Caso José Carlos: 6 meses sem solução

Publicação: 2021-04-08 00:00:00
Ícaro Carvalho
Repórter

Passados quase seis meses da morte de José Carlos da Silva, de 8 anos, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte ainda não apresentou o Inquérito Criminal do caso ao Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (MPRN). Até hoje, nenhum suspeito pelo sumiço e posterior assassinato da criança ninguém foi preso. As diligências são feitas de forma sigilosa para não atrapalhar o andamento do Inquérito, segundo a própria Polícia Civil. A família da criança segue procurando uma resposta para o crime, além de cobrar justiça e celeridade nas investigações.

Créditos: Magnus NascimentoOzenilda das Dores carrega no nome o sentimento desde que o filho de oito anos sumiu e posteriormente foi encontrado sem vidaOzenilda das Dores carrega no nome o sentimento desde que o filho de oito anos sumiu e posteriormente foi encontrado sem vida

José Carlos da Silva desapareceu no dia 21 de outubro passado. Seu corpo foi encontrado no dia 12 de novembro em processo de esqueletização. O cadáver foi descoberto por populares por acaso, que usavam um terreno baldio como desvio para se deslocarem até à Avenida Moema Tinôco. O corpo estava numa área de matagal distante 400 metros da casa na qual morava, na comunidade Rio Doce, que fica entre o bairro Pajuçara e Redinha, zona Norte de Natal. 

A mãe de José Carlos, a dona de casa Ozenilda das Dores da Silva, 37 anos, diz que ela e os outros cinco irmãos sentem muita falta da criança, considerado um bom filho e amigo. “É muito difícil. Não vou sossegar enquanto não encontrar quem matou ele”, comentou em entrevista à TRIBUNA DO NORTE.

Segurando um porta-retrato com a foto de José Carlos, Ozenilda pede respostas sobre a morte do filho que teria completado 9 anos no último dia 11 de fevereiro.

“Não vi a (Polícia) Civil mais por aqui. Pra mim, o caso está parado. Queria ver se fosse o filho deles. Enquanto não acharem eu não sossego. Um filho é tudo para uma mãe”, declarou chorando. 

Investigação
O Inquérito Criminal está sendo conduzido pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), através do delegado Cláudio Henrique Freitas, que também atua no Núcleo de Investigação Sobre Pessoas Desaparecidas (NIPD). O Boletim de Ocorrência foi registrado no dia 22 de outubro, e desde então a Polícia Civil trabalha nas oitivas para solucionar o crime e prender os suspeitos. Apesar do sigilo nas investigações, a Polícia Civil garantiu à TRIBUNA DO NORTE que as diligências seguem em andamento. 

As últimas informações divulgadas sobre o crime foram a respeito de uma mancha de sangue encontrada numa folha perto do local em que o corpo da criança estava parcialmente enterrado. Em dezembro do ano passado, o Instituto Técnico Científico de Perícia (Itep/RN) divulgou que o sangue não era de José Carlos, mas que a informação poderia ser utilizada nas investigações e na identificação de um possível suspeito.

Antes, o Itep já havia feito outra perícia no local do crime, no momento em que o corpo foi encontrado. No dia 19 de dezembro foi constatado que o corpo encontrado em processo de esqueletização pertencia de fato a José Carlos da Silva, após sequenciamento genético por exame de DNA. Na certidão de óbito, a causa da morte foi registrada como “inconclusiva”.

Relembre o caso
José Carlos, de 8 anos, desapareceu dia 21 de outubro. Ele foi visto pela última vez nas proximidades do Rio Doce, na zona Norte, quando saiu de casa para levar um suco para o irmão que estava trabalhando no semáforo do cruzamento das Avs. João Medeiros Filho e Moema Tinôco. Um dia depois, a família registrou um BO na Polícia Civil, que passou a investigar o sumiço da criança. Familiares e amigos promoveram protestos cobrando agilidade e buscas sobre o desaparecimento e fizeram buscas por conta própria.

O corpo de José Carlos foi encontrado por pessoas que passavam pelo terreno e sentiram o forte odor vindo de uma parte desnivelada, de difícil acesso, próximo a um lago, no bairro Pajuçara. Ao lado do corpo, uma bolsa foi encontrada, que foi posteriormente identificada como pertencente a José Carlos. As roupas que estavam junto ao corpo eram as mesmas que o garoto utilizava quando sumiu. Durante as investigações do caso, cães farejadores do Corpo de Bombeiros da Paraíba foram utilizados nas buscas por pistas onde o garoto pudesse ter caminhado antes de sumir.  Durante os trabalhos com os cães, os bombeiros da Paraíba mostraram uma roupa de José Carlos para que os animais pudessem farejar algum rastro nas imediações da casa do menino. Durante investigações, em novembro de 2020, o delegado Cláudio Freitas disse que os animais chegaram a entrar na região descampada onde o corpo de José Carlos estava enterrado, mas um erro de operação pode ter acontecido na utilização dos animais nas buscas, e por isso o corpo não chegou a ser visto pelos cães.