Carlos é eleito com 58,3% dos votos

Publicação: 2012-10-29 00:00:00
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Com 214.687 votos, Carlos Eduardo (PDT) está eleito para exercer por quatro anos, a partir de janeiro de 2013, o mandato de prefeito de Natal. Ele teve 58,31% dos votos válidos. O deputado Hermano Morais (PMDB), que também concorreu no segundo turno, ficou 153.522 votos, o que corresponde a 41,69% dos válidos. Ainda houve 40.135 eleitores que fizeram a opção de anular  a participação na eleição e 15.749 votaram em “branco”.
Carlos Eduardo comemora com militantes e aliados que estavam em frenta à sede do PDT, logo depois do resultado da apuração
O comparecimento foi 80,56% (424.093 eleitores), o que significa uma abstenção de 19,44%. Com isso, 102.324 pessoas que estavam aptas a votar não compareceram às urnas.

A votação mais expressiva de Carlos Eduardo, proporcionalmente, foi na 69º Zona Eleitoral, que abrange os bairros da Zona Norte de Natal, onde ele teve 63,24% da votação válida, ante 36,76% do adversário.

Hermano Morais teve o maior percentual na 2ª Zona (Lagoa Nova, Tirol,  Quintas, Alecrim, Dix-sept Rosado e Bom Pastor), onde chegou a 56,47% dos votos válidos.

Carlos Eduardo foi eleito com uma coligação formada por nove partidos: PDT (ao qual é filiado), PRB, PTN, PPS, PHS, PSB, PPL, PSD e PCdoB. Tem como vice eleita Wilma de Faria, que foi prefeita por três mandatos e governadora por dois.

O prefeito eleito, na campanha do segundo turno, destacou o compromisso de executar medidas emergenciais já nos primeiros 200 dias de administração. Em declaração à TRIBUNA DO NORTE, ao apontar as razões pelas quais considera que merecia os votos dos natalenses, ele apontou que em duzentos dias vai “normalizar os serviços de limpeza, recuperar a malha viária e colocar unidades de saúde e escolas para funcionar”.

Além disso, apontou também, como prioridades, a retomada das obras “abandonadas pela atual administração”, entre elas as que estavam em execução nos bairros de Nossa Senhora da Apresentação, Capim Macio e na comunidade da África. Destacou também que pretende reiniciar os serviços no Mercado das Rocas e  reabrir o Parque da Cidade, que considera “uma opção de esporte e lazer e um espaço para preservar e difundir a cultura em Natal”.

Segundo o prefeito eleito, é preciso também “realizar as obras de mobilidade urbana, implantar e trazer de volta as estações de transferência para as distâncias mais longas. Para melhorar a saúde, afirmou, será preciso “implantar três novas UPAs e colocar para funcionar as já construídas para atuarem de forma articulada no atendimento de urgência”.

Para que esses compromissos sejam cumpridos, Carlos Eduardo terá que articular uma transição que permita, logo no início da administração, iniciar a execução de medidas emergenciais. O trabalho de transição, anunciou ele ontem, começa amanhã.

Também deverá abrir o diálogo com os governos federal e estadual para desenvolver ações em áreas nas quais é preciso desenvolver projetos em parcerias.

As próximas semanas serão de negociações sobre a transição e para o início do diálogo que vai definir de administração.

Aliados do PDT destacam “compromissos”

Encerrado o pleito, a vice-prefeita eleita, Wilma de Faria, afirmou que o seu partido, o PSB, está unido para ajudar na reconstrução de Natal. “Carlos Eduardo é um grande empreendedor, vai trabalhar buscando investimentos para o desenvolvimento”, afirmou em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, ainda na Escola Estadual Atheneu Norte-rio-grandense, pouco antes do voto de Carlos Eduardo.

“No momento que iniciarmos o governo”, disse a ex-governadora, “vamos fazer o Natal Urgente para tirar a cidade do caos”. No início da noite, já encerrada a apuração dos votos e ao lado do prefeito eleito em seu primeiro pronunciamento, Wilma declarou: “a vitória mostrou que Carlos Eduardo não é só o povo conhece, o povo confia. O povo acredita que se pode fazer muito mais e transformar Natal”.

Ao votar no Colégio Marista de Natal, às 13h32, o deputado estadual Fernando Mineiro (PT), que, neste segundo turno, apoiou o pedetista Carlos Eduardo, disse que aguarda um bom governo. “Esperamos que ele cumpra com o que se comprometeu porque Natal precisa de um bom gestor, que cuide da cidade e resolva os seus problemas”. No 1º turno das eleições, Mineiro foi o candidato do PT à Prefeitura e obteve 85.915 votos (22,63% dos votos válidos).   

O petista lembrou que a seu ver  a prioridade é recuperar a capacidade administrativa do município e redefinir as prioridades. Os aliados comemoraram a vitória. Para a deputada estadual Larissa Rosado (PSB), que disputou a Prefeitura de Mossoró, a eleição de Carlos Eduardo foi “uma vitória dos partidos”. “Ele vai trabalhar muito para que Natal retome o rumo normal de vida, com grandes obras e cuidados com os mais carentes que dependem e precisam da ação da Prefeitura”.

A deputada federal Sandra Rosado (PSB) considerou a vitória consagradora e afirmou que “pela competência de Carlos Eduardo e Wilma, não tem dúvida de que Natal terá todos os serviços recuperados”.

