Carlão

Publicação: 2019-08-25 00:00:00 | Comentários: 0
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Carlão

Perdemos Carlão. Carlos de Souza, jornalista e escritor, agitador cultural, boêmio de alta convicção, excelente papo, bom de mesa e de copo. Seu encantamento, sexta-feira, 19, foi sentido em todos os círculos culturais do Estado nos quais atuava na linha de frente. Estava com 59 anos e uns trinta e tantos de jornalismo: repórter, redator, colunista, editor. Maior parte desse tempo nesta Tribuna do Norte, onde assinou colunas sobre literatura e outras artes.  Aqui e acolá assumia a interinidade desta coluna, temperando uma amizade que começou ainda nos tempos do Curso de Jornalismo da UFRN (final dos anos 70, começo da década de 80). Professor e aluno. Parceiros, amigos, conversas continuadas pelas esticadas da boemia, noitadas promissoras.

Carlos de Souza era um amante apaixonado pela literatura, derna dos tempos dos gibis, quando menino em Areia Branca, onde nasceu. Era um ‘leitor voraz’ (como se diz nas altas e baixas rodas literárias). Ledor ávido, guloso (mas sabia degustar) em todos os gêneros. Teria que ser escritor e foi.  Deixou quatro livros publicados:  Crônica da Banalidade, Cachorro Magro (poesia), É Tudo Fogo de Palha (teatro), Cidade dos Reis (romance). “Crônica da Banalidade”, seu primeiro livro, foi publicado em 1988 pela Fundação José Augusto em parceria com a editora Clima.  É a história de um músico, de vida fracassada, idas e vindas da boemia. Pode ter acontecida em Natal.

Na estante ao lado encontro o livro de Carlão, que tem capa de Marcelo Mariz e revisão de Celso da Silveira. O prefácio é de Alex Nascimento (imagine que dupla!) com o título Prelúdio. Começa assim:

“E como eu ia dizendo, conheci Carlos de Souza aos poucos. Primeiro, reportagens na Tribuna do Norte, seu jeito diferente de dizer as coisas que quase todo o mundo diz igual, uns escritos mostrando que havia alguns neurônios mais próximos da loucura das letras que da saúde dos meninos da NASA. Depois vieram alguns negócios parecidos com cartas, que se foram convertendo em crônicas, sempre aos domingos, e que ele assinava como Linda Baptista. O ibope foi alto e rápido. Até o dia em que Carlão – é assim que as bonecas o chamam – resolveu que Linda deveria morrer. O azar foi nosso. ”

Numa entrevista que deu para Roberto Homem (blog Sem Leriado, em maio de 2012), Carlão fala sobre o seu livro de estreia:

“É uma história de boemia, de vida fracassada. É a história de um musico. O livro não é localizado em lugar nenhum, os personagens não têm nome e o lugar também não. Mas, pelas dicas que eu dou, dá para perceber que é Natal. É um cara que toca em orquestra, mas, para ganhar a vida, vai se apresentar em churrascaria. Imagine o sofrimento desse ser humano. O livro conta essa história de miséria, de fracasso, que é um pouco a história de muitos dos nossos artistas. ”

Esgotado há muitos aos, “Crônica da Banalidade”, que tem apenas 73 páginas, carece de uma nova edição, já. Eis aí uma homenagem à memória do nosso querido e sempre lembrado Carlão.

Poesia 

Anote em sua agenda:  dia 29, quinta-feira que vem, tem o lançamento do novo livro de poesia de Adriano de Souza, Livro de O. Alguns de seus poemas passam pelas trilhas da prosa incomparável de Oswaldo Lamartine de Faria, cujo centenário de nascimento acontece no dia 15 novembro.

O lançamento será no Café Arayomi, rua Ezequias Pegado, 1021, Tirol.

Praça 

Mestre Gaspar deixou a Ribeira no rumo do Alecrim para ver a Praça Gentil Ferreira restaurada. Gostou do que viu e elogiou, no papo de sexta-feira no Cova da Onça, a obra realizada pela Prefeitura. Ponto para o prefeito Álvaro Dias. Gaspar torce agora para que os camelôs não ocupem a praça.

Fotografia

Temos mais uma semana – vai até do dia 31 -   para ver a exposição de fotografia da designer Clarice Bezerra montada no Espaço Bar, que fia a rua Manoel de Abreu, 1828, Candelária.

Título da mostra:  La Luce Dorata.  É como se fosse um diário de viagem pela Itália, por onde Clarice andou este ano e em 2018. Ela é neta de outra grande fotógrafa: Candinha Bezerra.

Jânio

Lembrando que hoje, 25, há 58 anos, Jânio Quadros renunciava a presidência da República.  Eleito em 1960 tomou posse em janeiro de 1961, passando apenas 7 meses no trono presidencial.

Tal gesto, quem sabe, poderia servir de exemplo nestes tempos atribulados. Sim, hoje também se comemora o Dia do Soldado.

A Samaritana

Boa notícia publicada  pela Tribuna do Norte, começo desta semana: a restauração do prédio da antiga loja A Samaritana, na rua Doutor Barata, 232, na Ribeira, da qual ainda resiste a fachada, das mais bonitas do bairro. A marquise já se foi, o piso do primeiro andar também, paredes internas, idem.

Entre suas paredes funcionaram várias lojas, fechadas no decorrer do tempo. No andar superior, consultórios de médicos, dentistas e escritórios de advogados. Natal do começo século 20, dos anos 10 à década de 1950. O auge da Ribeira, a rua Doutor Barata a verdadeira “bróduei” natalense.

No andar superior de A Samaritana também funcionou a redação de o “Diário”, jornal fundado em 1939 por Djalma Maranhão, Aderbal de França (Danilo), Waldemar Araújo e Rivaldo Pinheiro.  Só este detalhe justificaria o “tombamento” do prédio.

O mesmo jornal que serviria de berço para o “Diário de Natal” (1947), dos Diários Associados, que já não existe e onde este batedor de notícias ingressou no jornalismo. Ano de 1953. Faz tempo!

Incendiário 

Da analista política Eliane Cantanhêde em seu artigo no Estadão com o título “O Brasil em chamas”:

- Os incêndios na Amazônia e o incendiário Jair Bolsonaro conseguiram atrair a ira do mundo para o Brasil. O desmatamento e as queimadas, que evoluem juntos e extrapolam a Amazônia, atingem vários Estados, saem da área rural, afetam cidades e se transformaram numa crise internacional.

- O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, se disse “profundamente preocupado”. O presidente da França, Emmanuel Macron, quer convocar o G-7, que reúne as maiores economias do mundo, para reagir. E astros como Gisele Bündechen e Leonardo DiCapri potencializam a repercussão. O Brasil está isolado.

- Enquanto isso... o presidente Bolsonaro, seus ministros e principais colaboradores resumem as árvores derrubadas, as labaredas nas florestas, a fumaça que intoxica e as reações pelo mundo afora como uma mera, mesquinha, questão política e ideológica.

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