Caso Gabriel: população cobra investigação e justiça

Publicação: 2020-06-16 00:00:00
A+ A-
Tales Lobo
Repórter

“Justiça por Gabriel”. É o que pediam populares em manifestação durante a manhã desta segunda-feira, 15, no bairro Guarapes, zona Oeste de Natal. Giovanne Gabriel de Souza Gomes, 18 anos, passou nove dias desaparecido: da sexta-feira, 5 de junho, até o último domingo, 14, quando o corpo do jovem foi encontrado num matagal na região de São José de Mipibu, e identificado pela família através de fotografias. A Polícia Civil informou, sem detalhes, que investiga o caso.

Créditos: Magnus NascimentoVizinhos de Giovanne Gabriel fizeram protesto no Bairro Guarapes cobrando investigação e justiçaVizinhos de Giovanne Gabriel fizeram protesto no Bairro Guarapes cobrando investigação e justiça


Centenas de pessoas percorreram as ruas do bairro, no final da manhã e início da tarde desta segunda-feira para pressionar o Poder Público a buscar os responsáveis pela morte de Gabriel.

“Maior do que a dor é a revolta. Pedimos por justiça, para ter uma investigação. Independentemente de quem tenha feito ou mandado. Foi uma execução” declarou Priscila Souza, mãe de Gabriel. “Se meu menino fosse uma má pessoa, não teria esse acolhimento da população. Todo mundo está sentindo, chorando a falta dele. Meu filho era um menino de ouro, um menino bom, que não fazia mal a uma formiga”, complementou o pai do rapaz, Jeová Gomes. 

Quando Gabriel desapareceu, no dia 5, estava a caminho da casa da namorada, que mora em Parnamirim. De acordo com familiares do rapaz, ele costumava fazer esse trajeto cerca de uma vez por semana, sempre de bicicleta, e nunca teve problemas. Após perceber a demora de Gabriel, sua namorada ligou para a mãe dele, em busca de notícias, mas, desde então, ele não foi mais visto.

“Muita angústia. A gente fica na expectativa, pensando se meu filho está vivo, como está.... É uma coisa que a gente não esquece nunca. Só Deus para confortar” afirmou Jeová Gomes, pai de Gabriel, sobre a aflição durante o desaparecimento e a falta de notícias do filho.

Parentes de Gabriel fizeram questão de ressaltar, durante o ato que cobrou respostas pela morte precoce do estudante, que ele não tinha envolvimento com nenhum tipo de prática criminosa. Gostava de ficar em casa, jogando pelo celular com a namorada, era estudioso e dava atenção à família. “Ele trabalhava, fazia curso. Só estava parado devido à pandemia. Sempre muito família. Nunca foi de fumar, beber, não gostava de festa. Sempre era aquele menino de casa, chegava do serviço e ia para o quarto jogar com a namorada”, contou Priscila Souza, mãe de Gabriel.

Com os pais separados, Gabriel morava com a mãe e ajudava o padrasto com alguns serviços na área de construção civil. “Um menino ótimo que nunca deu trabalho, nunca deu dor de cabeça. Não tinha envolvimento com nada. Era de casa para o trabalho. Trabalhava com o padrasto dele”, citou Jeová Gomes, pai do estudante.

O único desentendimento, citado pela família, envolvendo Gabriel, foi com o pai da namorada, que não aceitava o relacionamento do rapaz com sua filha. No entanto, a situação parece ter sido resolvida. “Ele aceitava, mas não engolia o namoro. Deixava porque o menino (Gabriel) gostava muito dela. Gabriel só ia lá quando ele (pai da namorada) deixava”, apontou Jeová.

Investigação
A investigação está a cargo da Delegacia Especializada de Capturas (DECAP) e Polinter da Polícia Civil. O responsável pelo Caso, delegado Cláudio Henrique, preferiu não dar detalhes da apuração, para evitar interferências. O Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP), confirmou no início da noite desta segunda-feira, 15, após a comparação das impressões digitais, que o corpo encontrado no domingo é o de Gabriel. Mesmo antes da confirmação oficial, os pais do rapaz já davam como certa sua identidade. 

“Eu fui fazer o reconhecimento, a mãe dele não teve coragem de ir. Reconheci pela roupa que ele estava. Eu tinha dado um relógio de presente, que ele estava usando. Como a mãe dele não teve força de entrar, eu bati uma foto e mostrei. Ela reconheceu e não teve dúvida que era ele (Gabriel)”, relatou Jeová Gomes. O corpo já foi liberado pelo Itep, mas a família ainda não divulgou local e horário do velório.
Ainda segundo os pais de Gabriel, o corpo do rapaz foi encontrado em uma região de mata em São José de Mipibu, com marca de tiro na cabeça e com as mãos amarradas, o que aparenta sinais de execução. “Quem pegou ele já sabia o que ia fazer. Amarraram os braços dele e deram um tiro na nuca. Só foi um tiro. Na Nuca. Pegaram ele já pra matar”, revelou a mãe do rapaz, Priscila Souza.

Em nota, a Polícia Civil informou que o desaparecimento de Gabriel foi registrado no dia 6 de junho e deu início às investigações, que “desde então se encontram sob sigilo, inerente a quaisquer apurações relativas a crimes”. A Polícia Civil também afirmou que “todos os esforços estão sendo empreendidos para a elucidação do caso, buscando dar uma resposta à família e à sociedade, com a identificação e responsabilização do(s) autor(es) do crime”.

Após notícias de que pessoas haviam visto Gabriel ser abordado por policiais, a Polícia Militar esclareceu que não existe confirmação oficial dessas informações. Portanto, não há uma investigação interna na Corporação.

Em publicação na sua conta do Twitter, a governadora Fátima Bezerra determinou à Polícia Civil “todo o empenho" e “todo rigor" para elucidar a morte de Gabriel. Fátima Bezerra contou que falou com a mãe da vítima, Priscila Souza, e expressou sua indignação e solidariedade à família. "E disse a ela: já entrei em contato com nossas forças de segurança, com a delegada-geral Ana Cláudia, e determinei que todo o empenho seja feito no processo de investigação, todo o rigor. Nossa juventude não merece um destino tão cruel", afirmou.