"Carta a Guillermo ou Fé"

Publicação: 2019-09-22 00:00:00 | Comentários: 0
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Rita de C. Medeiros Homet Mir
medeiroshometmirritadecassia @gmail.com - psicodermatologista

" Eu lhe desejo muita felicidade e alegria. Espero que a vida trate você                                                                                                                                                                     
melhor e também que você tenha tudo que sonhou.
Um beijo
Guillermo
( Cartão de Guillermo em um dos meus aniversários )

Gui, meu nenezinho querido, propositadamente pus dois títulos, visto que,  a FÉ,  creio cada vez mais ser, UM DOM, UM PRESENTE, UMA DÁDIVA concedida por Nosso Bondoso e Maravilhoso Deus. Através dessa dádiva obtemos a paciência e a esperança.     Foi com ESTA FÉ que tive a certeza de que um dia voltaríamos a conviver como convivíamos antes deste turbilhão de acontecimentos que nos distanciou.

Domingo passado ( 15/09/2019 ), testemunhei, com toda a força da minha alma, mente,coração, que valeu a pena manter acesa a chama do AMOR E DA FÉ nas horas difíceis de solidão e desamparo.

Seria impossível imaginar, sonhar, conceber que o convite partiria de você. Fiquei extasiada quando invitou-me à assistir a missa do Convento Santo Antonio. Logo o meu amado convento onde suas paredes e solo ainda encontram-se úmidas pelas lágrimas que foram derramadas por mim nos momentos de desespero . Seu claustro, onde estão São Francisco e Santa Clara (o nome da minha netinha amada, sua filha e da minha querida nora-filha Luciana ) ,também  testemunharam minha tristeza e solidão.

Ali, isolada do mundo, perguntava-me e tentava compreender nosso afastamento, distanciamento, separação, em razão de que  toda a sua infância e adolescência,  nos dois éramos mais que mãe e filho. Éramos companheiros de brincadeiras,  amigos, confidentes e você sempre dizia que,eu era uma mãe diferente. Ouso afirmar que as mães portadoras de hiperatividade e não foram tratadas, são assim: um pouco Mãe-Menina. Fazíamos traquinagens como se nossa idade fosse similar. Andávamos de bicicleta juntos, tomávamos banho de lua na praia do Forte, jogávamos bumerangue  como duas crianças. Recordo-me, como se fosse hoje, que comprei este bumerangue no Chile, achei a pintura que portava belíssima e já me via brincando com você. Ademais destas travessuras, tínhamos programas mais sérios : ir aos circos, aos parques e cinemas, levando sempre dois queridos sobrinhos: Claudinha, minha menininha, e Alexandre Filho, a doçura personificada.

Recordo-me, que numa tarde de Domingo, fomos os quatro assistir Cinema Paradiso, no extinto Cine Rio Verde . Eu, com a minha sensibilidade sempre à flor da pele, chorava, e como tudo em mim é de uma espontaneidade excessiva, e você, apesar de filho, parece, às vezes, um pai mais sério e, portanto, provoquei-lhe profunda irritação, motivando sua imediata mudança de poltrona. É que eu chorava com o corpo todo : soluços, lagrimas super abundantes, hiperbólicas, secreção nasal copiosa, ombros balançando e você disse : Mamãe, você me mata de vergonha!!!. Alexandre Filho ainda permaneceu no lugar, porém , inquieto. Sou convencida do seu amor por mim, mas claro, calculei que estava ficando indócil, já que olhava para trás onde você estava e para mim. Até que num momento de coragem e com aquela meiguice que lhe é peculiar, disse : Tia Rita, você não se incomoda que eu vá para perto de Gui? Depois foi a vez da minha Claudinha.

Claro que compreendi. Era uma mãe e tia que tinha sentimentos infantis ou verdadeiros demais. A maior prova foi que quando o filme acabou e as luzes se acenderam, meu rímel, que  não era à prova d'água, borrou todo o meu rostro . A sua carinha era a de um pai que pega um filho em um ato inadequado !!!Pois é, nenezinho querido de 40 anos, não tenho culpa de ser uma mãe diferente.

Peço muito a Deus para ser uma mãe mais séria, menos "infantilóide", mais madura,principalmente agora que tenho Clarinha amadíssima, minha netinha de 8 anos.

Vejo-me retratada em muitas atitudes de Clarinha. Até esta divisão, como se fosse uma linha imaginária entre nosso lado " sapequinha" hiperativa, e notas exemplares no colégio.

Outros momentos inolvidáveis entre mil outros de nossas vidas foi nossa viagem nos seus 15 anos, onde no divertíamos como duas crianças, exceto quando fomos expulsos do trem na fronteira tcheca às 3 horas da madrugada por dois soldados brutamontes que nos deixaram com as botas enfiadas na neve e você preocupado porque eu disse-lhes o que devia e não devia . Tranquilizei-lhe afirmando  que estes imbecis não entendem português. Não havíamos solicitado o visto para entrar na Republica Tcheca. Voltamos até Dresden, daí a Berlin e conseguimos o visto na Embaixada do Brasil.Foi toda uma epopéia, conseguimos até ser ressarcidos no trecho que havíamos perdido. Enfim, uma odisséia !!!  Nossa viagem é para mim algo inesquecível até hoje.

Perguntava-me, em nosso distanciamento, se você havia esquecido esse momentos tão felizes e plenos de aventura .

Deliberadamente, Deus preparou outro grande milagre. Todas as leituras da missa, inclusive a homilia magnífica do Frei, foi citado o AMOR,ACOLHIMENTO  E O PERDÃO. Sinto, Gui querido, que foi um bálsamo para nossas almas!!!.

Desejo a todos um feliz e abençoado Domingo repleto de FÉ e até o próximo artigo , meus queridos leitores, se o nosso Bondoso e Misericordioso Deus assim o permitir.!!!

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