Candidatura do MDB divide núcleo governista

Publicação: 2018-03-13 00:00:00 | Comentários: 0
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Amigo do presidente Michel Temer desde os anos 1990, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Wellington Moreira Franco, é hoje um dos principais defensores, no Palácio do Planalto, da candidatura do chefe a um novo mandato. Em público, ele desconversa, mas, nos bastidores, não apenas tem simpatia pela ideia como trabalha com afinco para que o projeto se concretize.

Moreira Franco prefere Temer
Moreira Franco prefere Temer

A proximidade do ministro com o presidente causa ciúmes dentro e fora do Planalto. O gabinete de Moreira fica no quarto andar do Planalto. Na outra ponta, no mesmo andar, fica o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Os dois integram a direção do MDB, fazem parte do grupo de Temer e, ao lado do presidente, são alvo de inquérito aberto para apurar repasses de R$ 10 milhões da Odebrecht para o partido, em 2014.

Mesmo assim, Moreira e Padilha têm um relacionamento protocolar e não é raro protagonizarem divergências. Conhecido por fazer planilhas certeiras com o placar de votações no Congresso, Padilha, por sua vez, parece mais pragmático em relação à sucessão presidencial. O chefe da Casa Civil tem a mesma opinião do presidente do MDB, senador Romero Jucá (RR), para quem o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reúne credenciais para unir o centro político e ser o candidato do governo, migrando do PSD para o MDB.

Diante dos holofotes, porém, Padilha diz apenas que a base do governo, liderada pelo MDB, deve ter um único concorrente ao Planalto. "Meirelles faz uma justa postulação, mas nós temos de ter a competência de chegar em junho e verificar quem possui melhores perspectivas para ser candidato", disse Padilha ao jornal O Estado de S. Paulo.

Eliseu Padilha quer Meirelles
Eliseu Padilha quer Meirelles

Intervenção
A discussão sobre a candidatura de Temer à reeleição ganhou força após o governo decretar a intervenção na segurança pública no Rio, no mês passado. Mesmo com o alto índice de rejeição do presidente e 1% nas pesquisas de intenção de voto, auxiliares diretos, como o marqueteiro Elsinho Mouco, dizem acreditar numa "mudança de vento" com o foco do governo na segurança pública. Moreira foi um dos que aconselharam Temer a convocar as Forças Armadas para a intervenção federal no Rio.

A agenda negativa, porém, voltou a rondar o Palácio do Planalto após novos reveses no Judiciário. No início do mês, Temer foi incluído em inquérito que apura o repasse da Odebrecht - no qual já figuram Moreira e Padilha - e, na semana passada, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra de seu sigilo bancário na investigação sobre irregularidades envolvendo o chamado Decreto dos Portos, editado em maio do ano passado.

Na lista dos conselheiros de Temer figura ainda o ex-presidente José Sarney (MDB). Em recente conversa com ele e Moreira, Sarney afirmou que o MDB precisava ter um candidato para chamar de seu na campanha e impedir o governo de ser espancado na arena eleitoral.

Disse que seu maior arrependimento, naquela época, foi não ter apoiado ninguém. "Precisava de um candidato para defender o meu legado", insistiu o ex-presidente, que aconselhou Temer a não repetir o "erro" quase três décadas depois. Até no Planalto, porém, o MDB é chamado de "franquia" política, que pode ter um palanque diferente em cada Estado.

Base
O recado de Sarney tem como pano de fundo a tentativa de pré-candidatos de partidos que integram a base aliada de se afastarem da imagem do governo. Além do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se lançou na disputa presidencial na semana passada com o discurso de independência em relação à atual gestão.

"A obrigação de defender o legado é do governo, não da minha candidatura. Para defender o legado do governo, não estou disposto", disse ele ao ter seu nome oficializado na corrida eleitoral, na quinta-feira passada, em Brasília.


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