Cannabis em questão

Publicação: 2018-05-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Lydia Medeiros

A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve discutir hoje o rumo de um processo que pede autorização para a plantação de maconha para fins de pesquisa medicinal. O processo reúne 31 demandas à agência feitas entre 2015 e 2017. Três delas apenas se referem diretamente a pedidos para cultivo da planta para realizar pesquisas. As demais tratam de regras sobre a importação. Desde 2014, a Anvisa tem concedido em média 300 permissões por ano para a importação do canabidiol, usado em terapias. A diretoria deverá debater se cabe ou não à agência tratar agora de regras para o plantio. Há dúvidas no processo sobre a real demanda do plantio para pesquisa e sobre o controle das culturas. Em manifestação registrada na Anvisa, a Polícia Federal afirma que não fiscalizaria esse tipo de plantação. O tema também é discutido no STF e no Congresso. Resta saber quem dará o pontapé inicial.

Radicalismo contestado
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, tem sido considerada um fator de dificuldade para ampliar o arco de alianças do partido nas eleições estaduais. É dela a estratégia de cobrar caro por acordos com partidos que apoiaram o impeachment de Dilma, caso do PSB. Suas posições já causam estresse. Gleisi defendeu a escolha de Lídice da Mata (PSB) para compor a chapa do governador petista Rui Costa (BA), que pretende ceder a vaga ao PSD. Ontem, ela vetou, em entrevista, o nome de Eunício Oliveira (PMDB) no palanque do governador Camilo Santana (CE), para que a vaga seja assegurada a um petista.

Guerra seletiva
O PT decidiu declarar guerra aberta ao Judiciário: a liderança do partido na Câmara lançou ontem o que chama de “Projeto Lava Toga”, proposta de mudanças na Lei de Improbidade para punir remunerações acima do teto salarial na Justiça. O partido quer permitir abertura de processos contra juízes e procuradores por ação popular, punindo com “perda da função pública e multa civil de até três vezes o valor recebido que exceder o teto salarial”. O projeto de lei 9447 nada diz sobre verbas de representação e de gabinete, que contribuem para deixar Judiciário e Legislativo brasileiros no topo da lista dos mais caros do mundo.

Fim de caso
O PSB exauriu o debate com o PT sobre as possibilidades de parceria eleitoral. Considerou alto demais o preço cobrado pelo apoio do PT em estados-chave, como Pernambuco. As condições do PT incluíam assumir uma defesa entusiástica de Lula. O PSB preferiu encerrar o processo de negociação nacional, que envolvia dez colégios eleitorais. As alianças, agora, ficam ao sabor dos interesses regionais. Com o fim do diálogo, os petistas devem ter candidatura própria contra o governador Paulo Câmara, do PSB pernambucano, e os socialistas estão livres para se unir contra o petista Fernando Pimentel, em Minas.

Noiva cobiçada
Longe do PT, começa no PSB a discussão sobre a adesão às candidaturas de Ciro Gomes (PDT) ou Geraldo Alckmin (PSDB). Para ter apoio em estados estratégicos, como Minas, líderes tucanos e pedetistas já admitem abrir ao PSB a vaga de vice na chapa dos dois presidenciáveis. Nos dois casos, o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda é citado como possibilidade. Fora da disputa ao governo mineiro, ele facilitaria a vida de Antonio Anastasia (PSDB). No PDT, Lacerda é ligado a Ciro, que o lançou na vida política.

Título honorífico
Rodrigo Maia (DEM) fez um esforço para aparar as arestas com o PSDB. Depois de dizer que os tucanos fazem parte de “um ciclo que está se esgotando”, ele se justificou, em almoço, à bancada tucana da Câmara. Disse que se referia à “dicotomia entre PT e PSDB” e afirmou acreditar no potencial de Geraldo Alckmin ajudar o PSDB a crescer. Confirmou sua candidatura à Presidência, mostrou preocupação com o desgaste dos políticos e considerou que o bloco que criou com Solidariedade, PP e PRB é uma forma de evitar a dispersão do campo do centro nas eleições. Os tucanos gostaram. E saíram do encontro chamando Maia de o “novo presidente do centrão”, grupo criado por Eduardo Cunha (PMDB).


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