Casa desaba no Jacó e área tem 80 imóveis interditados

Publicação: 2019-06-13 00:00:00 | Comentários: 0
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Uma casa desabou, na manhã de ontem, numa encosta da comunidade do Jacó, zona Leste de Natal. Os escombros caíram sobre um outro imóvel localizado imediatamente abaixo, mas de acordo com a Defesa Civil Municipal, não houve feridos. A comunidade é uma das áreas da capital sob monitoramento das autoridades e, sempre que chove, potencializa os riscos para quem vive há décadas em edificações frágeis na encosta do morro.

Casa desmoronou devido às chuvas caídas na cidade desde o domingo à noite. No local há outras casas interditadas
Casa desmoronou devido às chuvas caídas na cidade desde o domingo à noite. No local há outras casas interditadas

Os dois imóveis estavam interditados desde o ano de 2014 pela Defesa Civil de Natal. O acidente por pouco não terminou em tragédia porque, na casa atingida pelos escombros reside uma família, que de acordo com técnicos da Prefeitura de Natal resiste em deixar o local. Um dos cômodos foi atingido por pedaços de alvenaria que desceram pela encosta.

A família precisou deixar o local e, de acordo com a Defesa Civil, a Prefeitura estava providenciando um outro imóvel para acomodá-los. Somente nessa comunidade, de acordo com a diretora de Ações Preventivas da Defesa Civil, Luciana Medeiros, foram interditadas 80 casas desde 2014. Algumas delas, no entanto, ainda habitadas por famílias que não entendem o risco iminente de um grave acidente. “Elas resistem, mesmo havendo um trabalho conjunto nosso com outras secretarias no sentido de realocar”, explica.

Na noite da última terça-feira, em função das chuvas, os técnicos da Defesa Civil estiveram na comunidade do Jacó porque a água aumentou o tamanho de uma cratera na rua Lins Bahia, localizada na parte mais alta do morro. O alicerce de algumas casas ficou exposto e há risco de deslizamento. As casas abaixo dessa área estão interditadas e desocupadas.

“O mês de maio, normalmente bastante chuvoso no litoral, teve precipitações abaixo do esperado, segundo relatou hoje (ontem) a Emparn. Mas já fomos alertados por eles que essa chuva vem com mais frequência agora em junho”, disse Luciana. Apesar do acidente registrado nessa quarta-feira, na comunidade do Jacó, a preocupação maior das autoridades é quanto as encostas do bairro de Mãe Luíza. “É um local bem mais instável que, às vezes em função das obras da escadaria, as pessoas tendem pensar que não há mais riscos”, alerta a coordenadora. Especialmente um trecho da encosta voltado à orla — um muro de arrimo construído pela Prefeitura entre as ruas Atalaia e Camaragibe —, onde os técnicos já detectaram deslocamento da estrutura.

Luciana explica que esse muro de arrimo foi refeito pela Prefeitura como medida paliativa diante da instabilidade da encosta, totalmente ocupada por imóveis. E, após a construção, já em inspeções de rotina, constatou-se que os moradores usaram a estrutura de concreto como alicerce para algumas casas. “Elas [as casas] têm parte das paredes sobre esse muro”.

A comunidade de Mãe Luíza tem diversos imóveis interditados — a Defesa Civil não soube informar a quantidade no momento da apuração da reportagem —, mas parte deles com o mesmo problema enfrentado pelas autoridades na comunidade do Jacó: as famílias resistem sair do local. Os riscos dessas duas áreas de encosta, na mesma região da capital, são motivos de ações do Ministério Público Estadual que cobra ações definitivas à Prefeitura de Natal porque entende haver ali risco de uma tragédia.

Em 2014, durante a estação chuvosa para o Litoral, uma enorme cratera destruiu vários imóveis, com mais de uma dezena de famílias desalojadas em Mãe Luíza. À época, um homem morreu ao tentar desobstruir a entrada de uma galeria. No local, a Prefeitura construiu uma escadaria de acesso à orla. Mas até hoje, parte das famílias que perderam suas casas aguardam a construção de novos imóveis e vivem em casas alugadas e pagas pelo Executivo Municipal.






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