos sob orientação de fonoaudiólogo. Pela boca ele também já bebe água, sucos e vitaminas, sem engasgar. São pequenas grandes vitórias. Ele também teve que passar pela traqueostomia. “Comecei a fumar aos 16 anos. Foram 50 anos fumando. Parei de beber nos anos 90, mas continuei a fumar. Uma carteira por dia. E mesmo quando parei de fumar, em 2007, as consequências vieram”, conta ele, como forma de alerta. Mesmo assim, o otimismo em seguir a nova vida continua na voz.



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