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Brasil
Casos de varíola dos macacos chegam a 37 em Portugal
Publicado: 00:01:00 - 24/05/2022 Atualizado: 22:53:24 - 23/05/2022
Os casos confirmados de infectados pela varíola dos macacos já chegam a 37 em Portugal, após 14 pessoas terem a doença detectada nas últimas horas. As autoridades de saúde não descartam um aumento, porque aguardam resultados de outras amostras. Entre as análises realizadas, a Direção Geral de Saúde (DGS) de Portugal comunicou ontem a identificação de uma variedade do vírus da África Ocidental que é "menos agressivo". O número de casos confirmados no País lusitano disparou desde quarta-feira passada, dia 18, quando a DGS comunicou os primeiros cinco casos de varíola dos macacos.

Reprodução


As autoridades portuguesas recomendam a ida ao médico antes do aparecimento de úlceras, erupções cutâneas ou gânglios linfáticos acompanhados de febre, dores musculares e cansaço. Eles também pedem às pessoas com sintomas que evitem o contato físico direto, além de compartilhar roupas, toalhas, lençóis e objetos pessoal.

A varíola dos macacos, do gênero Orthopoxvirus, é uma doença rara transmissível por meio do contato com animais, pessoas ou materiais infectados ou contaminados pelo vírus. Vários países europeus relataram casos deste vírus que foi detectado pela primeira vez na República Democrática do Congo em 1970 e se multiplicou na última década em países de África Ocidental e Central.

Transmissão 
A Dinamarca registrou a sua primeira incidência da varíola dos macacos em um homem adulto que havia retornado de uma viagem à Espanha, disse o ontem Ministério da Saúde em declaração. "As autoridades de saúde não esperam uma infecção generalizada na Dinamarca, mas estamos acompanhando de perto a situação para estarmos preparados para um possível desenvolvimento na situação de infecção", disse o ministro da Saúde, Magnus Heunicke, em um comunicado. O homem infectado está atualmente em isolamento e as autoridades estão em contato com quaisquer contatos próximos, disse o ministério.

A Escócia também anunciou seu primeiro caso. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson disse, também ontem, que o governo está analisando cuidadosamente as circunstâncias que cercam a transmissão da varíola na Grã-Bretanha, já que a Escócia confirmou seu primeiro caso do vírus. "É basicamente uma doença muito rara e até agora as consequências não parecem ser muito graves, mas é importante que fiquemos de olho", disse Johnson.

Já a Inglaterra tem 20 casos confirmados atualmente, de acordo com a última atualização, ocorrida na sexta-feira, dia 20. Outros casos foram identificados em vários países globalmente. 

Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, está pedindo reforço de medidas não farmacológicas, como distanciamento, uso de máscara e higienização frequente de mãos, em aeroportos e aeronaves, para retardar a entrada do vírus da varíola dos macacos no Brasil. Desde o início do mês, ao menos 120 ocorrências da doença foram confirmadas em 15 países. O Ministério da Saúde instituiu ontem uma sala de situação para monitorar o cenário da monkeypox no Brasil.

A rara doença pode chegar nos próximos dias, segundo especialistas ouvidos pelo Portal do Estadão. No domingo foram registrados casos suspeitos na vizinha Argentina. A varíola dos macacos é, na verdade, doença original de roedores silvestres, mas isolada inicialmente em macacos. É frequente na África, mas de ocorrência muito rara em outros continentes.

Cientistas acreditam que o desequilíbrio ambiental esteja por trás do atual surto, mas não veem razão para pânico. "Acho muito difícil que (a doença) não chegue aqui", afirmou o presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, José David Urbaez. Mas existem tratamento e vacinas.

Mesmo assim, é necessário alerta, segundo a Chefe da Divisão de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do Hospital das Clínicas da USP, Anna Sara Levin. "Essa transmissão pessoal é um pouco preocupante, temos de entender se houve uma adaptação do vírus ou contato muito intenso entre as pessoas.”

Cresce suspeita de elo entre  vírus de hepatite e covid
Um tipo misterioso de hepatite aguda tem despertado a atenção de autoridades de saúde de diferentes países do mundo ao longo das últimas semanas. A doença, que atinge crianças e já é investigada até no Brasil, não é ocasionada por nenhum dos vírus conhecidos da hepatite (A, B, C, D e E) e pode ter entre as suas causas uma relação ainda não esclarecida entre a covid-19 e um tipo de adenovírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou até esta semana 348 casos da doença. A maioria das crianças apresentou sintomas gastrointestinais, icterícia e, em alguns casos, falência aguda do fígado e um quadro que acabou levando à morte.

