Cana-de-açúcar e melão lideram produção no RN

Publicação: 2017-09-22 01:01:00
Ricardo Araújo
Editor de Economia

A produção de 354,7 mil toneladas de melão no Rio Grande do Norte, ao longo do ano passado, manteve o estado no topo da lista de maior produtor da fruta no país. O valor da safra foi de R$ 282,1 milhões no período. O quantitativo produzido e a cifra movimentada pelo mercado do melão no Rio Grande do Norte só ficou atrás, de acordo com dados da Produção Agrícola Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem, da cana-de-açúcar, cuja colheita somou 3,6 milhões de toneladas e R$ 326 milhões de valor de produção. 

Créditos: Renata MouraMelão potiguar é exportado para outros estados e para a EuropaMelão potiguar é exportado para outros estados e para a Europa

Melão potiguar é exportado para outros estados e para a Europa

Conforme divulgado pelo IBGE, “o valor da produção agrícola do Rio Grande do Norte no ano de 2016 foi de R$ 1,2 bilhão”. Do total, R$ 898,4 milhões são oriundos das lavouras temporárias. Essas registraram aumento na produção de 20,6% em relação a 2015. Outros R$ 366,9 milhões foram contabilizados a partir do que foi produzido nas lavouras permanentes, cuja elevação na produção foi de 34,6 ante 2015. Os principais produtos das lavouras temporárias e permanentes com maior contribuição em 2016 abastecem os mercados nacional e internacional de consumo.

A cana-de-açúcar contribuiu com 25,8% do total produzido. Em seguida, o melão com 22,3%; banana com 12,6%; abacaxi com 8,7%; melancia com 6,2%; mamão com 5,7%; castanha de caju com 4,0%; mandioca com 3,6%; coco-da-baía com 3%; manga com 2,7% e batata-doce com 2%. O somatório da produção agrícol do estado ao longo do ano passado representou 0,4% da produção nacional. Apesar de ser líder no cultivo de melão no Brasil, o Rio Grande do Norte é apenas o vigésimo primeiro produtor nacional e se posiciona na lanterna na região Nordeste ao lado da Paraíba, na nona posição.

As 354.793 toneladas de melão produzidas localmente estão distribuídas entre os municípios de Mossoró, Tibau e Apodi. Mossoró se destaca ainda como um dos maiores produtores de fruticultura, sendo o décimo quarto maior produtor do país e o terceiro na região Nordeste, segundo o IBGE. A Produção Agrícola Municipal publicizada pelo IBGE ontem aponta, ainda, que “Mossoró, Apodi e Baraúnas também se destacam na produção de melancia”. Na zona rural de Touros e Ielmo Marinho, o destaque vai para o abacaxi. Em Serra do Mel, no Alto Oeste, a castanha de caju sustenta o título do município como principal produtor no estado.


Tipo exportação
De 2006 a 2016, a produção de melão no estado mais do que dobrou. Saltou das 160 mil toneladas colhidas em 2006, para 354,7 mil toneladas produzidas no ano passado. Somente no primeiro semestre deste ano, o crescimento da colheita em relação ao mesmo período do ano passado foi de 170% com movimentação de 39,2 milhões de dólares. Parte do melão produzido no estado foi exportado para a Europa através do Aeroporto Internacional Gov. Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, colocando o terminal em posição de destaque no cená- rio nacional.

Caso a estimativa de aumento de 15% da safra projetada para todo o ano de 2017 se confirme, o RN será o maior produtor e exportador de melão do país, a frente do Ceará, concorrente diretoe até então líder em exportação da fruta. A estiagem prolongada que deixou em colapso a principal bacia irrigadora das plantações de melão no Ceará, posicionadas ao longo da área abastecida pelo Açude Castanhão que desagua na BaciaJaguaribe, provocou o êxodo dos produtores para terras potiguares.

Eles se instalaram, principalmente, nas cercanias de Mossoró, onde a oferta de água no lençol freático é uma das maiores do estado. A colheita, programada para os meses de agosto e setembro, deve movimentar um exército de quase dez mil trabalhadores somente em Mossoró, o município que concentra mais da metade da produção local. Na Fazenda Agrícola Famosa, sete mil hectares. são destinados à produção de frutas tropicais. Destes, três mil são específicos para melões e melancia. A empresa é uma das que mantem unidades produtivas no Ceará e no Rio Grande do Norte.