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Casos de HIV crescem no Rio Grande do Norte 93% em 10 anos
Publicado: 07:50:00 - 05/12/2021 Atualizado: 08:08:43 - 05/12/2021
Entre os anos de 2010 e 2020, os casos de infecção pelo HIV no Rio Grande do Norte cresceram 93,1%. Isso significa a ocorrência de 6.158 casos no período. Os dados constam no mais recente Boletim Epidemiológico HIV/Aids da Secretaria de Estado da Saúde Pública  e foram analisados por médicos e multiprofissionais do Instituto Santos Dumont (ISD), em Macaíba. No estado, o documento detalha aumento de registros de casos em todas as faixas etárias, em ambos os sexos, assim como entre grávidas e na ocorrência de óbitos pela infecção. Na quarta-feira, 1º de dezembro, ações em todo o mundo foram dedicadas ao Dia Mundial da Aids, doença que já matou 33 milhões de pessoas desde sua descoberta, nos anos 1980.

Ascom/ISD
Dados do Boletim Epidemiológico da Sesap mostram que taxas como a de detecção e de grávidas e crianças expostas aumentaram

Dados do Boletim Epidemiológico da Sesap mostram que taxas como a de detecção e de grávidas e crianças expostas aumentaram

 
O Boletim em referência foi elaborado pelo Programa Estadual de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), Aids e Hepatites Virais. Ele apresenta uma análise epidemiológica sobre os casos confirmados de Aids em adultos e crianças, de mortalidade pela doença, de infecção pelo vírus HIV, de grávidas infectadas e de crianças expostas ao vírus. Conforme exposto, entre 2010 e 2020, o Rio Grande do Norte apresentou 6.232 casos de Aids. Desses, 70 foram em menores de cinco anos de idade; 6.158 casos de infecção pelo HIV; 995 gestantes infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana. O número de óbitos pela doença, no período analisado, chegou a 1.365.

Em termos percentuais, somente a taxa de detecção do vírus em menores de cinco anos caiu no período: 43%. As demais aumentaram significativamente. A detecção do HIV cresceu 18,6% (de 14,0 para 16,6 casos por 100 mil habitantes). A ocorrência de gestantes infectadas pelo HIV aumentou 142% (de 1,2 para 2,9 casos por mil nascidos vivos). O número de crianças expostas ao vírus teve a evolução mais dramática: 877% de 2010 a 2020. A ocorrência de óbitos causados pela Aids cresceu, no mesmo intervalo, 15,7% em todo o Rio Grande do Norte.

“É uma doença de difícil controle. Depende do comportamento das pessoas. Há uma queda no uso de preservativos, principalmente entre os jovens. Em 2020, houve queda no número de testes e aumento na identificação de casos. Depende muito de cada um. Ações nas escolas, de forma educativa para os adolescentes, são muito importantes. Quanto mais informação, melhor é a prevenção. Isso não tem sido realizado nas escolas públicas e privadas, por exemplo. O estado está preparado para esse aumento de demanda de casos, para atendimento de pacientes com HIV e Aids, com distribuição gratuita de medicamentos enviados pelo Ministério da Saúde. O ideal, porém, é conscientizar a população para a prevenção. Não é porque a Aids não mata mais como antes que as pessoas devem perder o medo de contrair a doença”, frisa Amanda Dantas, técnica do Programa Estadual de IST, Aids e Hepatites Virais da Sesap/RN.
 
Na década em questão, foram registrados 4.441 casos em homens (71,3%) e 1.791 casos em mulheres (28,7%). A Sesap verificou aumento na razão de sexos em 2020, com 3 casos em homens para cada 1 caso em mulheres. A maior concentração de ocorrência de HIV entre 2010 e 2020, foi observada nos indivíduos com idade de 30 a 39 anos (31,1%). A principal via de transmissão, no período analisado, foi a sexual, em 53% dos casos. Entre os homens, a categoria de exposição predominante foi a homossexual/bissexual com 27,5%. Entre o sexo feminino, a maior ocorrência é entre heterossexuais, com 55,6%. Nos homens, a faixa etária que apresentou maior variação foi a de 60 anos e mais (100%) e, nas mulheres, o maior crescimento foi observado na faixa etária de 30 a 39 anos.
 
A preceptora médica infectologista do ISD, Manoella Alves, faz um alerta em relação ao aumento de casos de infecção pelo HIV entre os mais jovens. “Infelizmente, no estado, assim como no país, a gente tem uma grande quantidade de jovens se infectando. Uma faixa etária entre 20 e 29 anos, na qual eu tenho feito muitos diagnósticos. O que é uma pena. Além de todo o trabalho para que esse jovem se proteja no ato sexual, existe a PREP, que é a Profilaxia Pré-Exposição. Esse programa existe dentro do Sistema Único de Saúde (SUS)”, ressalta.