O Ministério da Saúde criou uma sala de situação para monitorar 41 eventos suspeitos de hepatite aguda de origem desconhecida registrados até agora em território nacional. Entre eles está o de uma adolescente de 14 anos, de Ibimirim, sertão de Pernambuco que foi hospitalizada em coma e precisou passar por transplante de fígado de emergência na sexta. Com esse, são seis os casos suspeitos da doença apenas em Pernambuco.

A primeira hipótese foi levantada por autoridades de saúde do Reino Unido. Lá, os primeiros casos foram registrados e tratava-se de uma hepatite causada por um adenovírus. Estudos mostraram que até 70% dos doentes testaram positivo para o adenovírus 41F. Ele afeta mais crianças, jovens e pessoas imunossuprimidas. Provoca resfriado ou problemas intestinais.

"Inicialmente achou-se que o adenovírus seria a causa das hepatites agudas, mas o fato é que ele não aparecia em todos os casos", explicou o infectologista Marcelo Simão, da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas. "Em muitas crianças que apresentaram quadros graves não foi possível isolar o vírus; e em algumas na qual foi feito um transplante não se achou o vírus no fígado retirado."

Especialistas notaram também que muitas crianças tinham tido covid-19 antes da hepatite aguda. Um estudo publicado na Lancet na semana passada propôs, então, nova hipótese. Segundo o trabalho, uma combinação entre as duas infecções estaria provocando a doença hepática aguda.Partículas remanescentes do Sars-CoV-2 no trato intestinal das crianças estariam servindo de gatilho para uma reação exagerada no sistema imunológico a uma infecção posterior pelo adenovírus 41F. A proteína spike do coronavírus é considerada um superantígeno. Ela torna o sistema imunológico mais sensível. Assim, potencializaria o efeito do adenovírus 41F. Normalmente, esse vírus não provoca problemas mais graves.

A reação seria similar à provocada na Síndrome Inflamatória Multissistêmica. Essa condição foi identificada em crianças com covid longa. Nesses casos, há uma ativação anormal do sistema imunológico por causa do superantígeno. Ele desencadeia uma reação autoimune extremamente inflamatória. Uma eventual exposição posterior a um adenovírus poderia provocar uma reação ainda mais forte do organismo. É o que pode estar acontecendo nos casos de hepatite aguda.

"A hipótese mais aceita atualmente é de que essa hepatite está sendo provocada por uma reação imunológica exagerada causada pela combinação desses dois vírus que acaba por agredir o fígado", disse Simão, cujo nome integra a lista da Universidade de Stanford, nos EUA, dos cientistas mais influentes do mundo. "Por que o fígado? Ainda não sabemos."

VARIAÇÃO
Outra questão ainda não esclarecida, segundo Simão, é por que os casos de hepatite aguda só começaram a ser notados agora, dois anos depois do início da pandemia. Uma explicação possível estaria relacionada à variante do Sars-CoV-2 atualmente em circulação.

Para o presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, José David Urbaez Brito, a hipótese da combinação dos dois vírus é, atualmente, a mais provável para explicar os casos de hepatite aguda em crianças, embora ainda não esteja fechada. "O que acontece de diferente neste momento atual da nossa vida é que estamos sofrendo a modulação contínua de uma pandemia", disse Brito. "Somos bombardeados minuto a minuto por um agente infeccioso circulando em uma magnitude gigantesca; qualquer coisa nova que apareça pode ter relação com isso."

Dados da OMS e de estudos feitos em Israel, Estados Unidos e Índia reforçam a hipótese. O trabalho israelense, coordenado por Yael Mozer Glassberg, do Centro Médico Infantil Schneider, mostrou que 11 de 12 crianças que tiveram a hepatite tinham tido covid-19. Nenhuma delas, porém, testou positivo para o adenovírus.

A OMS Europa apontou em um relatório divulgado neste mês que até 70% das crianças com menos de 16 anos que desenvolveram a hepatite aguda tiveram diagnóstico de covid-19 anteriormente. Além disso, explicaram especialistas, outras crianças podem ter tido a doença de forma branda ou mesmo assintomática; ou seja, sem um diagnóstico oficial. 

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