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Economia
Carros, motos e imóveis: potiguares realizam sonhos
Publicado: 00:01:00 - 03/07/2022 Atualizado: 12:06:04 - 02/07/2022
Carros, motos, veículos pesados e imóveis. Esses são os principais segmentos de procura nos consórcios no Rio Grande do Norte. Há casos também de procura por serviços, como cirurgias plásticas, viagens, realização de festas, formaturas, aniversários, entre outros. 
Magnus Nascimento
Maria Tereza da Silva, de 53 anos, entrou no consórcio para trocar o carro, deu um lance e foi contemplada no quinto mês

Maria Tereza da Silva, de 53 anos, entrou no consórcio para trocar o carro, deu um lance e foi contemplada no quinto mês

A potiguar Mariny Avelino, 33 anos, realizou o chamado “sonho da casa própria” em 2019, ao ingressar num consórcio. Antes, tinha dificuldades para um financiamento junto aos bancos, até que conseguiu sair do aluguel logo no quinto mês do consórcio.
“Eu tinha acabado de casar, estava grávida, tinha o sonho de ter minha casa. Conheci o consórcio, me apresentaram essa opção para ter meu imóvel. Decidimos fazer e fomos contemplados com seis meses. Com a carta de crédito, comprei minha casa à vista e fico pagando minhas prestações ao consórcio”, disse.

Quem realizou o sonho recente de possuir sua primeira moto foi o potiguar Francisco Marcelino de Almeida, 40 anos. Como não precisava da motocicleta de imediato, Francisco resolveu apostar  em adquirir o bem a longo prazo, com parcelas que eram ideias dentro de seu orçamento. A entrada no consórcio foi em 2018, e sem ofertar lances, foi contemplado no mês passado e obteve sua moto na última quinta-feira (23).

“Optei pelo consórcio pela taxa de juros ser inferior aos financiamentos, e seria algo a longo prazo, algo na minha programação. Valeu a pena esperar. Foi bem pontual a entrega, achei um pouco demorado, mas como é um consórcio com demanda grande, foi bem justo”, afirma o preparador de veículos, que deve terminar de quitar sua moto no ano que vem. 

Há casos de pessoas que apesar de entrar no consórcio, preferem obter o bem desejado de maneira mais rápida ou até imediata. É o que ocorre nos lances mensais, quando um dos consorciados pode tentar dar o maior lance e ser contemplado.

Essa situação aconteceu com a potiguar Maria Tereza da Silva, 53 anos, que entrou no consórcio para trocar o carro e obter um bem durável e passível de futura venda. Com necessidade mais imediata para pegar o carro, a professora e assistente administrativa ofertou o lance e foi contemplada no quinto mês do consórcio.

“Através de consórcio é meu primeiro carro. O que mais me motivou a escolher o consórcio foi o preço. Quando compramos um produto, você vai para matemática, se paga dois. No consórcio, tem as taxas, mas é bem mais acessível. ”, afirma.

Entre os bens duráveis ofertados nos consórcios, dois deles têm chamado a atenção pelo seu crescimento, segundo projeções da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac). O segmento de imóveis e o de veículos pesados, este último que um a cada três caminhões negociados no mercado interno foram adquiridos pela modalidade . 

“Tem evoluído muito o consórcio de imóveis e veículos pesados, extrapolando aquela questão de que é apenas para sonhos pequenos. O imóvel impacta também o varejo, a questão de comprar a casa, reforma, etc”, comenta Marcel Kitamura, diretor regional da Abac. 

No segmento de veículos pesados, o consórcio registrou sua importância ao proporcionar, de forma econômica e planejada, a renovação ou ampliação de frotas de caminhões, máquinas agrícolas e implementos rodoviários e agrícolas. Potencialmente, um a cada três caminhões negociados no mercado interno foram adquiridos pela modalidade. O agronegócio, fundamental para a economia, também pôde usufruir das vantagens do Sistema para a aquisição de máquinas e equipamentos.

“Ao examinar os resultados anotados de janeiro a abril deste ano, a exemplo do que já ocorria no anterior, observa-se um consumidor mais atento, avaliando suas finanças com critérios pessoais mais exigentes, optando pelos consórcios em muitas oportunidades”, diz Paulo Roberto Rossi, presidente da Abac.

“Independentemente da  finalidade, seja pessoal, profissional, familiar ou até mesmo empresarial, cada decisão financeira, para compra de bens ou contratação de serviços, tem sido analisada e planejada. A escolha do consórcio como meio de aquisição reflete a consciência do consumidor pela simplicidade e economia proporcionadas pela  modalidade”, complementou.

Entenda o funcionamento do sistema de consórcios

Segundo o Banco Central, o consórcio é a reunião de pessoas naturais ou jurídicas em grupo, promovida por administradora de consórcio, com a finalidade de propiciar a seus integrantes, por meio de autofinanciamento, a aquisição de bens e serviços. O grupo de consórcio tem prazo de duração e número de cotas previamente determinados.

No consórcio, os membros do grupo pagam parcelas para formar o fundo comum que permite a compra de bens ou serviços. O valor do item é dividido pela duração do consórcio e cada integrante paga uma parte dele.

Todos os meses, ou em outras periodicidades definidas no contrato, a administradora do consórcio sorteia parte do fundo para um ou mais participantes comprarem o item. Aliado a isso, integrantes podem dar lances e, caso vencedores, são também contemplados.

