Casão, que papelão

Publicação: 2019-10-23 00:00:00 | Comentários: 0
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Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

 O ex-jogador e comentarista Walter Casagrande Júnior “Galvanizou” de vez. A convivência demorada com o locutor Galvão Bueno parece que contagiou o razoável analista e antigo péssimo centroavante, daqueles toscos, de atropelar a bola a caneladas. Casagrande foi de seleção. Ele e Neto, o insuportável. A força da camisa do Corinthians. Neto foi reserva no Bangu e ninguém lembra. No futebol equatoriano e também esqueceram. Neto fica para um outro texto.

Casagrande surgiu no início dos anos 1980 na onda das mudanças no país, com o movimento das Diretas Já e, sobretudo, pela sacada do Doutor Sócrates, criador da Democracia Corintiana. Sócrates não era chegado a treino e a Democracia Corintiana aboliu até exercício físico.

 O Timão era um timaço, com o Doutor, Wladimir, Zenon, Eduardo Amorim e uns três ou quatro medianos. Casagrade, agora “Casão”, aprontava mais fora de campo, fumando maconha, sendo preso pelos homens da temida Rota da PM paulista e ostentando um modelito-padrão rock and roll rebelde. Fazia gol, mas com Sócrates e Zenon me tocando a bola, eu seria artilheiro. Casão jogava de meia arriada, traço do mau peladeiro.

 No Corinthians, Casagrande foi campeão em 1982, 1983 e 1995, quando fez parte do elenco da Copa do Brasil mais por gratidão da torcida. Bola mesmo, dele passou longe. Foi à Copa do Mundo de 1986 por invenção de Telê Santana, talvez em homenagem ao desastroso Serginho Chulapa de quatro anos. Perdeu a posição para um nobre de grande área: Careca, do São Paulo, futuro companheiro de ataque de Diego Maradona, no Nápoli da Itália.

 Jogar no ataque requer, muito mais técnica do que trancos, barrancos e caneladas. Os grandes centroavantes da Era Casão foram Reinaldo, Careca, Cláudio Adão, Roberto Dinamite e, mais adiante, Romário, Bebeto, Edmar do Guarani, Cruzeiro e do próprio Corinthians, que tanto armava quanto finalizava.

 Romário foi o melhor de todos. É insuspeito o depoimento do gênio Tostão, quando perguntado se o Baixinho teria vaga na seleção brasileira de 1970, cujo ataque era Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino. “Eu  daria meu lugar a Romário. Ninguém foi tão espetacular quanto ele. Ninguém será igual a ele como artilheiro de recursos imprevisíveis”.

 Concordo com Tostão. Casão não. Casagrande acha que o maior atacante mundial foi o holandês Van Basten, sumidade, daquela geração dourada do Milan nos anos 1980 e que tanto apanhou de Maradona. Guillit, Van Basten e Franklin "Frank" Edmundo Rijkaard jogavam lindamente e deixaram nos românticos a esperança da repetição de 1974, de Cruijff e Neeskens. Conquistaram a Eurocopa em 1988 e, dois anos depois, se equipararam ao Brasil de Lazaroni, eliminados nas oitavas de finais.

 Van Basten foi um atacante luminoso. Suas passadas de gazela deixavam qualquer beque em desespero e a simetria de pensamento com Gullit os fazia saber a colocação exata um do outro em campo. Foi um monstro. Casão não erra quanto elogia Van Basten. É tacanho quando esquece Romário.

 E a razão é uma vindita mesquinha. Boca de pimenta, Romário reagiu às críticas de Casagrande em determinado jogo antes do milésimo gol(que ele, Casão, também contestava a veracidade). Romário chamou Casagrande a um desafio e fez mais:

 - Casagrande nunca jogou porra nenhuma.

 Cá para nós, concordo inteiramente com o Baixinho. Casagrande esperou, esperou e achou a hora que considerava certa para destilar o veneno. Nunca haverá um atacante igual a Romário. Se vivo fosse, o holandês Cruijjf passaria um pito no comentarista da Globo. Dá até rima. Galvão, Casão, gozação.

Cruijjf chamou Romário de “o gênio da área.”

Casagrande, ele nunca viu jogar com aquelas canelas se enroscando. Ficou feio, Casão. Tão feio foi quando você abandonou Sócrates alcóolatra e, retardatário, tentou fazer as pazes. Sócrates estava morto. E mais, Casão: falta-lhe topete para um duelo com Romário.

O ex-jogador e comentarista Casagrande

Jailson
Puxando a brasa para a sardinha local, é bom de bola o meia Jailson, contratado pelo ABC. Eis a vantagem de Diá. Só traz quem ele conhece. Jailson foi o principal articulador do Santa Cruz(PE) durante a Série C do Brasileirão.
 
Wilson
Também gostei dos lances que vi do meia Wilson, contratado pelo América. Típico meia enjoado e canhoto, que dá o corte para dentro e bate no gol. Futebol é privilégio de quem sabe jogar, não troglodita.

Museu do Atleta
O Museu do Atleta é obra do então governador Garibaldi Filho. Auxiliar não tem voto, o gestor foi eleito. Enquanto Garibaldi governou, deu para segurar. Depois, ranços e incompetência aniquilaram a obra. Hoje, foco de dengue e chikungunya.

Especialista
Museologia. É um curso superior de quatro anos. O Museólogo atua no planejamento, na gestão e no acompanhamento de projetos. Museu não é brincadeira, factoide nem função de servidor público sem a devida qualificação. Puxar saco não é mérito.

Luxemburgo
É o novo padroeiro do Vasco.


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