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Natal
Capacidade cirúrgica do Walfredo Gurgel cai 50%
Publicado: 00:00:00 - 20/02/2018 Atualizado: 09:26:33 - 20/02/2018
Luiz Henrique Gomes
Repórter

Três dos seis centros cirúrgicos do Hospital Walfredo Gurgel, o maior hospital público do Rio Grande do Norte, estão sem funcionar por déficit de pessoal. Com o aumento no número de aposentadorias após a iminência da reforma da Previdência e com a greve de servidores estaduais, o hospital sofre com sobrecarga e está com salas e corredores lotados de pacientes a espera de cirurgia há dias, além dos internados. Nesta segunda-feira (19), 439 pessoas estavam na unidade, que tem capacidade de 338 internações em estrutura adequada. Do total, 80 estavam em corredores, e 21 em macas dentro dos próprios centros cirúrgicos, não-adequados para a internação.

Alex Régis
Ontem (19), 80 pacientes estavam em macas nos corredores. Com déficit de pessoal, equipes se desdobram para atender a alta demanda

Ontem (19), 80 pacientes estavam em macas nos corredores. Com déficit de pessoal, equipes se desdobram para atender a alta demanda


Ontem (19), 80 pacientes estavam em macas nos corredores. Com déficit de pessoal, equipes se desdobram para atender a alta demanda

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O hospital conta com 2.200 funcionários, entre enfermeiros, médicos, técnicos, vigilantes, maqueiros e higienizadores. Destes, são 400 terceirizados e uma média de 50% do restante aderiu a greve, iniciada dia 13 de novembro do ano passado. São cerca de 1.300 funcionários trabalhando por dia. Nos números atuais de internados, são 3 funcionários – entre todos os setores – para cada paciente.

O maior déficit é na equipe de enfermagem. Segundo Fátima Pinheiro, diretora do hospital, é a ausência destes profissionais que levam os centros cirúrgicos ao não-funcionamento. “Sem enfermeiros, não temos condições de abrir os outros centros cirúrgicos e isso gera uma demora maior na espera de pacientes. Os seis funcionando dá mais dinâmica ao hospital”, disse.

As consequências, por vezes, é o hospital não ter a capacidade de realizar cirurgias em pacientes que chegam em estado grave. Neste último domingo (18), um médico baleado em assalto não conseguiu realizar a cirurgia no local e foi redirecionado para o hospital da Unimed, à pedido da própria diretora. De acordo com Fátima Pinheiro, o direcionamento de pacientes para outros hospitais é comum, mas está prejudicado por situações adversas.

O pedido de direcionamento foi gravado em um áudio no aplicativo WhatsApp, onde ela também conta a situação do hospital Walfredo Gurgel para colegas médicos. “O direcionamento de pacientes quando estamos superlotados é comum. É feito geralmente para o hospital Paulo Gurgel, o Memorial ou o Deoclécio Marques, mas eles também estão tendo limitações. O Paulo Gurgel passou por uma reforma recentemente e não está com leitos suficientes para atender nossa demanda. O Memorial atende os casos mais graves de pacientes mais idosos e o Deoclécio Marques também está sofrendo com o déficit de pessoal, assim como nós”, diz.

Casos de não conseguir direcionar pacientes também acontecem. A consequência é a espera indeterminada, às vezes em situação grave.  Questionada pela reportagem, Fátima admite que houve aumento nas taxas de mortalidade do hospital, mas não dá números. “Somos um hospital que recebe todos os casos, desde paciente acidentados, a feridos com arma branca e arma de fogo, então a taxa de mortalidade existe, claro. Mas tivemos sim um aumento em um período recente”, disse ela.

O problema, conta a diretora do hospital não é novo. Nem para a direção, nem para a sociedade. Há mais de 30 anos atuando na área da saúde, Fátima está a frente do Walfredo Gurgel há cinco e afirma que o aumento do índices de violência do Estado e o déficit de funcionários tem agravado a superlotação. “A superlotação é problema antigo, mas há períodos (sempre em feriados longos) que isso fica insustentável”, conclui a diretora.

Números
439 pessoas estão internadas no Hospital Walfredo Gurgel

Em locais não-adequados:
80
estão nos corredores
21 estão nos centros cirúrgicos

Em locais adequados:
284 estão em leitos
45 estão nos leitos das UTIs
9 estão nos centros de recuperação cirúrgica

Funcionários
2.200 pessoas trabalham no Walfredo, entre médicos, enfermeiros, técnicos, vigilantes, higienizadores e maqueiros

900
é a média de funcionários que aderiram a greve

3 funcionários por paciente é a média no período de greve


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