Casos de caxumba triplicam em 2019 no RN

Publicação: 2019-09-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Mariana Ceci
Repórter

O sarampo não é a única doença que está voltando a assustar os brasileiros. De acordo com dados da Secretaria do Estado de Saúde Pública (Sesap), o número de casos de  caxumba mais do que triplicou no Rio Grande do Norte em 2019. Este ano, 29 casos de caxumba já foram confirmados no Estado, onde a cobertura vacinal atingiu apenas 50,8% do público-alvo.  Em 2018, nove casos da doença haviam sido confirmados pelos órgãos de saúde pública – nenhum deles na capital do Estado. Assim como o sarampo, a prevenção da caxumba está atrelada à vacina tríplice viral.

A vacinação das crianças é a única forma de prevenir a doença, transmitida através de contato com a secreção das vias aéreas
A vacinação das crianças é a única forma de prevenir a doença, transmitida através de contato com a secreção das vias aéreas

Este ano, no entanto, os números mostram uma realidade diferente: dos 29 casos confirmados, 14 estão na capital do Estado, que em 2018 não possuía nenhuma notificação da doença. São Gonçalo do Amarante e Nísia Floresta, dois municípios próximos à capital, concentram a segunda maior quantidade de notificações, com três casos confirmados em cada.

Desde 2018, considerado até então o pior ano de cobertura vacinal do Estado nos últimos 10 anos,  o RN não atinge a cobertura ideal projetada pelo Ministério da Saúde, que é de 95%. No ano passado, 88,08% do público-alvo da campanha foi imunizado com a tríplice viral.

Em 2019, a cobertura registrou uma queda de 38%, e apenas 50,08% das crianças receberam a dose obrigatória da vacina. O dado coloca o RN dentro do grupo de Estados que não atingiram sequer 75% da cobertura, ao lado do Rio de Janeiro, Bahia, Piauí e São Paulo.

Há tempos, autoridades da área de saúde pública vêm alertando para o risco de retorno dessa e de outras doenças que estavam "desaparecidas", como é o caso do sarampo. A única das doenças   prevenidas através da vacina tríplice viral que ainda não registrou retorno ao RN foi a rubéola, que não teve casos registrados nem em 2018, nem em 2019.

Provocada pelo paramyxovirus, a caxumba é caracterizada pelo inchaço das glândulas responsáveis pela produção de saliva, popularmente conhecido como “papeira”. Os sintomas mais característicos da doença são inchaço e dor nas laterais do pescoço e abaixo do maxilar, na região onde as glândulas ficam localizadas, náusea, vômito e dores de cabeça.

Nos casos mais graves da doença, podem surgir inflamações no pâncreas (pancreatite) e nas meninges. Nas mulheres acima de 15 anos de idade, a infecção pode atingir os ovários e, nos homens, os testículos.

A transmissão da caxumba acontece pelo contato direto com secreções das vias aéreas da pessoa infectada, de dois a nove dias depois do aparecimento dos sintomas. Uma pessoa que já contraiu a doença em algum momento da vida pode pegá-la novamente, e a doença não possui tratamento, sendo recomendado repouso e boa alimentação às pessoas que contraíram a doença.

A forma de prevenção da doença está na vacina tríplice viral, uma das quatro vacinas obrigatórias para recém-nascidos e crianças no Brasil, disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A primeira dose da Tríplice Viral deve ser tomada aos 12 meses, e a segunda, aos 15.

As outras vacinas obrigatórias são a pentavalente, que protege contra a difteria, tétano, coqueluche e Hepatite B, a da Pólio, que previne contra a poliomielite, doença altamente contagiosa que provoca a paralisia infantil, e a Pneumo 10, que protege as crianças contra infecções como pneumonia, meningite e otite. Todas essas vacinas estão disponibilizadas de forma gratuita no SUS para o público-alvo.

Devido ao surto de sarampo registrado no país, o Ministério da Saúde aumentou a quantidade de doses que estão sendo distribuídas para os Estados. No Rio Grande do Norte, a quantidade de vacinas disponibilizadas nas unidades de saúde aumentou em 70%. O Estado tem três casos confirmados de sarampo, e outros 12 estão em investigação pela Sesap.

Números
29  casos de caxumba fora registrados este ano no Estado, sendo 14 em Natal.

50,8% é o índice de cobertura vacinal deste ano da tríplice viral que combate a caxumba, o sarampo e a rubéola.

95% é o índice de cobertura preconizado pelo Ministério da Saúde para o público alvo da tríplice viral.





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