Campus do Cérebro começa a funcionar no início de 2018

Publicação: 2017-09-17 00:00:00
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Mariana Ceci
Repórter

Mais de dez anos após sua idealização pelo cientista Miguel Nicolelis, o projeto  para construir em Macaíba um pólo científico de referência internacional se aproxima de sua conclusão. Desde fevereiro, o Campus do Cérebro, composto pelo Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra (IIN – ELS) e a Escola Lygia Maria Rocha Leão Laporta deixou de ser responsabilidade da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e passou a ser oficialmente gerido pelo Instituto Santos Dumont (ISD), que pretende entregar a obra no primeiro trimestre de 2018.
Créditos: Adriano AbreuEm Macaíba, parte do projeto assumida diretamente pela UFRN custou cerca de R$ 45 milhõesEm Macaíba, parte do projeto assumida diretamente pela UFRN custou cerca de R$ 45 milhões

Em Macaíba, parte do projeto assumida diretamente pela UFRN custou cerca de R$ 45 milhões (Foto: Adriano Abreu)

A obra sofreu atrasos entre 2015 e 2016, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) pediu uma série de esclarecimentos à UFRN, ao ISD e ao Ministério da Educação (MEC), da onde vieram a maior parte dos recursos da obra. De acordo com a auditoria realizada pelo Tribunal, o complexo apresentava algumas irregularidades referentes ao papel da UFRN na gestão do Campus, ao valor total da obra e às patentes daquilo produzido em suas dependências.

Em maio de 2016, um acordo de cessão de bem público foi firmado, oficializando a passagem eminente da administração de uma entidade para outra, como destacou a reitora da UFRN, Ângela Maria Paiva Cruz “Em maio de 2016, a UFRN celebrou contrato de cessão de uso de bem público com o ISD. A UFRN não tem qualquer participação na manutenção do Campus do Cérebro”, explicou.

Apesar do TCU não ter emitido nenhuma decisão final sobre o caso, o ISD foi autorizado a dar continuidade à obra, e a UFRN deixou oficialmente de ser responsável pela sua construção a partir de fevereiro deste ano. Mesmo tendo construído a maior parte dos dois prédios, a UFRN entregou a Escola e o Instituto de Neurociências sem algumas estruturas básicas, como a parte hidráulica, elétrica e esgotamento sanitário, que já estariam sendo providenciados pela nova administração.

A equipe de reportagem visitou o local e constatou um novo cenário desde a última matéria, publicada em agosto do ano passado. Agora, o caminho que leva ao Campus já está iluminado, e é possível ver os pisos especiais para laboratórios instalados no Instituto de Neurociências, assim como o acabamento feito em grande parte dos prédios. De acordo com Theodoro Paraschiva, diretor geral do ISD, entregar os prédios para que eles possam ser utilizados é prioridade.

“Queremos que eles sejam entregues até o primeiro trimestre do próximo ano. Inicialmente, vamos utilizar o equipamento que já temos, transferindo tudo que temos nos prédios da Escola Agrícola de Jundiaí para lá. A mesma coisa vai acontecer com os equipamentos escolares, porque esperamos que o número de estudantes vá aumentando gradativamente com o tempo, e aí vamos adquirindo mais materiais para suportar a demanda”, explicou o diretor.

Na construção dos dois prédios, a parte do projeto assumida diretamente pela UFRN custou cerca de R$ 45 milhões.  Desses, R$ 42 milhões foram para o patrimônio imóvel, ou seja, os prédios em si, e R$ 2 milhões foram para o patrimônio móvel, como aparelhos de ar condicionado e redes de dados. Indiretamente, com as obras de acesso viário e rede de distribuição de energia, foram gastos quase R$ 9 milhões. Agora, no entanto, o financiamento para as próximas etapas de construção do Campus partem diretamente do MEC, que é o financiador do Instituto Santos Dumont.