Cada grupo possui suas particularidades, como prazos e regras de participação. Em todos os grupos, há uma taxa de administração paga aos consórcios, e na maioria dos casos, fundos de reserva e seguros, visando mitigar e controlar a inadimplência.

“Costumo avaliar a inadimplência de quando encerramos esses grupos, quanto é que temos de clientes devedores. É baixa, de 3 a 5% no encerramento de grupos. Quando formamos grupos, que entram muitos participantes, alguns por impulso, e isso culmina numa inadimplência de 15% a 25%. A medida que o grupo vai amadurecendo e ganhando tempo de vida, essa inadimplência tende a reduzir gradativamente”, aponta Rodrigo Freire, diretor do Consórcio Eldorado.

Os consórcios surgiram na década de 60 no Brasil, com um grupo de funcionários do Banco do Brasil. Com a instalação da indústria automobilística no território nacional e com a falta de oferta de crédito direto ao consumidor, os funcionários tiveram a ideia de formar um grupo de amigos, com o objetivo de constituir um fundo suficiente para aquisição de automóveis para todos aqueles que participassem da arrecadação dos recursos. 

Entrevista - Renato Henrique Gurgel Mota (Professor do Departamento de Ciências Contábeis da UFRN)
Cedida


Quais os benefícios e vantagens de se aderir a um sistema de consórcio para adquirir um bem?

Essas vantagens dependem da referência Selic, que é nossa taxa que os bancos têm para definir taxas de juros que serão cobradas em empréstimos e financiamentos. Em 2020, nossa Selic chegou a 2% ao ano, agora está 13% ao ano. Então os bancos vão tê-la como referência e ainda cobrar um pouco mais acima disso para empréstimo e financiamento. O consórcio, muita gente se pergunta se é uma opção de investimento ou financiamento. Não é. O investimento é quando aplicamos um dinheiro e que ele nos retorne um valor maior do que o que já tínhamos. O consórcio, o dinheiro que você vai pagando, ele não rende, e, além disso, tem as taxas de administração. As vantagens, uma das poucas que eu considero, é que para pessoas que não têm boa educação financeira, que não conseguem se planejar. Porque quando se faz, se está tentando juntar um dinheiro para comprar algo no futuro. Hoje temos diversas plataformas digitais que nos ajudam a economizar dinheiro e a juntar. São aplicativos de startups, que você coloca o dinheiro e ele vai rendendo, um pouco até mais que a poupança. O objetivo é que, quando se adquire o consórcio, é juntar o dinheiro. Quando não se tem educação financeira para economizar e comprar algo que a gente queira, tem gente que não consegue. Ela precisa de um boleto para pagar, porque se não tiver, não consegue. Para essas pessoas que não conseguem economizar parte do salário pensando em comprar algo no futuro, o consórcio é vantagem. Mas ressalto que não é um investimento, é algo que a gente paga na busca de juntar dinheiro e que, durante esse tempo, a administradora vai estar cobrando essas taxas, que variam. 

Outra questão do consórcio é a questão da contemplação, que pode ser de imediato ou a longo prazo...

Pode ser contemplado no mês seguinte ou lá no último. Ele vai ser interessante para quem não tem tanta necessidade de se ter esse recurso, seja para adquirir um imóvel, carros motos, etc. Então se não tem pressa, nesses 60 meses, é interessante, mas mesmo assim, se você comparar com um investimento que você conseguiria fazer ao invés de pagar o consórcio, aplicar na conta, seria melhor. Mas quem não consegue fazer isso, tem que ter em mente que o consórcio só vai receber quando for contemplado. Pode dar o lance também e receber a parte, só que esse dinheiro do lance, se você tivesse investindo junto com as parcelas, renderia muito mais num investimento de renda fixa, com uma Selic de 13,25%. Isso é muito bom porque a taxa Selic tenta andar próximo da inflação.

Qual a comparação do consórcio com financiamento?

Fazendo essa comparação, o consórcio é interessante quando a taxa de financiamento é muito alta. Com essa taxa Selic alta, de repente a taxa de administração do consórcio é mais baixa que a do financiamento. Nesse ponto, o consórcio tem uma grande vantagem em relação ao financiamento. A questão é que no financiamento você já recebe o dinheiro de imediato e no consórcio se espera a contemplação ou se o cliente tiver a condição de fazer o lance. O consórcio é interessante nesse momento de taxas de financiamento mais altas. 

Há outras vantagens....

Realmente, é mais simples de se conseguir crédito, em que geralmente as avaliações são simples. Quando se é contemplado, no início ou na metade, já se tem pago boa parte do crédito que se vai receber. Quando se é contemplado no consórcio, se tem o poder de compra interessante, que é o dinheiro na mão e à vista. Outra coisa é a questão de você saber o valor de sua prestação, apesar de se ter financiamentos com prestações fixas, o consórcio é de certa forma fixo, com alguma atualização, mas geralmente é um valor que não varia muito. É menos burocrático que o financiamento, se recebe a carta de uma vez quando for contemplado. No financiamento o banco já paga diretamente à concessionária, no caso de um carro, então você perde o poder de compra com o dinheiro na mão. O planejamento é em função da contemplação e não em função da necessidade de vida. É algo que tem que se pesar. 



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