Candidaturas estão mais 'pulverizadas'

Publicação: 2020-10-04 00:00:00
Luiz Henrique Gomes
Repórter

A composição dos partidos políticos para a disputa de prefeituras e câmaras de vereadores este ano tem um desenho diferente do ocorrido quatro anos atrás, nas eleições municipais de 2016. As candidaturas estão mais distribuídas entre os partidos, numa eleição que inaugura o formato sem coligações partidárias para os cargos proporcionais (vereadores). Este ano, são 10,4 mil registros de candidatura no Rio Grande do Norte, dos quais 21,55% (2,2 mil) estão em dois partidos. Em 2016, o percentual era de 26,47%.

Créditos: ELZA FIÚZAEleitores vão às urnas, no primeiro turno da eleição municipal, no dia 15 de novembroEleitores vão às urnas, no primeiro turno da eleição municipal, no dia 15 de novembro

Lideranças políticas entendem que a mudança é resultado da tentativa de novos candidatos emplacarem seus nomes sem o apadrinhamento de políticos tradicionais. Nos maiores partidos, a ausência do apoio de políticos mais influentes dificulta o avanço de candidaturas. “Existem pessoas que estão indo para partidos menores junto com outros nomes e apoiadores para ter uma votação expressiva e ter vagas. Eu vejo como uma tentativa de tentar se lançar sem ser ligado a um nome tradicional”, avaliou o presidente da Federação dos Municípios do RN (Femurn), José Cassimiro de Araújo, conhecido como Naldinho.

Mesmo com mais pulverização, a previsão dos presidentes dos partidos com mais candidaturas é de que o fim das coligações para as eleições proporcionais tenham resultados mais favoráveis aos partidos maiores devido ao tempo de televisão. “A tendência é que os partidos maiores sejam favorecidos. Isso é positivo porque facilita o dialogo nas câmaras, que hoje tem um número muito alto de partidos”, avaliou o presidente do MDB no Rio Grande do Norte, Walter Alves.

O presidente estadual do Partido Liberal (PL), o deputado federal João Maia, tem avaliação semelhante. “Não vejo posições políticas e ideológicas que justifiquem a existência de 36 partidos no Brasil. Acho que a quantidade de partidos dificulta muito a governabilidade. 
Vamos ver qual o resultado das eleições este ano para a gente avaliar se a boa intenção [de reduzir o número de partidos] se cumpriu”, disse Maia. O PL é o terceiro partido com mais candidatos no RN.

O partido com mais candidaturas nas eleições deste ano é o MDB, seguido pelo PSDB. Ambos procuram protagonismo no pleito. O primeiro tem 11,68% das candidaturas, com 67 candidatos a prefeito e 56 a vice-prefeito. Já o PSDB tem 9,77% e concorre a 57 cargos de prefeito e 46 de vice-prefeito. Em seguida aparecem o PL, o PSB, o PP e o PT. Esses quatros possuem, em média, 7,07% das candidaturas.

É diferente de quatro anos atrás. Naquela eleição, o PSD, partido do então governador Robinson Faria (2015-2018), liderou o número de candidaturas com 13,95%. O PMDB (atual MDB) aparecia em seguida. O PR, DEM, PSB e Solidariedade completavam o grupo de seis partidos com mais candidaturas. Entretanto, a participação destes era menor que o atual: 5,18%.

A mudança reflete a estratégia e o capital político dos partidos ao longo dos últimos quatro anos. Em 2016, o PSDB era o sétimo partido com mais candidatos, mas ganhou influência com a eleição do deputado estadual Ezequiel Ferreira, presidente estadual do partido, para a presidência da Assembleia Legislativa. O deputado afirmou que buscou o crescimento. “Ao assumir a presidência do partido tive o firme propósito de fazer o partido ter representatividade no maior número dos municípios potiguares”, disse nesta  sexta-feira (2).

O PSDB é o partido do atual prefeito de Natal, Álvaro Dias, concorrente à reeleição. Dias foi eleito vice-prefeito na chapa de Carlos Eduardo (PDT) em 2016 quando estava no MDB e assumiu o cargo de prefeito com a renúncia do pedetista para disputar o cargo de governador em 2018. Ele trocou de partido em março deste ano, mas permanece com  o apoio do MDB. O partido também lidera chapas em Caicó, Jurucutu, Extremoz e Areia Branca, cidades pólos para a economia potiguar.

Gênero
A composição de gêneros permanece no mínimo estabelecido em lei. Segundo o TSE, 33,7% das candidaturas são de mulheres. A lei estabelece que no mínimo 30% das candidaturas devem ser femininas e 5% do Fundo Partidário é reservado a essas candidaturas. Essas regras valem desde 2018. Com a regra voltada para negros, os partidos deverão distribuir igualmente a verba entre as concorrentes mulheres negras e brancas e entre os homens brancos e negros.


Créditos: Reprodução

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