Equipe que vai articular a transição será definida amanhã

Em sua primeira coletiva de imprensa, como prefeito eleito de natal, Carlos Eduardo (PDT) afirmou que, na terça-feira, 30, anuncia a equipe que cuidará da transição. Ontem, no início da noite, antes da festa da vitória, o pedetista não quis adiantar nomes, mas confirmou que, hoje mesmo, a transição começa a ser discutida com sua equipe de campanha.

“Evidentemente, que temos nomes em mente, até porque estamos desde janeiro com especialistas em diversas áreas, que contribuíram para o programa de governo. A gente tem uma ideia de como vai compor isso”, declarou o prefeito. Ele disse que, além de cuidar da transição administrativa, a equipe vai acompanhar a discussão da Lei Orçamento Anual (LOA), que começa a ser discutida amanhã, na Câmara Municipal, no âmbito das comissões.

Segundo o prefeito eleito o orçamento vai ser um dos assuntos importantes da Comissão de Transição. “A equipe vai conversar com a atual administração e, com certeza, vai opinar sobre a questão desse orçamento, até porque é ele que vai determinar muitos rumos da administração em 2013. Será objeto de discussão entre a equipe de transição e os vereadores.”, afirmou Carlos Eduardo.

O orçamento a ser administrado é de R$ 2,180 bilhões. Na sede do PDT, no Tirol, o prefeito eleito foi recebido com aplausos e na saída foi quase carregado por militantes. Inúmeros correligionários e antigos secretários municipais, entre os quais a economista Virgínia Ferreira e a vereadora Sargento Regina, foram ao comitê parabenizar o pedetista pela vitória. Na coletiva de imprensa, o pedetista disse que o apoio do PT foi importante na construção da vitória. “Agora vamos buscar os caminhos para normalizar a vida da cidade, para que Natal mostre sua capacidade de se reinventar”, disse ele.

Voto e comemoração

O prefeito eleito Carlos Eduardo votou na Escola Estadual Atheneu Norte-rio-grandense, acompanhado dos dois filhos, Carlos Eduardo Filho, de dois anos e Sofia Camile, de seis da mulher Andréa Ramalho Alves, às 16h10.  Ele acompanhou a apuração em casa. Depois do resultado, concedeu a entrevista coletiva. A festa da vitória começou por volta das 20h40 horas, com concentração em dois pontos da cidade, na rua São Geraldo, nas Quintas, e em frente a Árvore de Natal, no Mirassol. As duas carreatas se encontraram no cruzamento das avenidas Bernardo Vieira e Hermes da Fonseca, e seguiram em direção à praia, onde a festa teve continuidade.

Bate-papo

Carlos Eduardo, prefeito eleito

“Precisamos nos unir por Natal”

Divergências

“Nós fomos muito atacados. Jogaram contra nós infâmias, calúnias, mas quem teve uma vitória tão expressiva como acabamos de ter não tem o direito de ter a alma pequena. Eu quero dizer que tudo isso ficou para trás, porque a resposta da população lavou a alma. Agora é solicitar a união por Natal. Precisamos nos unir para tirar Natal dessa situação de falência que se encontra. Quero agora só uma coisa: botar Natal de novo na normalidade e no caminho do trabalho e do desenvolvimento”.

Irregularidades

“Não vamos assumir a Prefeitura, olhando pelo retrovisor. Natal está cansada de saber o que se passou nesses quatros anos. Apenas o que estiver de errado, que for ilegal, que for irregular, nós vamos mandar para os órgãos competentes apurarem e cobrarem providências.  O que a população quer é a resolução de seus problemas, e o que queremos é resolver os problemas e é a isso que  vamos nos dedicar”.

Secretariado

“Vamos fazer um secretariado técnico, porque acredito nisso. Não que seja contra político. Evidentemente  que, na democracia, nós temos  as coligações e é natural que os partidos participem das administrações, mas nas áreas  vitais vamos estabelecer o critério técnico porque foi assim que deu certo da primeira vez.  Quem tem bons projetos, sempre consegue os recursos.”

Natal urgente

“A gente falou na força tarefa de 200 dias e vamos fazer o seguinte: nossa prioridade é limpar a cidade, recuperar a malha viária e simultaneamente, priorizar a saúde, que está numa situação lamentável, e garantir o início do ano letivo sem maiores transtornos para a educação do município.”

Dificuldades financeiras

“A gente vai ter um diagnóstico nos próximos dias.  O que posso dizer é que salário é uma coisa sagrada. Ninguém pode atrasar salários. È preciso saber o que vamos encontrar, saber qual é a situação real das dívidas e vê como é que a gente vai enfrentar.”

Contas

“Natal toda viu que esse foi um processo para me tirar da disputa eleitoral. Só teve essa intenção. Eu confio que a justiça vá mais uma vez confirmar toda essa ilegalidade, essa arbitrariedade perpetrada contra uma candidatura, que o povo de Natal hoje de uma forma generosa afirmou sua confiança. Confio plenamente na Justiça.”

PMDB

Nossos compromissos políticos estão nesse arco de aliança que venceu a eleição no 2º turno e se há algum projeto político para 2014 está dentro dessa união. Agora administrativamente eu sou adversário de Rosalba, não sou inimigo. Eu sou adversário de Henrique, de Garibaldi, do PMDB, de José Agripino, do DEM, mas não sou inimigo. Se houver necessidade e Natal vai  precisar disso, eu não vou ter nenhuma dificuldade para pedir a colaboração de qualquer força política”.