Carlos Alberto de Araújo: 'PMs querem recompensa por queda de crimes'

Publicação: 2020-02-23 00:00:00
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A paternidade da queda dos índices de criminalidade do País está por trás da greve de policiais no Ceará e da ameaça de mobilização em outros Estados. A avaliação é do coronel Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior, presidente do Conselho Nacional de Comandantes Gerais das Polícias Militares. "Os policiais têm uma percepção de que tiveram uma contribuição importante na melhoria do País e isso se traduz numa expectativa de reconhecimento", disse ele.

Quem está por trás das mobilizações? O sr. vê algum componente político?
Não enxergamos nenhum tipo de poder paralelo ou influência articulando isso nacionalmente, nem mesmo ação coordenada. Algumas forças policiais estavam realmente sem reposição salarial. Os policiais têm uma percepção de que tiveram contribuição importante na redução da criminalidade. Isso se traduz numa expectativa de reconhecimento por parte do Estado. Essa autoimagem gerou expectativa de reconhecimento pelo governo na forma remuneratória, na forma de plano de carreira.

Faz sentido a hipótese de que policiais, por simpatia a Bolsonaro, tentem desestabilizar governos estaduais de oposição?
A gente entende que não há uma vontade política externa induzindo. A gente não trabalha com esse cenário.

A politização nos batalhões é algo que o preocupa?
Cada policial é um cidadão e tem direito de ter orientação política. A preocupação das organizações policiais militares é uma divisão entre o exercício individual e legítimo dos direitos políticos como cidadão e que isso não interfira na isenção necessária de qualquer atividade pública, em especial de segurança pública.

No passado, o aquartelamento levou a ondas de violência.
Não se pode imaginar que forças armadas possam reivindicar sem limites, porque elas têm capacidade de produzir medo. As consequências para quem toma as atitudes que aconteceram no Ceará têm de ser muito graves e rigorosas.



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