Canal está sem data para conclusão

Publicação: 2014-08-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Roberto Lucena
repórter

Um ano depois do início das obras, a primeira etapa do perímetro irrigado Santa Cruz do Apodi, localizado entre os municípios de Apodi e Felipe Guerra, está com 13% de execução do projeto. De acordo com o engenheiro Marcos Rangel, do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), ainda não é possível definir uma data para finalização do perímetro. Com investimento do Governo Federal na ordem de R$ 280 milhões, obra terá 455 lotes e deve beneficiar 80 mil pessoas na região Oeste do Rio Grande do Norte.
Júnior SantosSistema hidráulico do projeto tem como manancial o rio Apodi, que possui vazão regularizada pela Barragem Santa Cruz do ApodiSistema hidráulico do projeto tem como manancial o rio Apodi, que possui vazão regularizada pela Barragem Santa Cruz do Apodi

O projeto é criticado por produtores rurais e membros da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Igreja Católica. Segundo os críticos, as famílias que tiveram imóveis desapropriados para dar espaço ao perímetro não foram atendidas adequadamente e, além disso, o novo equipamento vai inviabilizar a produção agroecológica que é desenvolvida por agricultores familiares.

Ao todo, o projeto tem mais de nove mil hectares de extensão. A primeira etapa ocupa área de 5.200 hectares e, a segunda, 4.036 hectares. A 1ª etapa é executada com recursos provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as obras foram iniciadas em agosto do ano passado.

O sistema hidráulico do Projeto de Irrigação Santa Cruz do Apodi tem como manancial de abastecimento o rio Apodi, que possui vazão regularizada pela Barragem Santa Cruz, localizada em Apodi. A captação da água será feita no rio Apodi, entre as localidades de Apodi e Felipe Guerra, a jusante da barragem. Um sistema de captação e recalque composto por uma barragem de elevação do nível da água, um canal de chamada e uma elevatória com nove conjuntos moto-bombas, seguida de três adutoras foram dimensionados para elevação de uma vazão de seis metros cúbicos por segundo.

Um canal de adução principal se desenvolverá na chapada. Canais secundários derivarão do canal principal, dominando cotas inferiores da chapada e alimentando outros canais de ordem terciária. A partir dos canais distribuidores de água, serão derivadas tomadas d’água para os 455 lotes agrícolas que compõem o perímetro, distribuídos entre pequenos produtores, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos e empresários.

Apesar dos benefícios, o projeto divide opiniões e é alvo de críticas. A Igreja Católica se posicionou contrária ao projeto e, em nota, prestou apoio às famílias da Chapada do Apodi. “Assumimos, por este ato, a dor, as angústias e esperanças das famílias rurais campesinas, que neste momento, vivem as incertezas geradas pelo Projeto de Irrigação da Chapada do Apodi, planejada pelo Dnocs”.

De acordo com Antônio Nilton Bezerra Júnior, integrante da CPT, em Mossoró, a implantação da primeira etapa do projeto é acompanhada de perto pelos religiosos e sindicato dos produtores rurais. Por enquanto, segundo ele, poucas famílias foram atingidas. “Nossa preocupação maior é com a segunda etapa do projeto. O perímetro vai acabar com a produção de mais de 600 famílias naquela região”, colocou.

O investimento para desapropriação das áreas da primeira etapa foi de R$ 13,750 milhões e o processo sofreu atraso. O Dnocs informou que a topografia do projeto não estava implementada no campo, tendo de ser executada pela empresa supervisora no início deste ano. O projeto executivo, quando de sua execução, identificou alguns aspectos de dimensionamento que tiveram de ser adequados. As mudanças foram efetuadas no canal secundário para que o mesmo abrangesse uma maior área por gravidade. Estes ajustes provocaram atraso na entrega do projeto executivo, que somente foi entregue em dezembro de 2012.

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