Carros-forte estão na mira do crime

Publicação: 2017-07-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Ricardo Araújo
Repórter

A atuação de associações e organizações criminosas especializadas em assalto a carros-forte fez o número desse tipo de ocorrência aumentar no Rio Grande do Norte. As práticas criminosas com tal fim registradas no primeiro semestre deste ano (4) já somam o dobro de todas as ações criminosas cometidas contra os transportes de valores ao longo de todo o ano passado (2). De acordo com a Divisão Especializada em Combate ao Crime Organizado (Deicor/RN), pelo menos quatro quadrilhas atuam no estado potiguar, divididas entre as que operacionalizam explosões em caixas eletrônicos na capital e as que voltam as atividades criminosas para roubos mais robustos, como os praticados contra os carros que transportam quantias vultosas pelo interior do Estado, na maioria dos casos. Estima-se que, diariamente, circulem nos veículos de valores que cruzam o estado potiguar cerca de R$ 200 milhões.

A Deicor/RN investiga a atuação dessas quadrilhas e confirmou o nome de Rivanildo Pereira de Medeiros chamado de Rambo; e Wênio Rodrigues de Melo, o Bilu; como integrantes de organizações criminosas com alto poderio bélico e articulada com assaltantes de outros estados brasileiros. Ambos são fugitivos da Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP), onde cumpriam pena por roubo majorado e homicídio qualificado. Sobre eles recaem suspeitas de terem atuado nos recentes casos de assaltos às agências bancárias de Monte Alegre.

Organizações criminosos estão investindo em ataques mais robustos, como os praticados contra os carros-forte que transportam quantias vultosas pelo interior do RN
Organizações criminosos estão investindo em ataques mais robustos, como os praticados contra os carros-forte que transportam quantias vultosas pelo interior do RN

Além deles, conforme levantamento da Divisão Especializada em Combate ao Crime Organizado, pelo menos 28 presos, dos 89 que também escaparam da Penitenciária Estadual de Parnamirim em maio deste ano, estão ligados às quadrilhas que atuam nos roubos a bancos e carro-forte.

Eles são filiados ao Sindicato do Crime e o dinheiro roubado financia a compra de drogas para comercialização e manutenção da estrutura criminosa dentro e fora das unidades prisionais do Estado. Para atuarem nos roubos aos carros que transportam valores e também às agências bancárias, a Deicor/RN detalhou que as organizações e associações criminosas que atuam no estado potiguar portam armas de grosso calibre, como a ponto cinquenta, capaz de derrubar um helicóptero. A arma, para chegar ao Rio Grande do Norte, percorre um longo caminho. Sai do Paraguai, passa por São Paulo e, de lá, sobe para o estado potiguar camuflada em cargas. Do Paraguai ao Rio Grande do Norte, segundo apuração da Deicor/RN, a operação custa cerca de R$ 250 mil. Esse tipo de armamento é usado, principalmente, nas ações contra carro-forte que transporta dinheiro pelo interior do RN.

De acordo com a Deicor/RN, a fragilidade na Segurança Pública potiguar é a principal motivadora das ações criminosas no Estado. Em seis meses, pelo menos 41 ações contra bancos e terminais eletrônicos, além de outras 18 contra agências dos Correios, foram registradas. O baixo efetivo de policiais militares e civis na linha de frente – policiamento ostensivo e investigativo – além da escassez de armamentos de grosso calibre para operações contra organizações e associações criminosas, dificulta o combate principalmente no interior do Estado. O número de bandidos que atua nas explosões de agências e terminais eletrônicos, por exemplo, chega a ser cinco vezes maior que o efetivo de policiais militares de alguns municípios potiguares.

Além disso, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RN), de acordo com informações da Deicor/RN, não atua na fiscalização da emissão de placas veiculares, o que contribui para a livre circulação de placas clonadas. Nem mesmo a um ofício enviado pela Deicor/RN sobre o caso, o Detran/RN respondeu. A Divisão Especializada em Combate ao Crime Organizado estima que, somente em Natal, estejam em circulação 200 veículos com placas frias.  Para não deixar de investigar e deflagrar operações para prender suspeitos e apreender equipamentos usados nas ações, a Deicor/RN conta com apoio logístico e operacional, quando da deflagração de ações especiais, de agentes da Deprov, Denarc e Defur. Juntas, as cinco Divisões somam cerca de 60 policiais que se dividem no cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão. 

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