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Natal
Casos confirmados de Covid-19 avançam na periferia de Natal
Publicado: 00:00:00 - 21/04/2020 Atualizado: 22:04:46 - 20/04/2020
Luiz Henrique Gomes
Mariana Ceci
Repórter

A redução gradual do isolamento social no Rio Grande do Norte, que até esta segunda-feira, 20, estava sendo cumprido por 50,8% da população do Estado, de acordo com a plataforma In Loco de geolocalização, preocupa autoridades de saúde. Atualmente, apenas 18, dos 167 municípios potiguares, ainda não registram casos suspeitos ou confirmados da doença e, em Natal, onde concentra-se a maior quantidade de casos - 212 até a segunda-feira -, o Coronavírus está cada vez mais presente em bairros das zonas Norte e Oeste, os mais populosos da cidade. De acordo com o secretário adjunto da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN), Petrônio Spinelli, as autoridades temem um “surto nos locais de atual calmaria” nos próximos 15 dias. 

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No último sábado, 19, o seretário adjunto já havia alertado para os perigos da redução do isolamento. De acordo com ele, o ideal seria que o Estado mantivesse uma faixa de, pelo menos, 60% de adesão ao decreto do Governo do Estado. “Tudo que alcançamos em termos de vigilância e assistência e que está permitindo um crescimento controlado da doença pode ser anulado se o isolamento for rompido”, disse Spinellli na ocasião. 

De acordo com o secretário, bairros e cidades que possuem um baixo número de casos confirmados ou notificados podem estar sujeitos a um risco maior daqui a duas semanas. “Quando você tem uma cidade que não tem nenum caso confirmado e as pessoas por esse motivo não conseguem enxergar a gravidade da situação, podemos ter uma disseminação ainda mais intensa. Cidades mais calmas podem ser cidades que, daqui a 10, 15 dias, pode estar em uma situação mais grave”, afirmou o secretário-adjunto. 

A mesma lógica é aplicada para os bairros da periferia de Natal que, apesar de ainda terem uma quantidade inferior de casos aos bairros de Tirol, Petrópolis, Ponta Negra e Lagoa Nova, já começam a apresentar novos registros em velocidade maior. “Muitos bairros ainda não estão vendo a doença, então estão em um processo de relaxamento que pode levar à disseminação generalizada naqueles bairros. Não vamos subestimar: todos os bairros de Natal e cidades do interior precisam ser considerados riscos de explosão de casos a partir do relaxamento”, destacou Spinelli.

De acordo com o pesquisador Rodrigo Silva, do Laboratório de Inovações em Saúde (LAIS), instituição vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e que atua no Comitê Científico criado para monitorar e orientar autoridades a respeito da doença, a disseminação dos casos por mais bairros da zona Norte chama atenção.

Até o dia 15 de abril, quando a capital possuía 159 casos confirmados da doença, apenas três bairros da maior e mais populosa zona da cidade, a Norte, possuíam registros de Covid-19: Nossa Senhora da Apresentação, com 6,32% dos registros confirmados; Potengi, com 5,26% dos casos; e Pajuçara, com 4,21%. 

Nesta segunda-feira, os dados mais atualizados do LAIS informavam que, além dos três que já tinham casos confirmados, também havia novos casos em Lagoa Azul, Redinha e Igapó. “A doença está se espalhando. Até semana retrasada, a gente só tinha um caso na zona Norte. Hoje, o mapa está semelhante ao do resto da cidade”, declarou Rodrigo Silva.

Aglomerações 
No mesmo dia, em diversos pontos da zona Norte, aglomerações podiam ser vistas na frente de bancos ou supermercados, com pessoas desprotegidas, em máscaras ou luvas, e sem respeito à distância mínima considerada segura pela Organização Mundial de Saúde, de 1,5m ou 2m entre um cidadão e outro. 

Autoridades de saúde já alertam, desde a chegada da doença ao país, ao risco que a disseminação do novo coronavírus poderia representar para as periferias e cidades do interior onde há déficit na assistência em saúde. Até o momento, no entanto, não há planos de contingência específicos para essas áreas, onde grande parte da população continua tendo que trabalhar diariamente e circular utilizando o transporte público. 

“É importante entender que as medidas que são tomadas, no sentido normativo dos decretos, têm um alcance previsto. Isso serviria para qualquer âmbito da sociedade. O problema é a percepção da doença, que pode influenciar em uma variável, que é o comportamento da população”, explicou o secretário adjunto Antônio Spinelli. 

Monitoramento
Há duas formas de acompanhar o monitoramento a respeito da adesão da população aos decretos de isolamento social publicados pelo Governo do Estado e municípios. A In Loco, empresa de tecnologia, criou um índice de Isolamento Social, a partir de uma tecnologia que abarca cerca de 60 milhões de brasileiros, de forma anônima, sem desrespeitar a privacidade dos usuários. De acordo com os dados mais recentes da empresa, datados de 18 de abril, o Estado que registrou maior adesão ao isolamento social foi Goiás, com 57,46%. O Rio Grande do Norte aparece apenas na 14ª posição, com 50,62% de adesão no dia 18.

Além disso, o LAIS também criou uma plataforma que permite acompanhar a evolução do isolamento no RN a partir de outras bases de dados. 

A primeira, reúne informações do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que está fazendo pesquisas em todas as capitais do país, coletando dados de tráfego urbano a partir do aplicativo Waze, também com permissão dos usuários e anonimato assegurado. A segunda base de dados vem a partir do Google, coletados e divulgados pela própria empresa.

De acordo com os dados do LAIS, o Rio Grande do NOote tem apresentado “picos" de saídas às ruas - como na semana anterior ao decreto que restringia o horário de funcionamento dos supermercados, quando o isolamento caiu para 47,23% e no último domingo, 18, quando comerciantes saíram às ruas para protestar pelo fim do isolamento e provocaram um aumento de 17,26% no tráfego na cidade -. 

“O estudo é amostral. Ele não representa 100% da sociedade, mas nos permite ter uma ideia e fazer algumas análises. Por exemplo: é possível ver que há certa parte da população que está resguardada, mas, quando olhamos para os dados de evolução da doença, vemos que isso não representa a totalidade da sociedade, e que a tendência do isolamento está sendo cair ao longo das semanas", explicou o pesquisador Rodrigo Silva.







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