Centro de Educação do ISD atende grávidas com HIV
O Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi (Anita), uma das unidades do ISD, é referência estadual para o SUS para atendimento de mulheres grávidas infectadas pelo vírus. De 2018 a 2020, o número de mulheres infectadas pelo HIV que realizam o pré-natal no Anita aumentou 45,45% - saindo de 11 para 16. De janeiro a setembro deste ano, 12 pacientes nessa condição tinham iniciado o tratamento multiprofissional, com equipe composta por infectologista, ginecologista e obstetra, psicóloga, enfermeira, assistente social e farmacêutica bioquímica.


“Todas as gestantes que entram no Anita, em algum momento, irão fazer o teste rápido para HIV, sífilis e hepatites virais. O protocolo do Ministério da Saúde define que sejam realizados testes no primeiro trimestre de gestação, no início do pré-natal e outro no terceiro trimestre de gravidez. No momento do parto, a mãe é novamente testada para HIV e sífilis. Os dados do Boletim atual da Sesap apontam um reflexo do aumento do número de casos nesse público. A triagem durante a gestação é muito eficiente”, aponta Carla Glenda Souza  da Silva, preceptora multiprofissional psicóloga do ISD. Ela ressalta, porém, que além dos casos de infecção pelo HIV, há uma prevalência de ocorrência de sífilis entre as mulheres grávidas que pode resultar em sequelas irreversíveis ao bebê, como doenças  neurológicas graves, caso não tratada a tempo e de forma hábil.

Entre as mulheres grávidas soropositivas acompanhadas pelos profissionais do Anita, há uma adolescente de 15 anos de idade, corroborando as estatísticas da Sesap/RN. “Ela foi infectada aos 13 anos, na primeira relação sexual que teve, com o primeiro namorado. Há um perfil das mulheres que atendemos hoje: possuem baixa escolaridade, não possuem acesso à informação adequada, vivem em situação de vulnerabilidade econômica, são submissas aos companheiros por questões diversas. Muitos não aceitam o uso da camisinha. É difícil empoderar mulheres nessas condições, pois elas se sentem acuadas”, declara Carla Glenda Souza da Silva.

Para acompanhar mulheres nessas circunstâncias, o Setor de Serviço Social do ISD desenvolve um trabalho de intervenção que envolve a articulação com a rede intersetorial, formada por diversas áreas como saúde, segurança, educação, trabalho, entre outras. Ele visa garantir o cumprimento das consultas, a realização de exames, o deslocamento das pacientes em carros das respectivas prefeituras municipais às quais pertencem seus endereços e o recebimento ininterrupto da medicação antirretroviral. O tema da campanha deste ano para o Dia Mundial da Aids, elaborada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS) é: “Acabe com as desigualdades. Acabe com a AIDS. Acabe com as pandemias”. Esta data, segundo a OPAS/OMS, constitui uma oportunidade para apoiar as pessoas envolvidas na luta contra o HIV e melhorar a compreensão do vírus como um problema de saúde pública global.

“É extremamente importante a realização do acompanhamento das pessoas vivendo com HIV/Aids por equipes multiprofissionais, visto que a atenção demanda olhares diversos e complementares. O cuidado a estas pessoas requer uma atuação profissional especializada que possa promover a melhoria da qualidade de vida e o alcance dos direitos que lhe são assegurados. As articulações com os demais serviços que integram as redes municipal e estadual de atendimento buscam atender as demandas que ultrapassam o tratamento médico e medicamentoso, sobretudo, no que se refere ao preconceito e a dificuldade de acesso aos serviços básicos como educação, trabalho, cultura, lazer, entre outros”, afirma a assistente social do ISD, Alexandra Lima. 

Dados:

Aids em Crianças  
110 casos em crianças menores de 13 anos de idade (entre 2010 e 2020), das quais 70 foram diagnosticadas antes dos cinco anos de idade; 

Binômio mãe-bebê 
142% de aumento na taxa de detecção de HIV em gestantes; 

117% no número de casos de gestantes infectadas pelo HIV; 

77,3% das contaminações nessa faixa etária ocorrem pela transmissão vertical (mãe-bebê durante o 
parto); 

Óbitos por Aids no RN 
1.365 óbitos por Aids no RN na década analisada (977 homens e 388 mulheres) , com predominância em pessoas de 40 a 49 anos (28,7%);  

15,7% de aumento de óbitos no período analisado; 

Perfil das pessoas infectadas 
70% dos casos de infecção registrados no RN até dezembro de 2020 ocorreram entre homens; com concentração na faixa etária de 20 a 29 anos (35,3%) dos casos registrados; 

38 milhões é o número estimado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de pessoas vivendo com o HIV no mundo; 

920 mil é o número estimado pelo Ministério da Saúde de pessoas vivendo com o HIV no Brasil. 

Contaminação 

Assim pega: 
Sexo vaginal sem camisinha; 
Sexo anal sem camisinha; 
Sexo oral sem camisinha; 
Uso de seringa por mais de uma pessoa; 
Transfusão de sangue contaminado; 
Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação; 
Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados. 

Assim não pega: 
Sexo desde que se use corretamente a camisinha; Masturbação a dois; 
Beijo no rosto ou na boca; Suor e lágrima; 
Picada de inseto; 
Aperto de mão ou abraço; Sabonete/toalha/lençóis; Talheres/copos; 
Assento de ônibus; 
Piscina; 
Banheiro






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