Capacidade de produção da vacina contra a Covid-19 está esgotada, informa Butantan

Publicação: 2021-01-21 00:00:00
A matéria-prima para a produção de mais doses de vacina contra a covid-19 no Brasil “já foi quase que totalmente processada”, segundo informou ontem o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, o que esgota a capacidade de fabricação do imunizante. O anúncio foi feito em uma entrevista coletiva convocada pelo governador João Doria (PSDB) para tratar de ações de combate à doença, em que Covas novamente apelou para que o governo federal, em especial o presidente Jair Bolsonaro e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se empenhem para acelerar a importação dos insumos da China. Embora o Butantan tenha capacidade de finalizar e distribuir cerca de um milhão de doses por dia, essa produção depende do recebimento dos insumos. E, até que a produção atinja essa capacidade, é preciso um período de até seis dias para ajustes na fábrica do instituto, de acordo com o presidente. 

Créditos: ANTONIO MOLINA/ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOPresidente do Instituto Butantan, Dimas Covas afirma que haverá dificuldade para a produçãoPresidente do Instituto Butantan, Dimas Covas afirma que haverá dificuldade para a produção

"Peço ao nosso presidente, ao nosso ministro das Relações Exteriores, que nos ajude a aplainar essa relação com a China  e que haja procedimentos, haja solicitação para que os procedimentos burocráticos para esta exportação aconteça no mais curto período de tempo", disse Covas. 

Na coletiva, o cenário traçado foi o seguinte: há 46 milhões de doses de vacina garantidas pelo Butantan até o mês de abril; após esse período, caso os insumos da Fiocruz cheguem (a previsão para janeiro foi adiada para março), o País poderá contar com mais 100 milhões de doses. Esse total de doses vacinaria 73 milhões de pessoas. Se o governo federal se manifestar, o que ainda não fez, poderá tentar comprar mais 54 milhões de doses de vacina produzidas pelo Butantan a partir de insumos importados da China. E a produção própria, no melhor dos cenários, só seria possível a partir de novembro. 

Importação
Segundo Covas, o Butantan aguarda autorização do Ministério das Relações Exteriores da China, última instância burocrática para a exportação dos insumos, para conseguir importar mais 5,4 mil litros de matéria-prima - capazes de produzir cerca de 5 milhões de novas doses da Coronavac. “No governo chinês, a burocracia envolve três instâncias. O Ministério da Saúde, o chamado NMPA, que é a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) da China e a aduana. Tem de passar por essas três instâncias e, adicionalmente, o Ministério das Relações Exteriores”, afirmou. “A autorização dessas três primeiras instâncias já foi dada. Aguardamos a última.” 

O governador João Doria afirmou que as dificuldades são de ordem exclusivamente administrativa, sem nenhum entrave comercial. "Não há nenhuma restrição comercial nem a São Paulo nem ao laboratório Sinovac, com o qual temos tido uma relação excelente”, disse João Doria, ao lembrar que a parceria comercial entre Butantan e Sinovac vem de antes da pandemia. “A exportação de vacinas depende de autorização do governo chinês.”

“Há um mal-estar claro do governo chinês com o governo brasileiro. Isso é claro, isso é óbvio. Não é por outra razão que o presidente da Câmara federal foi se encontrar hoje, ainda que virtualmente, com o embaixador da China. Há um mal-estar depois de tantas agressões pronunciadas e lideradas pelo presidente Bolsonaro contra a China, contra a vacina da China, contra ‘vachina’ e as outras desqualificações que fez, e manifestações de dois de seus filhos, Eduardo e Carlos”, afirmou Doria.