O adeus a Carlos Soares, um craque no traço e nas cores vibrantes

Publicação: 2020-01-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Craque do desenho, da anatomia, das pinceladas, da conjugação das cores. Craque também da publicidade, autor de trabalho premiados e de imagens sínteses de grande efeito. Carlos Soares era esse multiartista que mandava bem nas artes plásticas e no design gráfico. Mas seu pincel agora vai descansar sobre a mesa. Aos 62 anos completados no final de dezembro, Carlos Soares não resistiu a dois infartos que lhe acometeram no último sábado e faleceu nesta quarta-feira (15). Seu seputamento acontece na manhã desta quinta-feira (16), no Cemitério de Nova Descoberta.

Créditos: Reprodução/InternetA versatilidade de estilos era uma de suas características. Nas telas, optava por estruturas arquitetônicas com pinceladas rápidas e cores expressivasA versatilidade de estilos era uma de suas características. Nas telas, optava por estruturas arquitetônicas com pinceladas rápidas e cores expressivas
A versatilidade de estilos era uma de suas características. Nas telas, optava por estruturas arquitetônicas com pinceladas rápidas e cores expressivas

Carlos Soares começou nas artes como autodidata, incentivado pela mãe pintora. Ainda garoto já utilizava lápis e caneta esferográfica, principalmente inspirado nos traços das histórias em quadrinhos. Amigo desde o tempo de escola, o jornalista e publicitário Alex Medeiros acompanhou de perto seu desabrochar artístico.

“Estudamos na mesma sala quatro anos juntos no Colégio Winston Churchill. Gostávamos muito de quadrinhos, mas ele tinha algo que eu não tinha, ele desenhava”, lembra Alex. “Fizemos várias revistinhas juntos na escola. Eu escrevia os roteiros pra ele desenhar. Colocávamos na história os caras chatos da escola como vilões, as meninas mais gatas como as mulheres a serem salvas".

Essa dobradinha depois se repetiu na publicidade, quando Alex voltou de uma temporada em São Paulo e Carlos indicou o amigo para a agência Dumbo. “Chegamos a ganhar um prêmio por juntar poesia e outdoor. Foi uma peça sobre fidelidade, ai aproveitei um poema que tinha e fizemos o 'Quem Ana, não Marta'. Depois mudamos de agência juntos, ganhamos outros prêmios”, destaca o jornalista, ressaltando também a proximidade entre as próprias famílias. “Ele acabou casando com minha cunhada. Meu filho é primo da filha dele”.

Créditos: Reprodução/InternetNos últimos anos, Soares se dedicava somente à pinturaNos últimos anos, Soares se dedicava somente à pintura
Nos últimos anos, Soares se dedicava somente à pintura

Em paralelo ao trabalho no mercado publicitário, Carlos Soares trilhou sua carreira nas artes visuais, nunca dando férias ao seu dom criativo, desde o começo quando fazia as capas à bico de pena da revista RN Econômico, até os dias atuais, quando atendia encomendas de arquitetos e decoradores de ambientes. Nos últimos anos, inclusive, já havia largado da publicidade para se dedicar exclusivamente a arte.

A versatilidade de estilos era uma de suas características. Dominava anatomia, mas era chegado também a por na tela estruturas arquitetônicas desformes com pinceladas rápidas e cores expressivas. Fazia o mesmo com figuras típicas, como os cangaceiros, que em alguns quadros apareciam desanuviados. Explorou também o abstracionismo em alguns trabalhos, apoiado nas cores.

“Carlos Soares era um dos artistas mais requisitados de Natal. Por causa da lei municipal que associou a liberação do habite-se a presença de uma obra de arte de artistas potiguar, ele recebia bastante encomendas. Muitos prédios e condomínios da cidade tem telas dele”, comenta Alex, um dos colecionadores de obra do amigo.

Em mais de 40 anos de carreira, Carlos Soares ultrapassou as 300 exposições, dentre individuais e coletivas. Das individuais, destacam-se a Galeria de Artes da Biblioteca Câmara Cascudo, Fundação José Augusto, em 1985; Individual no Centro Cultural São Paulo – Sessão Corrida, Secretaria Municipal de Cultura/Prefeitura do Município de São Paulo em 1987 e Individual na Galeria de Artes da Biblioteca Câmara Cascudo, Fundação José Augusto em 1991.

Créditos: Reprodução/InternetCarlos Soares atuou na arte e na publicidade por 40 anosCarlos Soares atuou na arte e na publicidade por 40 anos
Carlos Soares atuou na arte e na publicidade por 40 anos

Nas coletivas, podem se citadas o I Salão Nacional de Aquarela da FASM, Faculdade Santa Marcelina, Galeria FASM – 1988 em São Paulo/SP, Mostra Tempos e Espaços de Natal, Galeria Metropolitana Aloísio Magalhães, UFRN – 1986 em Recife/PE, Exposição de Rua, Castelo São Jorge – “aquarelas”- 1991 em Lisboa/Portugal.

Das exposições recentes, em 2017 Carlos Soares participou de uma exposição coletiva em Nuremberg – Alemanha e no Rio de Janeiro / RJ. Sob curadoria de Lisandra Miguel (Vivemos Artes). E em 2018, o artista foi o único potiguar selecionado no  projeto “Mares, Cores e Estrelas Guia" e teve uma obra exposta na Arte Borgo Gallery, em Roma, ao de outros trabalhos de profissionais brasileiros. A obra escolhida para a exposição foi “O cangaceiro e a flor de mandacaru".





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